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George MacDonald, o pai da FANTASIA, e suas ALEGORIAS

George MacDonald, o pai da FANTASIA, e suas ALEGORIAS

George MacDonald é apresentado como o precursor da literatura fantástica, cuja obra influenciou autores como J.R.R. Tolkien, C.S. Lewis e G.K. Chesterton. O vídeo explora essa influência, discute as críticas que Tolkien fez a MacDonald e analisa a visão do autor sobre a alegoria nas histórias.

Para quem não conhece, George MacDonald foi o autor que escreveu fantasia muito antes de Tolkien e C.S. Lewis. Quando eram crianças, Tolkien e Lewis liam MacDonald; assim, ele foi a referência da fantasia antes de Tolkien. Uma curiosidade: Tolkien foi convidado a escrever o prefácio de uma nova edição de *The Fantastic*, o livro mais famoso de MacDonald, e aceitou. Contudo, ao ler a obra, fez uma leitura crítica ao nível da sua época e escreveu uma crítica bastante severa, considerando o livro “uma bagunça”. Essa postura de Tolkien acabou sendo lembrada por quem recomenda MacDonald, pois o autor costuma interromper a leitura quando encontra algo que o irrita profundamente.

C.S. Lewis, por sua vez, publicou uma coleção de livros com capas muito bonitas – um azul ciano meio esverdeado, com ilustrações em preto e branco que lembram ônibus ingleses. Nessa série, Lewis escreveu um livro sobre George MacDonald que não trata de literatura ou fantasia, mas sim de teologia, já que MacDonald era pastor calvinista. Foi um amigo da igreja, o presbítero da congregação, quem sugeriu que eu lesse esse texto teológico; ainda não o li, mas pretendo imprimi‑lo para estudar. Lewis também utilizou diversos devocionais de MacDonald em sua própria obra, embora eu não saiba exatamente em que livro isso aparece.

Chesterton também menciona MacDonald em seus escritos, reforçando a importância do autor para várias gerações de escritores de fantasia. Antes de Tolkien, a fantasia era vista como “infantil”, associada a contos de fadas como os de Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson) e a histórias de violência extrema, como batalhas sangrentas ou atos brutais. Tolkien, ao criar *O Hobbit*, trouxe o mundo das fadas para um cenário mais sombrio, misturando a delicadeza dos seres fofinhos com a ameaça do inferno, numa espécie de “versão adulta” da fantasia.

Eu já li duas obras de MacDonald: *A Princesa e o Goblin* e *A Chave Dourada*. Quando releio *A Chave Dourada*, percebo que o texto é pequeno e, ao tentar adaptá‑lo para um jogo, o resultado ficou fraco. Essa sensação de frustração reflete o que mais me incomoda nas histórias alegóricas: sinto que o autor escreve apenas como desculpa para tratar de outros temas, sem que a narrativa realmente aborde o que está acontecendo. Tolkien também detestava quando suas obras eram rotuladas como alegorias; ele preferia que fossem apreciadas pelo seu próprio mérito.

George MacDonald, como pastor, escrevia histórias para cristãos, mas não com a intenção de evangelizar diretamente. Seu objetivo era criar narrativas que refletissem sua fé, sem usar a literatura como catecismo explícito. Essa postura diferencia MacDonald de autores que buscam transmitir doutrinas de forma mais direta, mostrando que sua fantasia nasce de uma perspectiva cristã, porém voltada à arte da história em si.