Neste vídeo do canal Universo Antares, continuamos a nossa jornada de análise por toda a obra de H. P. Lovecraft, chegando finalmente a um texto que conseguiu ser genuinamente monótono. Trata-se de uma análise detalhada do conto "As Reminiscências do Dr. Samuel Johnson", uma obra menor do autor que foge completamente aos temas de horror cósmico a que estamos acostumados.
E aí, pessoal do Universo Antares! Sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui do canal, bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todos os contos de H. P. Lovecraft. E dessa vez, pessoal, aconteceu finalmente: vou analisar "As Reminiscências do Dr. Samuel Johnson". Ele foi escrito em 1917 e publicado pela primeira vez em maio de 1917 na revista amadora *The United Amateur*. E meus amigos, eu finalmente achei um conto chato do H. P. Lovecraft! Meu Deus do céu, assim, eu acho que é um texto que deve ter funcionado à época em que foi publicado, mas só que não funciona nos dias de hoje.
A primeira coisa que vocês precisam saber é que não se trata de um conto de horror cósmico; na verdade, nem é um conto de terror. Ele tem uma premissa que poderíamos considerar de ficção fantástica ou especulativa, em que a narrativa é protagonizada pelo próprio Dr. Samuel Johnson. Ele foi um escritor clássico, muito famoso e célebre, e o Lovecraft dá um jeito de fazê-lo sobreviver por vários séculos. Então, a história se passa quando ele está prestes a completar 228 anos.
Basicamente, o conto é narrado de maneira muito elucubrada, em uma prosa quase medieval, com muitas palavras rebuscadas. Não é impossível de ler — na verdade, eu já sou bastante familiarizado com o inglês arcaico, então algumas formas antigas não me foram tão difíceis —, mas você percebe que isso foi feito de propósito. O Lovecraft queria causar exatamente esse efeito formal e conseguiu. A narrativa vai tratar de como o Dr. Samuel Johnson encontrou um de seus amigos, se não me engano James Boswell, que inclusive escreveu a biografia dele após a sua morte.
A história se resume a isso: o personagem relata como sobreviveu através dos tempos e como participou de um clube literário com diversos outros autores famosos do passado — alguns deles incluindo figuras como Voltaire, por exemplo. O conto acaba servindo muito mais como um espaço para o Lovecraft criticar a literatura moderna. A gente percebe aqui que é um texto bem idealista; o Lovecraft é bastante reacionário e quem lê percebe isso não apenas pela escolha dos temas, mas pela maneira como ele escreve, algo que transparece em outras narrativas também.
Ele fala com um tom jocoso sobre essas revoluções literárias e essa literatura moderna, fazendo uma crítica bem-humorada, ainda que o humor não seja exatamente engraçado para os padrões de hoje. A trama é basicamente sobre essas discussões que aconteceram, sobre como cada um daqueles autores acabou falecendo posteriormente e o que cada um produziu. E é isso, não tem muito mais o que dizer, é um conto bem chato. Mas é uma curiosidade, tem quem goste. Eu li através da edição da *Delphi Classics*, mas é um texto que dá para achar online facilmente.
É muito chato, cara. A maior parte do tempo eu ficava pensando: "Meu Deus do céu, o que está acontecendo aqui?". Como ele é bem curtinho, acho que compensa ler para entender como o Lovecraft evoluiu com o passar do tempo, mas é uma leitura que eu não recomendo se você quer apenas ler os melhores do autor; certamente, passe longe deste conto. E aí, tem alguma história do Lovecraft que por acaso vocês não gostam? Se sim, me digam aí nos comentários. Eu vejo vocês no próximo vídeo, até mais!