“. . . et in terram guttae cecidere calentes,
Vernat humus, floresque et mollia pabula surgunt.”
—Ovid. Metam. vii, 283-4
Quão tranquilos estendem-se estes prados declives
Que brilham enquanto a tarde doura o poente,
E verdejantes, dos juncos do rio,
Ascendem para unir-se ao cume coroado de faias!
Aquele vale arborizado, onde riachos repletos de lírios
Deslizam para ravinas sombrias e desconhecidas,
Parece adormecer com os sonhos persistentes
De eras mais felizes do que a nossa.
Pois aqui a brisa com tom suavizado
Saúda um cenário de graça imutável,
E primavera após primavera retorna
Como a um lugar amado e lembrado.
Estes carvalhos e olmos parecem ainda ecoar
As flautas que antigos pastores tocavam,
Enquanto descansavam nesta mesma colina
E contemplavam gratos a sombra vizinha.
Notas que podiam agradar ao bando das náiades,
E encantar as dríades da floresta,
Soam baixinho mais uma vez pela terra
Quando o crepúsculo se avizinha na solidão.
Os muros sinuosos, que as videiras envolvem,
Os telhados musgosos além do lago,
Brilham ancestrais, enquanto o ouro do poente
Evoca cada ano há muito partido.
Aqui o peso incômodo da idade
Renuncia por um momento à sua força mais amarga,
Pois feitiços silvestres invertem a página,
E revelam as linhas anteriores há muito ocultas.
Em torrentes áureas sobre bosque e campo
Os éons verdejantes cantam para além da vista,
Até que o tempo e a morte, dissolvendo-se, cedam
Uma eternidade de luz num sopro!