Sistemas Mágicos em Anthares

Em Anthares, a magia verdadeira consiste no uso do Idioma Criacional para alterar temporariamente a realidade, como explicado no post A Magia em Anthares. Mas há mais maneiras de obter poder e causar alteração no plano físico, e este post é sobre isso.

Observação: neste post não trataremos sobre o “bug” que acontecia na transubstanciação do Portal, como no caso da saiga e do hipopótamo. Clique para saber mais.

Imagine uma sala com quatro pessoas: um usuário do Idioma Criacional, um voodoo, um hebreu fiel e um satanista.

À frente de cada um deles há uma mesa do mesmo tamanho, cada uma delas com um copo vazio em cima. Para demonstrar suas habilidades, cada um deles, à sua maneira, move o copo deslizando-o sobre a mesa. O efeito visual do que os quatro fizeram é exatamente o mesmo: o copo deslizou. Porém, em cada um dos quatro casos o feito aconteceu por motivos diferentes. O primeiro moveu o copo inserindo um comando no tecido da realidade. O segundo, por um tipo de gambiarra que, unida à sua convicção, comunicou também um código que foi respondido. O terceiro, porém, foi por meio da fé pura: ele orou a Nuhat, que foi misericordioso e o atendeu. O quarto, por sua vez, como tinha um pacto com um demônio qualquer, exigiu seu auxílio e o demônio moveu o copo com a mão. Mas como ninguém o está vendo, o efeito nos quatro casos foi o mesmo: um copo se movendo.

Uma ressalva. Em Anthares, não haverá “supercrentes”, como no imaginário neopentecostal. O caso acima foi apenas usado como exemplo do que poderia acontecer e, de fato, aconteceu em algumas situações nas histórias bíblicas.

A questão toda é que existe até mesmo como uma pessoa fazer magia inserindo códigos no sistema por meio de um demônio que o fará em seu lugar. E há muito mais. Num vídeo sobre Magia Negra & Wicca, eu desenvolvi melhor o assunto, que transcrevo abaixo. Você pode ler aqui ou clicar e assistir ao vídeo, é o mesmo conteúdo.

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MAGIA NEGRA & WICCA

Em Anthares, a magia tem uma relação com a ética e com a estética, que são os outros dois absolutos além da linguagem nesse universo.

A linguagem é a base da magia porque a realidade foi estabelecida para funcionar de uma certa forma seguindo certos comandos universais. E quando nós damos comandos usando essa mesma linguagem, a natureza responde.

Dentre as leis implantadas na natureza, está a ética, que se aplica não apenas à humanidade, mas a toda a realidade. Isso não significa que um cachorro entenda isso ou que uma planta crescer seja ético. A questão que se apresenta a nós é que, já que estamos usando como mitologia em Anthares a Bíblia, precisamos ver o que ela diz a esse respeito. E ela diz que quando o pecado entrou no mundo, todo o universo foi afetado, de forma que até hoje o mundo inteiro ainda clama pela restauração de todas as coisas (Romanos 8:21-22).

O funcionamento das coisas acabou mudando por causa do mal. A estética também foi arruinada, se não propriamente na forma como as coisas são, pelo menos na noção que as pessoas têm de beleza. Mas a nossa questão aqui é a ética, propriamente. Como nós relacionamos a ética na magia?

A natureza não tem capacidade de fazer julgamentos morais. Se você fizer uma boa ação do lado de uma planta, ela não ficará mais feliz, nem reagirá de acordo. Ela não responderá por causa de questões éticas. Então, precisamos ir por outro caminho. Para chegar onde queremos, vamos precisar tratar de outras questões antes, a começar pela relação dos sistemas mágicos com a religiosidade.

