O conto "Polaris", de H.P. Lovecraft, é uma obra fascinante que marca a transição do autor para o horror cósmico, mesclando elementos de fantasia e realismo mágico. Na análise a seguir, exploramos as camadas oníricas, filosóficas e melancólicas dessa narrativa única.
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E aí, pessoal do universo Antares, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal, bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todos os contos de H.P. Lovecraft. Desta vez, vou analisar um conto muito interessante com o título de "Polaris". Esse é um conto que representa talvez o início do horror cósmico como a gente conhece na carreira do Lovecraft, mas, de maneira muito interessante, ele é um conto que mistura fantasia e realismo mágico. Eu estou lendo nessa edição aqui da D. Classics, e esse conto foi escrito no ano de 1918, provavelmente no mês de maio, e foi publicado em dezembro de 1920 na revista *The Philosopher*.
O que que é tão interessante nesse conto? Bom, o interessante é aquela coisa do Lovecraft de misturar muito o onírico com a realidade. O conto começa com um personagem específico; ele está numa espécie de pantanal, eu poderia dizer um pântano assim, ele vive numa casinha e é muito contemplativo, observando o céu constantemente. Mas uma estrela chama a atenção dele, que é a Estrela Polar. Ele observa várias constelações, várias estrelas, mas a Estrela Polar parece que, quase como para ele, o brilho dela é como se fosse o brilho de um mensageiro, sabe? É quase como se fosse um olho eterno vigiando. E aí, sempre que ele olha para essa estrela, ele acaba tendo visões, visões de uma cidade próxima assim, de uma região montanhosa, com suas muradas assim, gigantescas, de mármore, e a própria cidade em si, ela tem esse quê bem fantástico.
E quando ele dorme — mas pode ser tanto alucinação quanto o fato de ele estar sonhando com ela, porque ele fica obcecado com essa cidade, que é Olathoe, eu acho que é alguma coisa assim —, ele meio que encarna um outro personagem. É como se estivesse na pele de outra pessoa, chamada Altheos, um cara chamado Altheos, e ele consegue andar por essa cidade livremente, ele sente afeto pelas pessoas dessa cidade. Mas essa cidade ela está sendo assediada por um povo assim, provavelmente um povo bárbaro chamado Inutos. E um dos chefes, e grande amigo desse… é um dos comandantes, né, do exército do povo, que é o Olus, se eu não me engano, ele é um dos grandes amigos do Altheos, e ele faz com que o Altheos fique numa torre de vigia. Porque, basicamente, nessa cidade ele também é conhecido por ser um observador, uma espécie de astrônomo/astrólogo local, e ele não tem força física para participar das linhas de frente. Mas ele recebe o papel, do próprio Olus, sabendo que ele era um bom observador, o papel de vigiar uma região específica em que provavelmente os Inutos atacariam, e qualquer coisa era para ele avisar o povo de que os exércitos inimigos estavam chegando.
Porém, enquanto ele está nessa torre de vigia, Polaris, a estrela… ele fica obcecado novamente com essa estrela. E o que é interessante é que ele tem… o Altheos tem essa mesma sensação de estar em outro local, só que dessa vez é invertido, né? Ele tem a sensação de que ele está no pântano. E aí o conto termina com ele caindo na magia dessa Estrela Polar e adormecendo. E quando ele acorda, ele está naquele pântano de novo. E a estrela — quase como, é mais uma interpretação subjetiva, mas é quase como se a estrela zombasse do fato de ele acreditar que aquela cidade é real —, mas ele acredita que ela é real e acredita que, na verdade, a realidade em que ele está inserido é que é um sonho, sabe? E ele se sente culpado, porque, provavelmente, enquanto ele está ali, milhares de pessoas estão morrendo com a invasão bárbara.
Então, é um conto muito interessante porque ele representa o lado mais filosófico de fato do Lovecraft, essa coisa do escapismo, você fugir da realidade através do sonho. E é um conto muito bem escrito. Mas é isso, o que que vocês acharam desse conto? Gostaram? Também são poucos que o Lovecraft tem nesse estilo, mas os poucos que tem, eu acho que vale a pena a leitura também. Mas é isso, beijo vocês no próximo vídeo com mais uma análise de conto. Até mais!