No canto anterior da Odisseia, vimos Telêmaco viajar até Esparta em busca de notícias de seu pai e descobrir, através de Menelau, que Odisseu está preso na ilha da ninfa Calipso. Enquanto isso, em Ítaca, os pretendentes de Penélope conspiram para emboscar e matar o jovem príncipe em seu retorno, deixando a rainha aflita até ser consolada por um sonho enviado por Atena. Meu nome é Lucas Rosalém, você está no Universo Antares, e este é o resumo do quinto canto da Odisseia de Homero.
O canto cinco começa com Atena, lá no monte Olimpo, intercedendo perante Zeus para que ele se apiede de Odisseu, que ainda está preso na ilha da ninfa Calipso, e também de seu filho, que enfrenta uma emboscada em Ítaca. Zeus atende ao pedido, decide que Odisseu deve retornar para casa e determina que ele deixe a ilha em uma jangada rumo à terra dos feácios. Em seguida, envia o deus Hermes para avisar Calipso sobre a decisão dos deuses.
O texto narra a jornada de Hermes até a ilha. Quando ele finalmente chega, avista Odisseu chorando na praia, tomado de saudade de sua esposa e de sua casa. O poema traz então uma longa descrição da beleza do lugar: uma natureza exuberante com vinhas, frutos na entrada da gruta da ninfa, bosques floridos, perfume de pinho no ar e rios de água pura correndo ao redor, formando um clima muito agradável. É curioso notar que Calipso, apesar de poderosa, não habita um castelo, mas sim uma gruta grande e vistosa.
Ao ser encontrada, Calipso pergunta o que Hermes está fazendo ali e adianta que acatará qualquer que seja sua vontade. Porém, quando o deus revela a ordem do Olimpo, a ninfa fica furiosa. Ela quase se rebela e acusa os deuses de hipocrisia, lembrando que foram eles próprios que quase causaram a morte de Odisseu, enquanto ela foi a única que o acolheu e salvou. Contudo, percebendo que é impossível lutar contra a vontade olímpica, Calipso cede.
Hermes se despede, e a ninfa vai comunicar a Odisseu que ele está livre da ilha e que ela o ajudará a partir. A ajuda dos deuses, no entanto, nunca é muito simples: ela avisa que ele terá de construir a própria jangada, limitando-se a mostrar onde estão as melhores madeiras e a lhe fornecer provisões. No início, Odisseu desconfia de alguma armação, mas logo se convence de que é verdade. Detalhe curioso: antes de partir, Odisseu ainda passa uma última noite com Calipso. Afinal, embora estivesse com saudades da esposa, ele se virava com o que tinha enquanto não podia retornar.
Antes de deixá-lo ir, a ninfa adverte Odisseu sobre os muitos problemas que ele ainda enfrentará em sua jornada, lembrando inclusive que ela lhe oferecera a imortalidade caso decidisse ficar. Odisseu recusa a proposta, lança sua jangada ao mar e zarpa.
Tudo corre bem nos primeiros dias, mas há um problema: Poseidon, o principal responsável pelos infortúnios de Odisseu, não estava presente na reunião do Olimpo, pois se encontrava entre os etíopes recebendo sacrifícios. Ao retornar, o deus do mar avista Odisseu navegando para casa e deduz imediatamente que se trata de uma armação dos deuses pelas suas costas. Revoltado, Poseidon decide causar ainda mais tormentos ao herói e envia ventos violentos dos quatro cantos da terra, colidindo contra a embarcação e infundindo em Odisseu um desespero tal que ele passa a desejar ter morrido gloriosamente na Guerra de Troia.
As ondas gigantescas acabam naufragando a jangada. Porém, uma deusa marinha, Leucoteia, compadece-se dele e lhe entrega um manto mágico, instruindo-o a abandonar a embarcação e a nadar até a ilha mais próxima. Sem alternativa, Odisseu despe suas roupas, joga a jangada fora e nada. Assim que consegue pisar em terra firme, devolve o manto às águas conforme combinado.
Exausto fisicamente, ele só consegue pensar em improvisar uma cama com galhos e folhas, deitando-se para dormir na praia. Mais uma vez, conta com a ajuda de Atena, que lhe concede um sono profundo para que recupere as energias. É assim que termina o canto cinco, marcando o verdadeiro início da Odisseia, já que os quatro primeiros cantos foca-vam em Telêmaco e nos acontecimentos em Ítaca, inaugurando agora a grande jornada de retorno de Odisseu.