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Ars Gratia Artis (Ensaio #32)

Ars Gratia Artis

Entre as lições que O Conservador aprendeu desde a sua chegada aos Estados Unidos, está a tolice de julgar um artista por sua temática e espírito. Manter a todo o momento a devida distinção entre a arte e o campo da filosofia e da ética é uma proeza a ser adquirida apenas gradualmente, mas que assinala aquele que a possui como tendo ultrapassado um marco definitivo na estrada rumo a uma atitude verdadeiramente civilizada. Não é a mente burguesa apática que pode endossar sinceramente o dito de Oscar Wilde de que “Nenhum artista é jamais mórbido. O artista pode expressar tudo.”

Que muitos de nossos membros tenham até agora falhado em alcançar este importante marco é demonstrado infelizmente por uma multiplicidade de moralismos estúpidos por parte de críticos amadores; moralismos quase tão estúpidos quanto os do próprio O Conservador em outros tempos. Às vezes, eles alcançam alturas de absurdidade que quase os resgatam como peças de burlesco involuntário, como quando um certo cavalheiro repreendeu o Sr. Samuel Loveman por sua poesia sombria. Outras vezes, quando seu propósito é menos brilhante, eles mesmos são meramente enfadonhos; como quando um reformador bem-intencionado censura O Conservador por certas histórias insólitas, que foram declaradas como “poluindo as páginas em que aparecem”. Mas sempre se mostram desalentadoras pela imaturidade mental que implicam, e sinistras em sua revelação da estreiteza natural da humanidade.

Até que o progresso da civilização se torne impossivelmente completo, jamais deixaremos de nos entediar com condenações beócias da arte sincera como “sombria”, “mórbida” ou “doentia”, conforme o caso. Tais epítetos continuarão a ser lançados com zelo e cegueira enquanto críticos soporíferos insistirem em julgar a arte como algo feito sob medida, segundo um molde falso e convencional para a elevação moral e o divertimento da plebe, em vez de algo puramente de natureza representativa e de autoexpressão. Oxalá o mestre adequado pudesse inculcar na mente desses críticos algumas frases de Wilde a respeito da “sanidade”:

“Do ponto de vista do estilo, uma obra de arte sã é aquela cujo estilo reconhece a beleza do material que emprega, seja esse material feito de palavras ou de bronze, de cor ou de marfim; e usa essa beleza como um fator na produção do efeito estético. Do ponto de vista do tema, uma obra de arte sã é aquela cuja escolha do tema é condicionada pelo temperamento do artista, e surge diretamente dele… Uma obra de arte doentia, por outro lado, é uma obra cujo estilo é óbvio, antiquado e vulgar; e cujo tema é deliberadamente escolhido não porque o artista sinta qualquer prazer nele, mas porque pensa que o público lhe pagará por isso.”