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Edgar Allan Poe • O Barril de Amontillado • MÊS DO HORROR

O Barril de Amontillado: A Vingança de Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe é amplamente conhecido por suas histórias sombrias e atmosféricas, que exploram a culpa, a loucura e a vingança com maestria única. O conto "O Barril de Amontillado" é um dos melhores exemplos desse estilo, acompanhando um protagonista implacável que executa um plano meticuloso de retribuição nas catacumbas de sua própria mansão.

"Suportei o melhor que pude as incontestáveis injúrias de Fortunato, mas quando ele se pôs a me insultar, jurei vingança. Você, que tão bem conhece a natureza de minha alma, decerto não vai supor que anunciei a ameaça em voz alta. Haveria de me vingar um dia; era uma decisão certa e definida." Bem, pessoal, temos aqui o protagonista, que também é o narrador, Montresor, um italiano riquíssimo que mora praticamente em um palácio. Ele nos conta que quer se vingar desse tal de Fortunato. E quem é Fortunato? É uma pessoa da cidade apresentada como um grande conhecedor de vinhos. No mais, ele é meio trapaceiro e dá uns golpes, mas de vinho ele entende. Montresor também é versado em vinhos e, como foi dito, quer se vingar de Fortunato.

Certo dia, andando na rua em plena época de carnaval, quem ele encontra? Fortunato. Fortunato chega ali e já o cumprimenta, e Montresor fica feliz. Ele até diz que quase não para de sorrir nem de apertar a mão dele, não porque está vendo Fortunato — que era um cara que ele odiava e queria matar —, mas porque percebe que ele está bêbado. E vejam só, pessoal: a casa de Montresor estava vazia. Os criados já estavam em casa, pois ele havia avisado por causa do carnaval: "Olha, nem precisam sair de casa, só voltem no outro dia". Então ele percebe: "Opa, estou aqui com Fortunato na minha frente, o cara está bêbado e a minha casa está vazia". Vejam só, a melhor hora para a vingança!

Montresor rapidamente inventa uma história. Ele sabe que Fortunato entende de vinhos e diz: "Olha, recebi um barril de amontillado". O amontillado é um vinho que não é da Itália e, até onde sei, não é de qualquer época do ano que se encontra. Ele continua: "Recebi um barril de amontillado e veio rápido. Eu iria até falar com Luchesi" — que seria outro cara que entende de vinhos. Nessa hora, Fortunato responde: "Opa, opa, aquele cara ali não sabe de nada, deixa comigo, cadê o amontillado?". Montresor ainda vai dando corda, brinca com ele e diz: "Poxa, mas tu és muito ocupado". Fortunato insiste: "Não, deixa que eu vou, vamos até sua casa".

Nas festas, Fortunato estava vestido de palhaço, com um gorro cheio de guizos, aqueles sininhos, pulando carnaval. Ele insiste que vai junto à casa de Montresor. Ao chegarmos lá, percebemos que Montresor realmente é riquíssimo e mora em um palácio. Eles descem às catacumbas, que é onde ele guarda suas bebidas. É narrado que o local é escuro e bastante úmido, então cada um vai segurando uma tocha para iluminar o caminho, e Fortunato vai na frente.

Durante o trajeto, Montresor vai conversando com Fortunato e meio que brincando com ele. Ele entra naquele jogo porque é esperto e sabe que Fortunato tem um ego enorme. Várias vezes ele diz: "Poxa, tu não quer voltar? O Luchesi ali sabe, ele dá conta". E Fortunato rebate: "Bah, aquele cara é um leigo, não sabe nada, deixa que eu vou, vamos lá ver esse amontillado para ver se é real ou não, porque acho que tu levaste um golpe". Durante o caminho, sempre que Fortunato tosse, Montresor aproveita e lhe dá vinho várias vezes, dizendo: "Toma aí para pegar mais ânimo". Só que nós sabemos, pessoal, que na verdade ele quer manter o estado de embriaguez do cara.

É engraçado que há uma parte em que Fortunato começa a fazer alguns gestos com as mãos. Não é descrito exatamente o que ele fez, qual foi o gesto, mas ele faz uma vez, depois outra. Montresor fica sem entender, Fortunato repete, e Montresor continua sem entender, ficando sem palavras. É uma bizarra situação: você está indo matar o cara e ele do nada começa a fazer gestos no meio do caminho, todo bêbado. Enfim, nisso Fortunato pergunta: "Tá, mas tu não és maçom?". Montresor responde: "Claro, eu sou maçom". E Fortunato retruca: "Tu? Prova aí!". Do nada, ele tira uma colher de pedreiro que estava trazendo — guardem isso, pois já é uma dica do que está por vir. Fortunato olha, pensa "pô, que besteira", deixa para lá e diz "vamos ver esse vinho logo".

