O progresso do diletantismo em direção a uma condição civilizada é hesitante e tortuoso. Logo que avançamos um passo, algum obstáculo na forma de uma mediocridade endeusada ou de uma reação estética e filosófica surge para bloquear o caminho; de modo que metade da nossa energia é gasta varrendo falsas ideias, em vez de acumularmos nosso estoque de ideias genuínas. Assim é na maioria dos setores da vida, portanto não há por que exigir ressentimento especial entre nós — mas não deixa de ser provocativo.
O ano oficial passado testemunhou uma revivificação deprimente de noções obsoletas e um desfile de teorias da arte carcomidas, exemplarmente demonstrados pelas críticas anti-Loveman de dezembro passado. Fomos então informados, à boa maneira vitoriana mediana, de que os temas clássicos estão obsoletos, de que Poe é repreensivelmente “mórbido”, de que o paganismo swinburniano é por demais “blasfemo” para o uso adequado em um país cristão decoroso, de que o verso não deve estar acima dos interesses e da compreensão da multidão “folclórica”, de que os poetas devem protestar contra os males da era — e muito mais do mesmo. Isso precipitou uma controvérsia ainda em seu auge, e agora desponta uma nova efusão de recato e propriedade cor-de-rosa pálido na forma de *Pauke’s Quill*, editado e publicado pelos diversos avatares, nativos e afins, daquele espirituoso adolescente Paul Livingston Keil, Esq.
Longe de mim, o signatário, desencorajar o jovem Sr. Keil. De fato, é nossa sincera opinião que sua personalidade vigorosa será, em última análise, de imenso benefício para revivificar o Jornalismo Amador. Mas certas qualidades de sua oferta atual nos movem a protestar, em nome do pensamento racional e do progresso artístico, contra uma onda renovada de reação impensada e puritanismo emocional que só pode prejudicar o avanço da cultura amadora.
O clamor do Sr. Keil por censura literária é algo particularmente perigoso porque desperta nossa simpatia antes que compreendamos plenamente todas as suas implicações. Poucos de nós, mesmo nesta época, têm qualquer inclinação acentuada pela pornografia pública; de modo que geralmente daríamos as boas-vindas a qualquer agência calculada para banir ofensas ao bom gosto. Mas quando refletimos sobre o problema da aplicação, e percebemos quão absurdamente qualquer censura nos coloca nas mãos de oficiais dogmáticos e arbitrários, com ilusões puritanas e nenhum conhecimento verdadeiro da vida ou dos valores literários, temos de reconhecer que a liberdade absoluta é o mal menor. A literatura de hoje, com seu esforço consciencioso em direção à sinceridade, deve conter necessariamente grandes porções de matéria repugnante àqueles que sustentam a visão hipócrita do mundo do século XIX. Ela não precisa ser apresentada de modo vulgar, mas não pode ser excluída se a arte pretende expressar a vida. Que os censores de fato procurem remover essa matéria legítima e essencial, e que, se tivessem maior poder, causariam danos ainda maiores, fica claramente demonstrado pela ação inútil contra *Jurgen*, e pela proibição atual de *Ulysse*s, ambas contribuições significativas para a arte contemporânea. E, ironicamente, esta mesma censura tolera placidamente, através de tecnicismos legais, esgotos infinitos cheios de uma verborreia francamente e frivolamente desagradável, sem o menor vestígio de significado estético ou intelectual.
Mas a principal contribuição do Sr. Keil para o obscurantismo é encontrada sob o título “Opinião versus Fato”, onde ele se esforça assiduamente para provar que o mérito da obra de um autor depende absolutamente das opiniões filosóficas que ele por acaso sustente. Segundo nosso editor-sábio, a beleza não é beleza se criada por um cavalheiro que não pertence à nossa igreja ou não aposta em nosso cavalo de corrida favorito. Não importa quão magistral seja o traço de uma pintura, ela não deve pendurar-se em nossa parede a menos que o pintor seja endossado pelo Ku Klux Klan, pela Associação Cristã de Moços e pela Liga Epworth. Isto é bastante divertido, mesmo que não seja muito mais luminoso do que a obra-prima de metáfora sem sentido do Sr. Keil — o quarto de tinta preta como uma cena noturna de taverna. Será possível que as pessoas já acreditaram nesse tipo de coisa? É bem provável, pois tudo era possível nos tempos vitorianos. Houve um período tenebroso, se nossos avós dizem a verdade, em que Shelley foi banido da estante da melhor sala porque seus princípios sociais e religiosos “não eram inteiramente corretos”.
Mas estamos em 1923 — uma era adulta — e mal podemos nos dar ao luxo de perder tempo com quimeras que pereceram junto com os grupos Rogers e o tecido de crina de cavalo. Consequentemente, não é encorajador ver esses reaparecimentos periódicos. O tiro final de zarabatana do Sr. Keil contra a filosofia é uma distinção improvisada entre “fato” e “opinião” que nos faz indagar qual sabedoria supraterrena decidiu por ele uma questão que ainda desconcerte os eminentes da terra. Certamente gostaríamos de descobrir aquele corpo sólido e irrefutável de fatos, cujas opiniões contrárias sejam absoluta e irremediavelmente destituídas de valor. De alguma forma, porém, tememos que uma viagem de descoberta nos leve apenas mais uma vez de encontro à secular interrogação, e dissolva as certezas pueris do Sr. Keil de uma maneira já tornada de domínio público pela *Genealogia da Moral* do Sr. Nietzsche.
*Pauke’s Quill* é uma chegada bem-vinda — não a subestimemos — mas é uma pena que sua influência efervescente seja emprestada ao lado da obstrução e da reação. Ela sem dúvida amadurecerá à medida que o próprio Sr. Keil amadurecer, e algum dia esperamos elogiá-la por seu apoio viril àquela civilização mais sã que ela agora combate com ardor tão vivo.