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“Velhos Erros” • Quando o alcoolismo é a fonte do terror! • LOVECRAFT

Velhos Erros: O Alcoolismo no Terror de H.P. Lovecraft

Neste vídeo da nossa playlist dedicada a analisar toda a obra de H.P. Lovecraft, examinamos um texto atípico na bibliografia do autor: o conto "Old Bugs", escrito em 1919 e publicado postumamente. Diferente do horror cósmico que consagrou o autor, esta obra funciona como uma sátira e um conselho moral disfarçado de ficção, escrito originalmente para um amigo que estava prestes a se casar.

E aí, pessoal do Universo Antar, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal, bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso toda a obra de H.P. Lovecraft. No vídeo de hoje, vou fazer a análise do conto "Old Bugs" ("Erros do Passado"). Este conto foi escrito em 1919, mas publicado postumamente. Não vou entrar em detalhes sobre as edições de publicação porque não faz muito sentido, mas há diversas coletâneas em que vocês podem conferir e achar esse conto facilmente. Não sei se tem tradução para o português, pois ele não é de horror cósmico.

Na época em que foi escrito, este conto surgiu como uma sátira e um pedido de casamento — não um pedido literal de casamento, mas um pedido que se faz quando um amigo querido vai se casar, uma espécie de conselho para após a cerimônia, que ele fez para o seu amigo chamado Alfred Galpin. Vocês vão entender qual é a lição de moral deste conto daqui a pouco. Basicamente, o conto foi escrito em 1919, e aqui a gente consegue observar muito da moral do Lovecraft, de como ele era idealista.

Vamos à história. O protagonista é "Old Bugs", que de fato é um mendigo alcoólatra que parece ter cometido muitos erros no passado, e o apelido dele é literalmente esse. Ele trabalha em um bar em Chicago, fazendo trabalhos miseráveis em troca de uísque, bebidas e drogas. Mas por que as pessoas e o estabelecimento o toleram? Porque, nesses momentos de embriaguez, ele faz diversas citações altamente intelectuais de obras clássicas. O vocabulário do qual ele se apropria é muito vasto, então as pessoas o toleram e sentem pena dele, principalmente quando ele tem momentos de melancolia em que remove de um pequeno envelope guardado com ele a fotografia de uma mulher chamada Bess. Não à toa, essa mulher tem o mesmo nome da pessoa que o Alfred Galpin da vida real gostava.

Tudo muda quando Alfred Trevor — que é, novamente, uma referência a esse amigo de Lovecraft — entra no bar e quer experimentar o uísque pela primeira vez. Enquanto o bartender, Tom, está servindo a bebida, Trevor começa a explicar o motivo de estar fazendo aquilo: sua família é aristocrática e bem conservadora, e sua mãe, que é poetisa, sofreu uma desilusão amorosa na juventude porque o rapaz que ela amava entrou no mundo das bebidas. Por causa disso, ela se separou dele e depois veio a se casar com o pai de Trevor. Assim, ela repudiava a bebida em qualquer ocasião e não permitia que o filho a experimentasse. Isso criou nele uma forte repulsa, mas ao mesmo tempo uma vontade inerente de provar a bebida, principalmente quando lia textos antigos que falavam sobre como o uísque era usado pela aristocracia como forma de celebração e algo refinado. Ele sempre ficava com essa vontade, mas, como a aristocracia atual repudiava tal comportamento, era quase como um ato criminoso, exigindo que ele adotasse uma pose para poder beber.

É exatamente nesse momento que surge o "Old Bugs". Ele joga a garrafa e o uísque longe. Tanto o cliente quanto o bartender Tom ficam pasmos, sem entender quem ele é ou por que está fazendo aquilo. Old Bugs diz: "Por favor, não beba, porque este foi exatamente o caminho que eu trilhei. Olha como eu estou agora". Trevor não entende de início e fica receoso. Tom começa a repreender o mendigo, ameaçando jogá-lo na rua, e Old Bugs tem um acesso de cólera que deixa Trevor apavorado. Os outros clientes também ficam abismados quando, após uma citação clássica em latim — referente a César —, o velho desfalece ali mesmo.

Os policiais chegam, pois não sabiam o que estava acontecendo, e ao averiguarem o corpo encontram a fotografia e a passam para as pessoas no estabelecimento. Algumas tiram sarro, mas a maior parte sente admiração pela figura trágica que observam. O próprio Trevor, ao olhar para a fotografia, fica abismado. Ele volta para casa e decide nunca mais encostar os lábios em um copo de uísque, pois a mulher na foto é Bess, que ele reconhece ser muito parecida com uma fotografia que tem em casa — revelando-se ser a própria mãe dele.

O conto termina com essa lição de moral. É muito interessante ver os ideais de Lovecraft colocados aqui, mostrando como ele repudiava a bebida — e, por conseguinte, o personagem também a rejeita — como uma força capaz de destruir o potencial das pessoas. Eu acho um conto muito válido e interessante. É diferente, sim, mas esse é o lado bom de explorar toda a obra de um autor, pois podemos observar os diversos gêneros e estilos com que ele trabalhava. Lovecraft tinha dessas surpresas também. Espero que tenham gostado e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!