No caminho, eles também falam um pouco sobre a família de Montresor, que é riquíssima, e sobre o brasão. Até anotei aqui para não esquecer e vou ler para vocês. Veja que interessante: ele menciona que o brasão é a imagem de um grande pé dourado em um fundo azul, esmagando uma serpente que morde seu calcanhar, e o lema da família é: "Ninguém me ofende impunemente". Então, veja só, é coisa de família: mexeu com eles, não deixam passar. É vingança na certa.

Eles seguem o caminho, com Fortunato indo na frente com sua tocha, até que ele esbarra na parede e percebe: "Poxa, cheguei aqui no final, mas cadê o amontillado?". Ele vira meio sem graça e, nisso, já é acorrentado rapidamente. Montresor já tinha tudo preparado, pessoal. É dito que ali nas catacumbas, que pareciam as catacumbas de Paris, havia pilhas de caveiras; o local era sinistro. Já havia duas algemas e uma corrente presas certinho na parede. Quando Fortunato se vira, é algemado e, bêbado, fica meio sem reação. Rapidamente, Montresor pega a colher de pedreiro e afasta um montinho de esqueletos e ossos. Percebemos que embaixo daquilo já havia cimento; ele já estava preparando a vingança havia um bom tempo e sabia que aquele seria o local, então já tinha o material necessário.

Ele começa a erguer um muro. Pensem bem: Fortunato acorrentado contra a parede e Montresor erguendo o muro, uma camada, duas camadas. A embriaguez vai passando, Fortunato começa a gritar alto, a pedir ajuda, enquanto Montresor continua subindo o muro. Até que um grito assusta Montresor, que pega uma espada e começa a golpear. Não é dito se os golpes de fato atingiram Fortunato ou não, mas fiquei com a impressão de que sim. Depois vocês comentem aí o que acharam; eu achei que sim. Nisso, ele continua subindo os muros, e os gritos do outro lado parecem ficar mais altos. Montresor meio que tenta abafar aqueles gritos, fazendo mais barulho para não correr o risco de ninguém ouvir os pedidos de socorro.

Nisso, pessoal, quando o muro já está quase totalmente fechado, restando apenas uma brechinha, Fortunato tenta ser esperto. Sabe que está perto do fim, dá uma risada e fala com uma voz triste: "Poxa, vamos tomar o vinho?". Montresor responde: "Vamos, sim, vamos". Ele dá uma risada, conversa: "Poxa, vamos ali no palácio tomar o vinho". Fortunato insiste: "Pelo amor de Deus!". Quando está acabando, faltando apenas um pedacinho… Vocês se lembram que ele estava com a tocha? Ele joga a tocha lá dentro para queimar Fortunato. A única coisa que se escuta é o barulho dos guizos, que são os sininhos da fantasia de palhaço na cabeça dele. Só dá para escutar o barulho desses sinos.

Eu não sei se ele fez isso de forma proposital ou não, mas para quem não sabe, essa questão dos guizos e a relação de ser enterrado vivo tem um contexto histórico. Antigamente, como a medicina não era tão avançada, corria-se o risco de a pessoa ser enterrada viva, achando-se que estava morta. Edgar Allan Poe traz contos que abordam esse tema — vou trazer mais para o canal. Antigamente, as pessoas eram enterradas com um cordãozinho que ia até fora do caixão e era ligado a um sininho ou guiso. Caso a pessoa acordasse lá dentro, era só puxar para fazer barulho e ser desenterrada.

Voltando à história, depois dessa explicação e curiosidade, após Montresor jogar a tocha, a única coisa que se escuta é o barulho dos guizos, como se Fortunato estivesse se mexendo lá dentro, o que passa a mensagem de que ele ainda estava vivo. Depois disso, Montresor coloca os últimos tijolos e assim acaba a história, com o narrador revelando que está contando isso cinquenta anos depois do acontecido, sentado ali, bem tranquilo. É assim que termina. Espero que tenham curtido, compartilhem, curtam e comentem, pois isso ajuda bastante o canal. Até mais, pessoal, tchau!