Neste vídeo, o canal explora uma das obras mais curiosas e atípicas de H.P. Lovecraft: uma noveleta de tom melodramático que funciona como uma paródia bem-humorada das novelas e romances do século XIX.
E aí, pessoal do Universo Antar, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal onde eu analiso tudo o que H.P. Lovecraft escreveu. É engraçado que dessa vez eu trago para vocês uma história que é um romance que o Lovecraft escreveu. Isso mesmo, o Lovecraft escreveu uma espécie de noveleta — nem sei explicar direito, tem formato de novela, mas é bem curtinha. O nome é *Sweet Ermengarde* (Doce Ermengarde). Na verdade, esse conto é uma paródia dos romances melodramáticos do século XIX, e cara, é muito engraçado porque a premissa básica é a seguinte: temos uma menina de origem humilde, filha de fazendeiros, envolvida em um triângulo amoroso com dois outros personagens. Os nomes nem importam tanto, mas basicamente um deles é um rapaz pobre que tem o coração dela, enquanto o outro é alguém que porventura acaba encontrando ouro, conseguindo dinheiro, mas não tem o amor dela.
A partir daí, começa a rolar um monte de confusão. O rival começa a ameaçar a propriedade da família dela, o que faz com que o par romântico legítimo vá para a cidade em busca de fortuna suficiente para pagar o tributo do noivado. No entanto, várias reviravoltas acontecem. Ela vai para um lado, vai para o outro, e acaba aceitando, sob ameaça, entregar a propriedade da família para o pretendente rico. Ao mesmo tempo, ela encontra outro homem que pode lhe proporcionar um casamento às pressas para que ela consiga fugir. Ela foge em direção a esse novo partido, já que o seu primeiro amor demorava muito a retornar.
O que acontece? No trem, ela descobre através de uma fofoca que o cara era um charlatão e um mulherengo que andava se correspondendo com várias outras mulheres. Mano, ela simplesmente joga o cara pela janela do trem! É bizarro. Ela chega à cidade e fica praticamente na miséria, em situação de rua. Oferecem a ela trabalho em um prostíbulo, mas ela recusa. Logo depois, ela acha a carteira de uma burguesa, uma baronesa da cidade, e decide devolvê-la. Essa baronesa acaba adotando-a como empregada.
O tempo passa, ela fica rica, e aí ela finalmente reencontra todos aqueles personagens. Ela decide voltar para a cidade onde morava para quitar a hipoteca da casa e não ficar mais refém daquele chantagista. E o que acontece? Quando ela retorna, descobre que a baronesa que a adotou é, na verdade, a sua mãe verdadeira — há até um momento prévio de *foreshadowing* indicando que a filha da baronesa havia sido raptada.
E aí a Ermengarde fica revoltada com todo mundo e resolve, no final das contas, se casar justamente com o cara que a estava ameaçando. E o primeiro noivo não faz nada! Na verdade, ela reencontra o cara que havia jogado pela janela trabalhando como serviçaisali, tipo um mordomo ou motorista de carruagem e cabriolé. Ele lhe pede desculpas, ela aceita, mas quando reencontra o antigo grande amor, percebe que ele não demonstrava tanto interesse assim nela — afinal, ele guardava um certo ressentimento por ter sido abandonado. Esse sentimento não era mais totalmente recíproco por parte dela.
O conto termina de uma maneira muito doida, porque no fim ela fica com o cara que a ameaçava mais como uma forma de vingança contra todos ali. O desfecho tem uma vibe meio feminista, sabe? Algo como: "Caguei para todos vocês!".
Cara, eu confesso que esse conto tira boas risadas, principalmente pelo modo como é escrito. Por exemplo, em alguns momentos aparecem marcações entre colchetes, como "[cortina]", simulando de fato um roteiro teatral baratinho, como se o Lovecraft estivesse fazendo uma paródia de um teatro meia-boca. Achei muito interessante. Infelizmente, essa história foi publicada postumamente, já que o Lovecraft nunca a enviou para lugar nenhum em vida; só tempos depois é que acharam o manuscrito e o publicaram nesses compilados que vemos por aí.
Eu li na edição da *Delfonics*, e acho que esse texto é super válido. É válido porque aqui nós temos o Lovecraft escrevendo mal, mas de propósito. Ele escreve de uma maneira propositalmente caricata para tirar sarro dessas histórias. E eu digo isso porque eu gosto muito desse tipo de narrativa — claro que algumas um pouco mais sérias —, mas quem já leu algum romance clássico do século XIX, seja francês ou inglês, sabe que sempre existem esses clichês de novela de época. Naquela época era algo vigente, um formato que gerava muito interesse, mas que hoje em dia soa engraçado de ver. O Lovecraft usou e abusou disso para zombar dessa indústria literária.
Mas enfim, eu vou ficando por aqui. Espero que vocês tenham curtido conhecer essa curiosidade de que o Lovecraft, sim, escreveu um romance bem doido. É isso, e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!