A RELIGIOSIDADE E A MAGIA

No cenário Pós-Babel, tudo o que se fazia facilmente por meio da linguagem do universo, perde-se. Contudo, a demanda por essas coisas não acaba, obviamente. Como o que se tem, apenas, é a memória de como as coisas funcionava, e ainda, a figura dos Acsï, que também ensinou muita coisa à humanidade, o que temos de imediato em Anthares, nesse período, pode ser compreendido nesta citação de Bruce Waltke, em seu livro “Teologia do Antigo Testamento”, p.196:

Depois do êxodo, o povo de Israel viaja pelo deserto. Deixa o Egito, lugar saturado de mitologia pagã, e se dirige a Canaã, outro lugar saturado de mitologia pagã. Os mitos pagãos da época envolviam, em grande parte, ritos e rituais que serviam de reencenações anuais de uma criação original. O objetivo disso era garantir a estabilidade da criação e a continuação da vida no ambiente dessa mesma criação. Nesses ritos anuais, os praticantes contam seus mitos pagãos sobre a criação e, mediante o uso de palavras e recitações mágicas e de rimas de vodu, esperam recriar a terra, a fim de tornar o solo fértil para a agricultura e os ventres fecundos, no ano que se inicia. Duas crenças estão por trás desses rimais pagãos. Primeira: existe um panteão de deuses e deusas pagãos que emanam da matéria primordial enquanto ela passa por um processo de diferenciação e, por esse motivo, são desprovidos de moral — cometem crimes de sexo e violência — e não exigem de seus adoradores nenhuma retidão moral. Segunda: a esfera desses deuses está sujeita à manipulação humana. Essas noções enfraquecem o entendimento bíblico sobre o relacionamento de aliança entre Deus e seu povo — um relacionamento baseado no fato de que Deus elegeu um povo para ser santo como ele próprio (Lv 19.1,2), e esse povo aceitou a eleição (Êx 24.7). Diante da ameaça do paganismo, o Israel politicamente resgatado precisava de uma narrativa da criação, porque carecia de redenção espiritual. O povo não precisava apenas de redenção política da escravidão sob o jugo do Faraó, mas também de purificação da contaminação pagã. Josué exortou: “Jogai fora os deuses a que vossos pais cultuaram além do Rio e no Egito” (Js 24.14). A ordem de Josué permite deduzir que sua geração de israelitas havia adotado mitos e práticas pagãs dos egípcios. De modo semelhante, Ezequiel 20.16 e 23.1-4 deixam implícito que Israel adotara crenças e rituais pagãos durante sua permanência no Egito. A narrativa da Criação tem o propósito de ridicularizar esses mitos.

Ainda sobre essa relação entre magia e religião, considere, agora, a Magia Negra e a Wicca. De um lado, temos um sistema mágico, do outro uma religião. Entretanto, se por um lado a Wicca vai além de uma religião, envolvendo todo um sistema ou pensamento místico de interação com a natureza, por outro lado, a Magia Negra, para quem a usa, funciona mais como uma ideologia e um estilo de vida religioso do que meramente usar poderes sobrenaturais. Definitivamente, os usuários de Magia Negra se relacionam com isso de uma forma religiosa, mais até do que os neopentecostais e a Confissão Positiva, ainda que em ambos os casos o uso seja apenas pensando em benefício próprio.

Por fim, veja o post que fizemos sobre os Dez Mandamentos para explicar a relação entre Magia & Religião.

AS TRÊS CULTURAS DE MAGIA

Dentro da própria Magia Negra, podemos dividir o uso da magia em três categorias, ou três culturas diferentes, que são três formas diferentes de se alcançar resultados através da magia. Cada cultura de magia usa aspectos ritualísticos e tem intenção diferente: (1) profanação, (2) magia sexual e (3) derramamento de sangue.

Se você perguntar a um praticante de magia iniciante, ele não vai compreender essa diferença entre as modalidades. Provavelmente, do ponto de vista dele, para um ritual ser realmente poderoso, seja necessário ter todos os elementos (profanação, magia sexual e derramamento de sangue), do jeito mais exagerado possível. Mas isso é falso dentro dos próprios estudos orientados pelos grandes nomes, como Aleister Crowley. Não é necessário ter esses três elementos para um ritual “funcionar”, segundo o que eles dizem.

