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“Cinzas” – Crematório lovecraftiano?

Cinzas: Análise do Conto Lovecraftiano com C. M. Eddy Jr.

No universo das narrativas de terror e mistério de H.P. Lovecraft, colaborações literárias com outros autores oferecem um vislumbre fascinante de como o estilo do mestre de Providence se mesclava com as sensibilidades pulp da época. O conto "Cinzas", escrito em parceria com C. M. Eddy Jr., é um exemplo claro dessa dinâmica, misturando elementos de horror cósmico e suspense dramático.

E aí, pessoal do Universo Antares, bem-vindos de volta ao canal e à nossa playlist onde analiso todas as histórias que H.P. Lovecraft escreveu. No vídeo de hoje, vamos analisar um conto muito interessante que ele escreveu em colaboração com o escritor C. M. Eddy Jr. O Lovecraft escrevia poucas histórias em colaboração porque o círculo de amigos que ele considerava ter gostos muito parecidos com os seus era muito estreito. Mas este é um conto interessante justamente porque mostra o Lovecraft escrevendo com outros autores, algo que ele fez em outras ocasiões, e revela a influência mútua entre eles.

Neste caso, o conto da vez tem o título de "Cinzas". Foi escrito em 1923 e publicado pela primeira vez na edição de março de 1924 da revista *Weird Tales*. Sobre onde eu o li: a edição que eu tinha da DFC Classics não o trazia, e eu não achei nenhuma outra edição impressa por conta de direitos autorais. Apesar de os trabalhos de Lovecraft estarem em domínio público, as obras que ele fez em colaboração com alguns autores, como este, não estão, então não é tão fácil encontrá-las fisicamente. Porém, se vocês visitarem o *Lovecraft Archive* (www.hplovecraftarchive.com), vão conseguir encontrar esse texto, que é bem interessante.

Mas vamos lá: qual é a história do conto? Aqui, acompanhamos um personagem que acaba de entrar na casa de um amigo, completamente aturdido, dizendo: "Meu Deus, o que aconteceu, cara? Eu não sei nem se devo te contar". O amigo responde que pode falar, perguntando o que foi. Basicamente, esse rapaz, Bruce, decidiu começar a trabalhar no laboratório de um senhor chamado Van Allister, servindo como assistente na casa dele ao longo de diversas semanas para ganhar um dinheiro. Lá, ele trabalhava junto com uma secretária, Margery. Enquanto o professor falava que estava fazendo uma pesquisa e que, se tudo desse certo, seria lembrado pelo resto da vida por seus feitos, Bruce e Margery acabam se aproximando e começam a namorar.

Não demora muito para que o professor Van Allister diga que conseguiu terminar sua pesquisa. Ele convida o casal para ir até lá e mostra o resultado: uma solução líquida que faz com que criaturas vivas — na verdade, qualquer tipo de substância que não seja o vidro — sejam corroídas até se transformarem em cinzas. Ele pega um rato, ou um coelho se não me engano, coloca a substância, e o bicho simplesmente some, quase como o efeito de uma arma nuclear. O professor diz: "Imagina a capacidade disso se utilizada por exércitos!". Tanto Bruce quanto Margery ficam apavorados.

Eles continuam com suas vidas, até que Bruce pede Margery em casamento e ela aceita. Porém, quando ele está voltando para a mansão do professor em uma ocasião específica, ele não a encontra. Ao entrar na sala, vê o chapéu dela deixado de canto em uma cadeira, como se ela o tivesse acabado de largar ali, e, bem no meio do cômodo, há um caixão de vidro com um monte de cinzas dentro. O rapaz fica furioso, parte para o ataque e usa o próprio feitiço contra o feiticeiro, pegando a solução e jogando no velho.

Depois, ele sai dali desesperado e chega à casa de seu amigo, dizendo: "Meu Deus, mano, ela morreu! O amor da minha vida morreu!". O amigo pergunta se ele tem certeza, se explorou a casa toda, e sugere que ela pode estar viva. Os dois voltam para lá e, em um compartimento específico, abrindo uma portinha numa antessala, Bruce vê que ela está presa em uma espécie de jaula ou baú. Ela cai nos braços dele, e o conto termina com ela revelando que o professor a havia sequestrado para usá-la como testemunha da suposta morte de Bruce.

É um dos poucos contos que termina com um "final feliz", por assim dizer. É uma história interessante e divertida, que não tem nada demais; parece um episódio de novela de terror, bem típico da *Weird Tales* e da literatura pulp. Acho divertido, e espero que os outros contos que o autor fez com Lovecraft em parceria com C. M. Eddy Jr. também sejam legais. De qualquer forma, vejo vocês no próximo vídeo. Até lá!