A Casa
Por H. P. Lovecraft
É uma morada cercada por um bosque
Situada perto de uma colina,
Onde os galhos contam
Estranhas lendas de mal;
Sobre toras tão antigas
Que elas respiram dos mortos,
Rastejam as videiras, verdes e frias,
Alimentadas por uma nutrição estranha;
E nenhum homem conhece os sucos que elas sugam das profundezas de seu leito úmido e viscoso.
Nos jardins estão crescendo
Flores altas e belas,
Cada flor pálida exalando
Perfume no ar;
Mas o sol da tarde
Com seus raios vermelhos brilhantes
Faz a cena parecer sombria
À vista curiosa,
E acima do doce aroma das flores sobem odores de inúmeros dias.
As ervas daninhas estão ondulando
Na varanda e no gramado,
Lembranças vagas saboreando
De coisas que se foram;
As pedras dos caminhos
Estão incrustadas e úmidas,
E um espírito estranho ronda
Quando o sol vermelho se põe,
E a alma do observador está cheia de imagens vagas que ele gostaria de esquecer.
Foi no quente verão
Que eu me pus diante daquela cena,
Quando os raios dourados do meio-dia
Brilhavam intensamente no verde.
Mas eu tremi de frio,
Tateando fracamente em busca de luz,
Como uma imagem se desenrolava—
E minha visão, que abrangia toda a minha vida, viu o tempo em que eu estivera lá antes fulgurar como um relâmpago saindo da noite.