Crowley, em seus livros, explica como foi a evolução da cultura da magia negra, sendo ele mesmo um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento, onde houve praticamente uma substituição de certos elementos por outros. Em especial, ao longo da prática da magia negra, o derramamento de sangue foi sendo substituído pela magia sexual. Ele apenas não explica os motivos por trás disso, então, em Anthares, isso é por nossa conta, da forma como trataremos mais adiante. Primeiro, vamos dar uma pincelada em cada uma das culturas ritualísticas.

1. Profanação. Esta é uma cultura muito forte que tem a ver, basicamente, com profanar elementos cristãos ou que esses indivíduos considerem sagrados. Então, não é necessário ser algo estritamente cristão, mas precisa ser algo que a pessoa de fato acredite ser sagrada, dentro dos critérios deles. Em geral, estamos falando de ícones cristãos: a Bíblia, o nome de Deus, crucifixos, etc. Perceba, então, que nessa modalidade, a questão ética pode até ser forte, mas mais forte ainda é a estética. E aqui voltamos ao ponto inicial do nosso artigo.

O usuário de Profanação na Magia Negra é o equivalente ao neopentecostal no cristianismo. Pense nisto: para um neopentecostal é muito mais chocante ver rituais de Profanação do que de Magia Sexual, justamente por causa do apelo estético, que é exatamente como funciona a cabeça de um neopentecostal. Neopentecostais gostam de símbolos, gostam de imaginar que há uma força por trás da simbologia, eles fazem atos teatrais que chamam de “atos proféticos”, em resumo: gostam de coisas com aparência de grandiosidade.

Por isso, na época em que eu mesmo fiz meus estudos sobre magia, a Magia Sexual pareceu algo realmente muito estúpido (não que de fato não seja; é tudo muito estúpido), mas eu não compreendia como na cabeça deles o sexo poderia ajudar na força da magia. Hoje, tendo entendido a bobagem que é o neopentecostalismo, eu percebo como a Magia Sexual é realmente muito mais agressiva, já que exige o envolvimento físico e emocional de outras pessoas. A Magia Sexual, diferente da brincadeira estética de tentar impressionar com profanações, é muito mais imoral.

E de fato, esse grupo preocupado apenas com a força estética dos rituais e, por isso, acaba usando só elementos que para um cristão reformado, por exemplo, são apenas coisa de retardado.

A Magia Negra tem ainda uma questão estética que vai além disso, por exemplo, ao sempre envolver combinações de cores e odores nos rituais. Juntando tudo isso, você pode ter o seguinte exemplo: o usuário se veste de preto, queima um incenso escuro, faz um círculo mágico com tinta preta e o ápice do ritual vai ser mergulhar uma Bíblia em piche fervente, ou algo assim. Se a combinação de cores for com o vermelho, o ápice do ritual pode ser algo imbecil como mergulhar um crucifixo de cabeça para baixo em sangue de porco.

Apesar de ser uma coisa de retardado, para o usuário é algo muito impressionante, tal como os rituais “proféticos” para os neopentecostais. Para os dois grupos, o mais importante é o significado, que eles mesmos atribuíram emocionalmente.

Obviamente, há exemplos de coisas muito mais sujas ou pesadas nos rituais de profanação, como fazer rituais em cima de túmulos ou até mesmo violar cadáveres para tal.

Mas veja: não existe uma “categoria profanação” para a Magia Negra. Eles não vão dizer que algo como “aquele ali faz magia de profanação”. Essa terminologia existe, mas é usada de outras formas, como: “fazer profanação no ritual” ou “usar ritual com profanação”. A questão é que esses usuários e mestres que usam ou explicam sobre profanação e preferem esses elementos estéticos são os mesmos que falam do uso de cadáveres. Eles dizem coisas como “profanar cadáveres”, “profanar túmulo”. Essa é uma terminologia recorrente nessa cultura de magia específica.

