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“Além dos Muros do Sonho” é a união perfeita entre o onírico e o horror cósmico! • LOVECRAFT

Além dos Muros do Sonho: Horror Cósmico de Lovecraft

O conto "Além dos Muros do Sonho", de H.P. Lovecraft, explora a tênue fronteira entre a realidade e o onírico, misturando elementos de horror cósmico e especulação filosófica. A narrativa é conduzida por um funcionário de um hospital psiquiátrico fascinado por sonhos e pela ideia de que eles podem representar uma realidade paralela.

E aí, pessoal do universo Antares, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal, bem-vindos de volta à nossa playlist onde analiso todos os contos de H.P. Lovecraft. No vídeo de hoje, vou analisar um conto muito interessante, porque este é um dos poucos que eu ainda não tinha lido. O título original é *Beyond the Wall of Sleep*, que poderíamos traduzir como "Além da Morada dos Sonhos", mas eu acho que o título ideal seria "Além dos Muros do Sonho". O lance desse conto é que, por muito tempo, eu confundi algumas coisas do Lovecraft: há contos em que o elemento onírico é mais um pressuposto para discutir algo filosófico, mas neste caso ele vai discutir um pouco mais da mitologia lovecraftiana. Por sinal, estou lendo nesta edição da D. Classics, mas acho que vocês conseguem achar facilmente na internet. Este conto foi escrito em 1919 e publicado em junho do mesmo ano na revista *Pine* [Nota: na verdade, *The Vagrant*].

A narrativa começa com um personagem que é funcionário de um hospital psiquiátrico especializado no confinamento de pessoas com práticas insanas, com distúrbios mentais sérios que acabam ameaçando a sociedade. Elas são trancadas e estudadas ali para tentar ajudar as pesquisas e tudo mais, em um hospital de Nova York. O personagem principal não é nomeado, mas ele sempre teve um interesse profundo por sonhos. Eu já fiz um vídeo aqui com o título de *Polaris*, em que o Lovecraft aborda muito isso: qual é o limite entre o sonho e a realidade? Às vezes, a linha entre a realidade e o sonho fica tão tênua que você não tem muito como discernir. Muitos personagens, inclusive, acreditam que o inverso é possível, que os sonhos na verdade são a realidade e a nossa realidade é um sonho — o que eu acho uma maneira bem divertida de encarar a obra, porque permite ao leitor levar muito mais a sério as maluquices do autor, que também são muito maneiras.

Basicamente, o protagonista recebe um paciente chamado Joe Slater. Ele era um montanhês, um homem rústico, e ficou maluco. A história sempre começa assim: o cara enlouqueceu porque dormia demais e, quando acordava, tinha alguns acessos de pânico e episódios de ataques em que falava sobre cidades esquecidas no tempo, coisas completamente extraordinárias e de uma magnitude que até faz com que o funcionário do hospital sinta inveja. Ele pensa: "Nossa, como é possível que esse cara consiga descrever, de maneira tão rústica, coisas tão fantásticas?".

A narrativa prossegue detalhando o passado de Slater. Ele vivia em uma cabana até que começou a gritar tanto ao longo da manhã que alguns vizinhos foram até lá para pedir que parasse, já que estavam tentando dormir, sugerindo que procurasse ajuda. Numa dessas ocasiões, o homem tem um acesso de pânico e acaba matando uma das pessoas. Em seguida, ele foge para a mata. Um grupo formado por um policial e outros fazendeiros vai atrás dele e o encontra três dias depois próximo à raiz oca de um tronco de carvalho, nu, parecendo um urso, completamente alucinado, mas inofensivo. Ele é levado para essa instituição após ser julgado, embora afirmasse não se lembrar de nada do momento do assassinato — quando viu o que tinha feito, entrou em pânico e fugiu.

O tempo vai passando. Na maior parte do tempo, Slater fica bem recluso e na dele, mas, nas recaídas, as coisas que ele fala fazem parecer que se trata de outra entidade. Chega um momento em que o personagem principal fica tão intrigado que decide usar um aparato tecnológico rudimentar, algo como um aparelho de eletromagnetismo ou um eletroencefalograma rudimentar de histórias de terror. Ele coloca o equipamento para funcionar, impulsionado também pelo fato de que o paciente estava quase morrendo — Slater tinha por volta de 40 anos, mas a loucura o consumia fisicamente, deixando-o à beira da morte. O protagonista, então, coloca o aparato na cabeça do paciente e outro em si mesmo para receber os estímulos.

Quando o episódio começa, o personagem principal transcende; ele é levado para outro ponto do universo, muito distante, onde consegue constatar várias das descrições que o louco fazia: cidades fantásticas com muros gigantescos entre montanhas igualmente fantásticas, e criaturas voadoras que possuíam uma espécie de alma, sendo meio translúcidas e capazes de voar por diversos locais. Ele percebe que estava na busca pela vingança contra alguém específico que não é nomeado. Acabamos entendendo que essas entidades têm uma relação simbiótica com os seres da Terra, pois precisam de um receptáculo físico para poder se comunicar. O protagonista consegue conversar com um desses seres, que talvez seja Joe Slater em uma versão transcendente. Eles conversam por muito tempo, compreendendo aquela realidade completamente fantástica e fantasiosa, e percebendo que existem outras criaturas ao redor que acabamos não explorando.

O protagonista acorda quando o paciente está falecendo. Ele fica abismado e, ao verificar o pulso de Joe Slater, constata que ele morreu. Mas, de repente, acontece uma espécie de *jump scare*: Slater abre os olhos de forma completamente vívida, como uma estátua viva. Percebemos que é a entidade comunicando-se através dele, reafirmando que eles precisam de um receptáculo, que ele precisa efetuar sua vingança encontrando um corpo melhor para isso, e que certamente se encontrarão de novo — basta olhar para o céu.

O conto termina com o protagonista abismado. Ele tenta falar com as outras pessoas, mas os colegas dizem apenas para ele tirar férias e receitam um calmante, julgando-o excessivamente obcecado. Ele acaba saindo de férias, sem ter muito mais o que fazer, mas olha para o céu e avista uma nova estrela. O conto menciona, então, o documento de um astrônomo que indicava o surgimento de uma nova estrela no céu em uma data específica que coincide exatamente com os acontecimentos da narrativa.

Eu acho esse conto fenomenal, muito bem escrito. Ele discute novamente a magia do terror: o terror não apenas como objeto de medo, mas também como objeto de fascínio, essa mistura que o Lovecraft gosta de fazer e que eu aprecio muito ler. É isso, espero que tenham gostado, e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!