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Edgar Allan Poe • O Gato Negro • MÊS DO HORROR

O Gato Negro de Edgar Allan Poe | Mês do Horror

Este vídeo marca o início do "Mês do Horror" no canal, uma maratona de trinta dias com um vídeo de conto de terror por dia para celebrar a data. O criador apresenta sua análise e leitura de "O Gato Negro", clássico de Edgar Allan Poe, detalhando a trágica e macabra descida de um homem à loucura.

O conto começa de uma forma estranha e impactante. Temos um narrador desabafando e nos dizendo: "Eu não espero que vocês acreditem no que eu vou falar, porque na época até meus próprios sentidos rejeitaram as evidências, mas eu preciso falar isso, porque amanhã eu estarei morto". É assim que o protagonista inicia o relato de sua história. Ele conta que era um homem amável, uma pessoa tranquila e que adorava animais. Foi assim que ele conheceu uma moça, com quem se casou, pois ambos compartilhavam desse mesmo gosto. Eles viviam felizes e tranquilos em uma casa com vários animais, como pássaros, peixes e um gato preto chamado Plutão. Este gato era o amor da vida dele; ele realmente o amava.

O protagonista manteve essa vida pacífica até o momento em que começou a adquirir o hábito pela bebida. Ele se tornou alcoólatra, e isso mudou sua personalidade de forma drástica. Com o passar do tempo, testemunhamos a degradação moral deste homem: ele foi de uma pessoa amável e tranquila a um indivíduo completamente cruel. Ele passa a maltratar os animais e faz isso meio que por impulso, mesmo sabendo que é errado, mesmo sabendo que aquele gato — o animal que ele mais amava — não lhe fizera mal algum. Ele comete tais atos justamente *porque* sabe que são errados. Começa a sentir uma estranha indiferença, às vezes irritação com o gato, e passa a descontar até na esposa de forma física.

Certa noite, chegando em casa totalmente embriagado, ele vê o gato e decide agarrá-lo, sentindo que o animal o está rejeitando. Ele agarra o bichano e tenta fazer um carinho forçado. O gato, sentindo-se ameaçado, acaba mordendo o braço dele. Nesse momento, tomado por uma ira extrema, o homem pega um canivete e arranca o olho do próprio animal. No dia seguinte, ele acorda horrorizado, pensando: "Poxa, como é que eu fiz isso? Eu arranquei o olho do meu próprio gato, e ele não me fez nada".

Apesar do remorso, a degradação do ser humano continua, alimentada por esse impulso inexplicável de fazer o mal pelo mal. O gato sobrevive, tornando-se uma figura sinistra: um gato preto sem um olho, assustado com o dono e mantendo distância. No entanto, ele ainda continua pela casa. O narrador, que inicialmente sentira tristeza pelo ocorrido, vê esse sentimento se transformar em indiferença e, depois, em pura irritação, incomodado com a simples presença do animal. Sem conseguir compreender o que sente, ele decide dar um fim àquilo: pega uma corda, faz uma forca e enforca o gato em uma árvore próxima à sua casa.

Na mesma noite, ele acorda aos gritos de incêndio, desesperado. Pega a esposa e foge, mas sua casa é praticamente destruída, consumida pelo fogo, e ele perde todos os seus bens materiais. Apenas uma estrutura fica de pé: a parede do seu quarto. No dia seguinte, as pessoas que passam pelo local comentam sobre a estranha cena. Ao se aproximar para ver o que é, ele enxerga na parede a silhueta de um gato com uma forca no pescoço.

Ele fica assustado, mas, como tenta ser um homem racional, busca explicações lógicas: pensa que a parede era nova, que ainda não havia secado completamente, ou que alguém, ao notar o incêndio, poderia ter jogado o corpo do gato pela janela para alertá-lo. Vida que segue, ele se muda para um local bastante humilde, um porão, já que perdeu tudo, e continua com o vício na bebida.

Certo dia, avista sobre um barril de gin um gato que se parecia muito com o antigo Plutão. Ele faz carinho no animal e, ainda sentindo um pouco de remorso pelos atos passados, decide levá-lo para casa. A princípio, a vida segue normal com a esposa e o novo gato. No entanto, começam a acontecer coisas estranhas. O gato é idêntico a Plutão, com uma única diferença: tem alguns pelos brancos no peito. Com o tempo, essa mancha branca vai se expandindo e mudando de forma até desenhar nitidamente uma forca ao redor do pescoço do animal.

Ao ver aquilo, o narrador fica horrorizado, reconhecendo a imagem da morte que ele mesmo impingira ao primeiro gato. Para piorar, o animal também perde um dos olhos. O protagonista passa a nutrir um ódio profundo por essa nova criatura.

Até que, certo dia, ao descer as escadas, o gato caminha entre suas pernas e quase o faz cair. Tomado por uma raiva incontrolável, ele pega um machado para matar o bichano. No momento em que desferirá o golpe fatal, a mão de sua mulher segura o cabo, impedindo-o. Enlouquecido pela frustração, ele redireciona a violência e acerta um golpe mortal na própria esposa.

Imediatamente, ele começa a planejar o que fazer com o corpo: se deve queimá-lo ou escondê-lo. Percebendo que as paredes do porão, úmidas, são propícias, ele remove alguns tijolos, coloca o corpo da mulher no interior da parede e a reconstrói perfeitamente. Feito isso, ele sai à caça do gato para eliminá-lo, mas a criatura simplesmente sumiu sem deixar rastros. Ele vai dormir e, pela primeira vez em muito tempo, tem uma noite de sono tranquila, sem pesadelos com o primeiro gato que assassinara.

Passam-se um, dois, três dias, e nada do gato. A polícia chega para investigar o desaparecimento. O homem os recebe com total tranquilidade, respondendo com firmeza e até certa empáfia. Em um momento de excesso de confiança, quando os policiais já estão prestes a ir embora, ele decide zombar da situação para demonstrar inocência e diz: "Tudo certo, pessoal, vocês já estão indo? Olhem aqui, tá tudo bem, vocês já viram, já retiraram tudo certinho, as paredes aqui são muito bem construídas". E, para provar a solidez do lugar, bate fortemente com uma bengala na parede falsa.

Nesse exato instante, um grito infernal, abafado, mas terrivelmente estridente e demoníaco, ecoa de dentro da alvenaria. Os policiais, assustados, começam a retirar tijolo por tijolo. Ao abrirem a parede, encontram o cadáver em decomposição da esposa e, empoleirado sobre a cabeça dela, o gato que ele tanto procurava — a criatura cuja ausência o atormentava e que agora o entregava à justiça. E assim se encerra o conto "O Gato Negro", de Edgar Allan Poe.