2. Magia Sexual. Há uma cultura de magia negra que não usa nem profanação, nem derramamento de sangue. E em vários lugares, o que houve foi que eles literalmente substituíram o derramamento de sangue por sexo, acredite você ou não. Conveniente, não é? Ao menos, foi isso que aconteceu nos circuitos europeus. Porém, eles ainda fazem derramamento de sangue, mas apenas como elemento cerimonial. Ou seja, ainda há, por exemplo, sacrifícios de bode, mas isso é feito apenas quando eles se juntam, uma vez por ano, mais como uma questão estética. Em resumo, eles acreditam que o sexo seja um substituto suficiente para os outros dois elementos.

Na magia sexual, encontramos uma aproximação muito forte entre a magia e a Wicca (a bruxaria). A aproximação se dá da seguinte forma: existe um ritual de “preparação ministerial” que é como um substituto do jejum (no caso dos cristãos). Por exemplo: Jesus jejuou 40 dias antes de começar seu ministério, mas na magia sexual (tanto na Wicca quanto na Magia Negra), o preparo é feito envolvendo aspectos da sexualidade. Independentemente do indivíduo ser homem ou mulher, ele precisa passar 6 meses vivendo uma vida totalmente depravada sexualmente como homem, e depois, outros 6 meses como mulher. É como uma “entrega total” do indivíduo ao poder que supostamente deriva do sexo. Isso não é algo que todos os usuários fazem, mas é um ritual como o jejum cristão.

Aqui, se faz necessária uma distinção entre ritual e cerimônia. A cerimônia é equivalente à missa, ao culto público cristão, enquanto o ritual equivale ao “culto pessoal”, à devoção individual, como orações feitas em casa. Então, essa preparação de 6 meses + 6 meses dá a mesma ideia de um jejum para o neopentecostal, que imagina que com isso irá ficar mais forte espiritualmente.

Nos círculos neopentecostais, não é incomum encontrarmos campanhistas que lucram com seu “testemunho forte” de conversão, dizendo que são ex-bruxos. Ao contar seus testemunhos em detalhes, muitos deles contam sobre essa preparação de 1 ano como homem e mulher, mas outros contam sobre preparações que envolviam comer restos de animais em putrefação. O ápice, nesses casos, seria o usuário chegar a comer restos de cadáveres humanos. É difícil saber se algum desses testemunhos é verídico (provavelmente, não). Mas o que podemos afirmar com certeza é que existe, sim, toda uma cultura de exaltação em torno disso, como se comer um defunto ou ao menos envolvê-los nos rituais fosse um item poderoso. Mais uma vez: não sei se alguém de fato faz, mas com certeza é falado nos fóruns.

Mas, voltando à Magia Sexual, a questão é esta: quando o usuário recorre à magia para algo no cotidiano, tendo feito ou não essa preparação “ministerial”, ele pode substituir tanto a profanação quanto o derramamento de sangue pelo sexo. O usuário pode ter alguém disponível voluntariamente ou não para fazer sexo, ou então ele pode fazer algo mais bizarro até mesmo envolvendo profanações, como sexo com animais. No imaginário deles, é como se quanto mais “pesado” eticamente for, mais poder a magia terá. Então, uma das opções seria fazer sexo com alguém virgem, o que elevaria o nível da magia, já que a virgindade também é vista como um elemento de pureza a ser profanado. Mas apesar da castidade ser um elemento de santidade, não é isso que eles têm em mente no uso comum da Magia Sexual. Esse foi apenas um exemplo misturando-a com elementos de Profanação.

3. Derramamento de Sangue. Para começar a explicação de como isso funciona, vou citar um último exemplo de ritual de profanação, assim veremos como a coisa toda está conectada e como isso tudo é muito parecido, apesar de, na cabeça dos usuários, certamente não ser a mesma coisa. O exemplo é o da galinha na encruzilhada.

