A Cidade
De H. P. Lovecraft
Era dourada e esplêndida,
Aquela Cidade de luz;
Uma visão suspensa
Nas profundezas da noite;
Uma região de maravilha e glória, cujos templos eram de mármore e brancos.
Lembro a estação
Em que ela despontou diante de meu olhar;
O tempo louco de irracionalidade,
Os dias entorpecentes do cérebro
Quando o Inverno, com sua mortalha branca e hedionda, avança para torturar e enlouquecer.
Mais linda do que Sião
Ela brilhava no céu,
Quando os raios de Órion
Nublaram meus olhos,
Trazendo sono cheio de memórias vagas de momentos obscuros e esquecidos.
Seus palácios eram majestosos
Com entalhes feitos com beleza,
Cada um se erguendo serenamente
Em terraços raros,
E os jardins eram fragrantes e brilhantes com milagres estranhos florescendo ali.
As avenidas me atraíam
Com vistas sublimes;
Arcos altos me asseguravam
Que um dia eu havia vagado em êxtase sob eles, e me banhara no clima de Halicarnasso.
Nas praças havia uma escultura
Uma fileira imponente;
Homens barbudos, autoritários,
Homens graves em seu tempo—
Mas um deles estava desmontado e quebrado, seu rosto barbudo esmigalhado.
Naquela cidade resplandecente
Nenhum mortal eu vi;
Mas minha imaginação, indulgente
Com a lei da memória,
Demorou-se longamente nas formas nas praças, e fitou suas feições de pedra com admiração.
Agucei a brasa fraca
Que ardia em minha mente,
E tentei lembrar
Os éons passados;
Percorrer a infinitude livremente, e visitar o passado sem restrições.
Então o terrível aviso
Se abateu sobre minha alma
Como a manhã sinistra
Que se levanta em vermelho,
E em pânico eu fugi do conhecimento dos terrores esquecidos e mortos.