No vídeo de hoje, continuamos nossa playlist de análise de todos os contos de H. P. Lovecraft, adentrando pela primeira vez em uma de suas muitas obras escritas em colaboração com outros autores. Trata-se do conto "O Prado Verde", escrito em parceria com a poetisa Winifred V. Jackson, a quem Lovecraft inclusive atribui a maior parte da autoria. O conto foi redigido provavelmente entre 1918 e 1919, mas só veio a ser publicado muito depois, em outubro de 1927, na décima quinta edição da revista *The Vagrant*.
A história começa em Arkham, nos Estados Unidos, onde os cidadãos presenciam a queda de um meteoro na costa da região. Um cientista, acompanhado por alguns pescadores, coleta amostras do objeto e confirma sua natureza meteórica. Após realizarem estudos no material, eles encontram lá dentro uma espécie de caderno escrito em grego antigo. A partir daí, temos novamente uma narrativa epistolar: após muita dificuldade na tradução, o leitor acompanha o relato de um homem que acorda a bordo de uma embarcação flutuante em uma região completamente desolada, que lembra um pântano.
O protagonista sente um forte teor alienígena no ambiente e percebe a floresta ao seu redor quase como uma personificação do próprio mal, sentindo-se profundamente desconfortável ali. O barco continua avançando em direção ao local que dá título ao conto: o prado verdejante, um cenário que parece o completo oposto da desolação ao redor. Conforme ele atravessa aquela seção, o mar parece se abrir para dar caminho em direção ao prado. Quando finalmente chega lá e olha para trás, ele experimenta um misto de horror e admiração ao ouvir cânticos familiares, embora não consiga distinguir a língua utilizada.
Não tarda, porém, para que o horror volte a dominar o narrador, pois o prado verde também parece estar se movendo em direção a algum lugar, acompanhado pelo barulho colossal de ondas se formando. Ele entra em desespero ao reconhecer o motivo de estar ali e de ter ido parar naquele lugar. Ele menciona uma época passada — fazendo citação a filósofos gregos — em que costumava olhar para as estrelas e amaldiçoar os deuses por não lhe terem dado um corpo capaz de atravessar os abismos estelares. Parece, então, que ele finalmente encontrou esse meio. Contudo, antes que possa revelar ao leitor a fonte do terror que permitiu a ele e a diversos outros seres atravessarem o cosmos, o conto termina: o documento fica fragmentado e os próprios tradutores afirmam que, a partir de um determinado ponto, ele se torna completamente ilegível, deixando-nos com aquela expectativa sobre o que poderia ter sido revelado.
É muito interessante observar como este conto já trabalha diversos aspectos que veríamos em trabalhos futuros de Lovecraft, como o formato do "manuscrito encontrado" — a ideia de achar um documento que faz referência a criaturas inomináveis, acompanhado por um tradutor e estruturado em uma narrativa em moldura que envolve o conteúdo do próprio documento. É um conto fascinante. O que vocês acham dele? Deixem suas opiniões nos comentários e nos vemos no próximo vídeo.