No conto "Hypnos", H. P. Lovecraft explora os limites entre o sonho e a loucura através da obsessão de dois artistas por mundos além da realidade conhecida. A análise a seguir detalha os aspectos fundamentais dessa narrativa sombria e fascinante escrita pelo mestre do horror cósmico.
E aí, pessoal do Universo Antaris, bem-vindos de volta a mais um vídeo aqui no canal, bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todos os contos e todas as histórias que H. P. Lovecraft escreveu. No vídeo de hoje, vamos analisar um conto muito interessante com o título de "Hypnos". Este conto foi escrito em 1922 e publicado em maio na revista *The National Amateur*. Deixa eu só confirmar para ver se é verdade… isso mesmo, *National Amateur*, edição número cinco.
Bom, qual que é a história desse conto aqui? A gente tem um dos poucos contos que o Lovecraft escreveu que se passa na Inglaterra, em Kent, nos arredores de Londres. O personagem principal, como é comum em muitas histórias do Lovecraft, não é nomeado. Ele é um artista, um escultor, que encontra na rua um homem muito belo; ele parece até uma criatura mitológica, um Fauno. Ele o encontra desacordado no meio de uma multidão e leva esse homem para casa, porque sente naquele mesmo momento que o olhar entre eles — juro que não é um romance — compartilha de uma filosofia artística e de contemplação.
Ele leva esse cara para casa e, juntos, eles navegam através dos mundos dos sonhos, locais completamente fora da nossa realidade. Esses dois personagens têm uma projeção quase espiritual, navegando por diferentes eras, estrelas e constelações, até que, claro, eles encontram o que não deveriam ter encontrado. A verdade é revelada ao amigo dele, que depois aconselha o narrador: "Não podemos mais dormir, tem alguma coisa no céu nos perseguindo". Dependendo da estação do ano, ele olhava para uma constelação específica como se houvesse algo vindo atrás deles, e dizia que eles tinham que ficar acordados o máximo de tempo possível. Para isso, usavam drogas — provavelmente cocaína ou algo assim — para se manterem acordados, porque toda vez que adormeciam, esses pesadelos estranhamente reais os assolavam.
Até que chega o momento da narrativa em que eles ficam sem dinheiro, e o amigo cai de exaustão num sono profundo. Vendo as expressões de terror no rosto do amigo enquanto ele dorme, o personagem principal fica completamente aterrorizado. Ele fica ainda mais assustado quando, da janela, surge uma luz vermelha que se apossa do amigo, quase como se a projeção dele no sonho tivesse vindo buscá-lo de uma forma horrenda. O narrador então cai num sono profundo; ele abre os olhos e vê no reflexo do próprio olhar como se tivesse atravessado aqueles mundos pitorescos, caindo em seguida em um sono do qual nunca mais retorna da mesma forma, enquanto o personagem principal entra em convulsão.
Os moradores ouvem a algazarra da convulsão, arrombam a porta e ele começa a contar a história do amigo. O pessoal responde: "Gente, não, você nunca teve nenhum amigo", e ele fica completamente aturdido com essa realidade. Quando voltam para casa — ou melhor, quando ele volta para casa —, os moradores dizem: "Pelo menos você tem essa escultura de mármore aí". Ele vai até a peça de mármore e vê que aquela fisionomia é justamente a do amigo.
Será que o que ele viveu foi realidade? Será que aquelas entidades foram atrás deles — porque o amigo tinha a ambição de dominar as estrelas e o próprio tempo — possuem o poder de reverter o tempo ou de controlar a mente das pessoas? Nunca saberemos. O conto termina com ele envelhecendo; cada vez que vai dormir, sente que fica mais velho e raquítico. Termina dessa maneira, com ele todo ferrado, como a gente sempre gosta nos personagens do Lovecraft. Mas enfim, eu vou ficando por aqui e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!