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On Receiving a Portraiture of Mrs. Berkeley, ye Poetess (Poesia #197)

On Receiving a Portraiture of Mrs. Berkeley, ye Poetess

Como Febo em antigo aposento fechado
Brota dourado, e dissipa a penumbra a espreita,
Espanta toda sombra para sua toca grotesca,
E com raios brilhantes aviva a juventude esquecida;
Assim, em meio às sombras seculares do refúgio do Tempo,
Vede a radiante BERKELEY erguer-se em simulacro!
Uma vintena de fantasmas, vagamente sonhando pela noite,
Sobressaltam-se repentinamente com a luz inusitada;
De molduras poeirentas os poetas de peruca branca encaram
Em bizarra confusão enquanto saúdam a bela.
Eis que Goldsmith boceja, em dúvida a meia-luz ao contemplar,
Se vê uma deusa ou uma Musa;
Waller ali perto, lança um olhar de inveja,
Ao ver sua Sacaris assim eclipsada,
Enquanto Pope inquirir se neste espetáculo reluz
De fato um poeta, ou o tema de um poeta!
Mas eis que outro bardo com insistência chama;
A abençoada comitiva de Hélade, cada qual de seu pedestal;
Vede Vênus e Minerva disputarem com rancor
Para ter a nova chegada instalada bem perto.
Graças e Musas em cantos contendores
Avançam os méritos de suas fileiras rivais,
Até que Jove as repreende com um juramento trovejante
Por reclamarem aquela que é aliada a ambas!
Fala agora aquele líder que com luz divina
Sobre todo o panteão em esplendor pode brilhar;
O deus Délio, criado para a arte e a beleza,
Que ostenta o louro em sua cabeça dourada:
“Cessai, ninfas fúteis, de protestar como iguais
A uma cujos dons tanto superam o vosso melhor;
Apesar de a forma exterior da bela de fato situá-la
Entre as fileiras da raça amável de Vênus,
Aquela cabeça formidável encerra uma tal arte
Que a própria Palas deve confessar estirpes inferiores.
Se um belo objeto é coisa a ser consagrada
Em templos de mármore, e adorada como divina,
Como havemos de julgar a mente cujo poder mágico
Cria novos mundos de beleza a cada hora?
Tão bela quanto Vênus, mas tão sábia quanto Atena,
Novas honras aguardam uma BERKELEY nos céus;
Abençoada com vastas belezas que são só suas,
Ela nos reclama um novo e exaltado trono.
Que ninguém dispute seu lugar, mas que ela brilhe
Imparcial sobre as Graças e as Nove!”
Ele emudeceu, e todo o séquito celestial obedeceu,
Enquanto a nova divindade dissipava a penumbra.
Os graves velhos bardos pendurados ao redor do escritório
Ajustam as perucas e esforçam-se para parecer jovens.
Autor e deus igualmente aclamam seu poder,
E faunos esculpidos aprovam o espetáculo agradável:
Assim, toda a multidão abençoa a nova maravilha —
Ao mesmo tempo um poema e uma poetisa!