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“O Terrível Homem Velho” • Os idosos não estão pra brincadeira! • LOVECRAFT

O Terrível Homem Velho: Análise do Conto de Lovecraft

Neste episódio da nossa série de análises dos contos de H.P. Lovecraft, exploramos "O Terrível Homem Velho", uma narrativa curta que transita entre o mistério e o suspense macabro na clássica cidade fictícia de Kingsport.

Bem-vindos de volta ao canal e à nossa playlist onde analiso todos os contos de H.P. Lovecraft. No vídeo de hoje, vou analisar o conto "O Terrível Homem Velho" (*The Terrible Old Man*). Essa história foi escrita em janeiro de 1920 — mais precisamente no dia 28 de janeiro — e publicada pela primeira vez em julho de 1921. Como podemos ver, este é o momento em que Lovecraft está prestes a entrar em sua era de ouro em termos de produção, o que já transparece na qualidade do texto.

Mas qual é a narrativa do conto em si? Aqui não temos exatamente os horrores cósmicos tradicionais de Lovecraft; na verdade, temos uma história de mistério ambientada em uma cidade fictícia chamada Kingsport. Essa localidade aparece em outras obras do autor, como "A Sombra sobre Innsmouth" e em alguns outros contos menos conhecidos.

A trama gira em torno de um senhor idoso, descrito como um antigo capitão de navio, que vive sozinho em uma região costeira. Ele é muito frágil, e as pessoas da cidade geralmente têm pena dele ou simplesmente o evitam. Algumas crianças, porém, às vezes tentam importuná-lo e, ao entrarem em seu quintal e residência, conseguem espiar pela janela e vê-lo conversando com pequenos frascos de vidro em formato de pêndulo. Dentro desses frascos há uma espécie de cinza ou chumbo, e ele se comunica com eles pelo nome. Isso deixa os moradores encabulados, fazendo com que evitem ainda mais o velho.

Acompanhamos então a história de três ladrões: Angelo, Ricci e Manuel Silva. Pelos nomes, percebemos que o autor dá aos criminosos origens estrangeiras — um italiano, um grego e um latino (Manuel Silva). Eles acreditam que o velho guarda uma grande fortuna escondida em casa e planejam um assalto. O plano consiste em deixar Silva esperando em um carro próximo à residência, enquanto os outros dois comparsas entram para confrontar o velho e forçá-lo a revelar onde estão suas riquezas. Eles sabem que ele é fraco e não deve resistir, combinando de não fazer nenhuma estupidez, embora estejam preparados para abafar qualquer grito com as mãos, caso seja necessário.

Os dois comparsas avançam em direção à casa do terrível velho já à noite. Apesar de ficarem um pouco intimidados pelo quintal macabro, eles entram e batem à porta. A partir desse momento, o conto muda de perspectiva: passamos a acompanhar o ponto de vista de Silva, que aguarda no carro. Conforme os minutos passam, ele fica cada vez mais desesperado com a demora dos amigos. Começa a especular se eles fizeram alguma besteira, se estão torturando o velho ou se acabaram o matando enquanto procuram o dinheiro.

Inquieto, Silva observa a fachada da casa até que o portãozinho da frente se abre. No entanto, quem sai não são seus comparsas, mas sim o próprio velho, ostentando uma expressão terrivelmente malévola, com um sorriso maldoso e olhos completamente amarelos.

O conto termina de forma abrupta. Pouco depois, o narrador relata que três corpos foram encontrados completamente mutilados e boiando na costa, enquanto o carro dos criminosos foi abandonado em uma rua próxima. É interessante notar que, embora os contos de Lovecraft contenham muita violência, ela raramente é explícita. Aqui, no entanto, o autor escancara o desfecho, o que foge um pouco ao seu estilo habitual, mas gera um efeito marcante, provando que as superstições da cidade sobre aquele homem tinham um fundamento aterrorizante.

O que vocês acharam dessa história? Espero que tenham gostado, e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!