Neste vídeo da série de análises da obra de H.P. Lovecraft, exploramos os primeiros passos literários do autor através daquela considerada sua primeira história escrita. O resultado é uma análise bem-humorada de um texto infantojuvenil curioso, mas essencialmente ruim.
E aí, pessoal do universo Antares, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal. No vídeo de hoje, vamos voltar com a nossa playlist onde eu analiso todos os contos do H.P. Lovecraft, só que teremos uma pequena mudança de planos. Eu me baseio e uso um site chamado HP Lovecraft Archive, que basicamente lista todos os trabalhos dele. Quando eu comecei essa playlist, meu objetivo era falar sobre todos os contos do H.P. Lovecraft, incluindo também as novelas e romances, até porque são poucos, mas são muito importantes. Contudo, o Lovecraft tem alguns trabalhos que foram publicados póstumamente, especificamente alguns dos seus primeiros trabalhos, e a maior parte deles é horrível. Eu pensei: "Cara, eu vou ler isso aqui porque primeiro eu preciso, eu gosto e preciso também". Resolvi fazer essa proposta comigo mesmo — e acho que vou acabar trazendo essa dinâmica com vocês —, que é a seguinte: decidi fazer a leitura desse trabalho e, se eu encontrasse um bom, faria o de todos, até mesmo dos ruins ou daqueles mais experimentais que o Lovecraft não terminou ou algo do tipo. E nada melhor do que começar pelo primeiro trabalho do H.P. Lovecraft, o do Lovecraftzinho, né?
Estou lendo nessa edição da Delphi Classics, que tem todo o trabalho de ficção dele compilado. O primeiro trabalho dele, na verdade, a primeira menção é "O Nobre Fofoqueiro", eu acho, de 1897. Mas desse a gente tem material escaneado; se vocês acessarem o site da Brown University, vocês vão conseguir ver. É um trabalho realmente com cara de coisa de criança, é horroroso assim. Não se preocupem, vocês não precisam ler, este vídeo está aqui justamente para isso. O bom de eu falar sobre ele é para dizer: "Não leia, porque é muito ruim".
Mas qual que é a história de *The Little Glass Bottle* (A Garrafinha de Vidro)? É engraçado porque a primeira história do Lovecraft é justamente uma narrativa marítima, uma aventura marítima — e, para quem não conhece, as maiores criaturas do seu terror são justamente do mar. Acompanhamos a história de William Jones, um marinheiro que está trabalhando e quer montar a própria companhia, a própria frota e tudo mais. Um dia ele consegue montar o barco e acha uma garrafinha daquelas de rum, sabe? Flutuando no mar. Ele pega a garrafa, abre e encontra uma mensagem: "Eu tenho a localização de um grande tesouro enterrado numa ilha". Basicamente a história prossegue com ele indo em direção à ilha, achando que vai ficar rico, e desenterrando o baú do tesouro. Dentro do baú não tem nada, só há uma mensagem dizendo: "Enganei você, trouxa". E a narrativa termina. É isso, é bem ruim.
Mas eu acho engraçado como a gente consegue ver a evolução tão rápida. É muito interessante observar que há coisas que parecem predestinadas. Você vê essa história aqui e depois vê uma história como *Dagon*, e o nível é um absurdo. Eu comecei na literatura tarde; comecei a ler com 12 ou 13 anos, mas fui ter o hábito de leitura de verdade com 14, e a escrever um pouquinho mais tarde, com 16 ou 17 anos. É interessante ver como ele começou tão cedo, e eu fico me perguntando sobre os meus primeiros trabalhos, mas infelizmente não os tenho documentados, acho que perdi em algum lugar. E aí, vocês têm algum trabalho escondido? Gostaram dessa narrativa? Se eu não me engano, esta é a primeira que o Lovecraft fez, se você pegar a ordem cronológica, e foi publicada postumamente, a partir da década de 1940. Vocês conseguem achar facilmente esse conto na internet. Mas eu vou ficando por aqui, espero que tenham gostado e nos vemos no próximo vídeo. Até mais!