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To Mr. Galpin (Poesia #204)

To Mr. Galpin

Em seu 20º aniversário, 8 de novembro de 1921

Ao redor da tua porta esta noite flutua
O som semiouvir de um canto distante,
Como se para ti, em notas de eras cuja,
Entoasse algum coro errante.

No teu parapeito julgo ver rastejar
O louro e o mirto que ali se entrelaçam,
Em harmonia com o canto a embalar
As horas de teu sono que as brumas abraçam.

A brisa de outono desiste do seu frio,
E por um instante carrega o aroma
De arvoredos niseus, de um denso brio,
Onde a videira frígia em cachos tomba.

E lá dos reinos acima de tua fronte,
Onde em sonhos talvez vagando estás,
O éter treme ante o leve monte
De virgens aéreas, coroadas de louros reais.

Pela estrada nebulosa dos raios da lua
As ninfas celestes em dança avançam,
Cada qual sob a carga áurea que flutua
De dons para o dia em que te alcançam.

Pela vigésima vez esse coro desponta;
Pela vigésima vez a brisa é suave;
E os deuses que contam tua idade e a conta
Depositam dons novos aos teus pés, em chave.

Aqueles que outrora, com régio desvelo,
Espalharam beleza do trono de Olimpo,
Unem-se para ornar teu semblante belo
Com diademas dignos de seu próprio olimpo.

Tingem teus lábios rubros com o vinho
E o mel das colmeias do monte Himeto;
E em ti sopram um puro carinho
Para legar a glória de seu tempo reto.

Cingem tua testa de marfim com luz,
E em teus olhos de jacinto vêm plantar
A visão luminosa que a todos conduz
Do poeta, do sábio e do hierofante a brilhar.

Ensinam de novo tua voz de ouro
A espalhar a sagrada fama de Atena,
E dotam tua mão jovem com o tesouro
De escrever em palavras de chama serena.

Sussurram teu nome com terna harmonia,
Ordenando que o tornes duplamente maior;
E enquanto coroam teu sono e tua via,
Invocam da Sorte o favor melhor.

Assim, ao despertares, gentil mancebo,
Sua vontade em teu peito hei de ver;
Não manches nunca teu dom no revérbo
Do capricho fugaz ou do ávido ser.

Mantém com bondade a graça do coração;
Fenta a chama límpida com a virtude;
E ouse tua mente, sem vacilação,
Sondar da Natureza a eterna atitude.

Parente de Endimião e filho de Febo;
Abençoado com dons que poucos hão de ter;
Que a tua vida prospere no eterno ebrio,
Com o aroma da arte e o saber a resplandecer!