O exemplo é muito bom, porque por mais que ele tenha derramamento de sangue literalmente, e por mais que até mesmo na cabeça da pessoa o ponto máximo (o elemento mais importante) seja o derramamento de sangue em si, os grandes mestres que explicam sobre isso nunca estavam pensando nisso propriamente. Eles nunca dizem que para um ritual ser eficiente é preciso cumprir uma lista de coisas que inclui matar uma galinha. Não. O que eles fazem é citar esse elemento com a mesma terminologia usada na profanação de cadáveres.

Em outras palavras, muito longe de ser o derramamento de sangue, o que estaria funcionando de fato seria o fato do usuário matar um animal, o que significa ter feito isso especificamente para usar o seu corpo. Ou seja, seria um ritual de profanação.

E se você prestou bastante atenção até aqui, deveria questionar o seguinte: ora, mas não é muito fácil assim? Enquanto os rituais de profanação exemplificados antes há toda uma importância psicológica e uma simbologia forte, não é muito conveniente apenas matar uma galinha? Por que não usar no ritual o corpo de um bicho morto vários dias atrás, no mínimo, senão até de uma pessoa? Matar uma galinha parece fácil demais. Mas é justamente esse o ponto: esses rituais de encruzilhada são os menos importantes, usados para situações mais fáceis. É como aquela oração mais mequetrefe, feita às pressas, ou por coisas não tão relevantes. Enfim, matar galinha está relacionado a pedidos menores. Assim, eles podem usar elementos mais fracos.

É interessante também que quando nós pensamos em derramamento de sangue, já pensamos em sacrifício, provavelmente por causa de filmes e séries ou, no caso dos cristãos, por causa da própria Bíblia, que faz essa associação. Mas na Magia Negra isso é falso. Derramamento de sangue não inclui sacrifício. Aquele de quem o sangue será derramado não precisa ser sacrificado.

Isso é bem óbvio, na verdade. Se você só precisa derramar sangue (o que já é a profanação de um corpo), e fará isso usando uma pessoa, você não precisa matá-la. Por outro lado, para derramar sangue de uma galinha ou um bode pode ser mais conveniente matá-los.

Um detalhe: na verdade, eu preciso dizer que nunca vi, nem em livros, nem em fóruns, comentários sobre o uso (sério, pelo menos) de sacrifícios humanos na Magia Negra; e no caso de derramamento de sangue humano, a pessoa tem que ser virgem.

Aliás, entra aqui uma questão que até poderia servir de narrativa para alguma história: se você precisa de sangue e não da morte especificamente, e se o sangue de uma virgem seria mais poderoso pela questão da profanação da castidade, então, o usuário poderia muito facilmente pagar uma virgem para ter um pouco do seu sangue.

E mais: se na cultura do derramamento de sangue, para um ritual pequeno, você pode matar uma galinha, para algo grande, você talvez precise do sangue de muita gente ao mesmo tempo. Enquanto isso, na cultura de profanação, para algo pequeno você queima um crucifixo, e para algo grande, você come o pé de um defunto. Já na magia sexual, como fica? Ou melhor ainda: se a questão do poder da magia está na dificuldade dos elementos, então, o que seria mais difícil conseguir, o sangue de uma virgem de 12 anos (que geralmente são virgens mesmo) ou de um virgem de 40 anos? Obviamente, o segundo caso é muito mais difícil.

Do ponto de vista religioso, pressupondo todo o imaginário envolvido: no caso da magia sexual, provavelmente o que um demônio acharia mais absurdo seria tirar a virgindade de uma menina de 12 anos; porém, no caso da magia de derramamento de sangue, encontrar uma pessoa que se manteve casta por 40 anos seria extremamente difícil e mais impressionante. Em contrapartida, sequestrar uma criança de 12 anos é infinitamente mais trabalhoso do que sequestrar um bebê, que não reage. Então, vou colocar um último caso que pode gerar algum contexto de histórias.

Imagine que, em certa região, começa a haver sumiços de bebês recem-nascidos para rituais de Magia Negra. Um homem, desconfiado disso, se infiltra num grupo um pouco suspeito, começa a aprender sobre os seus rituais e entende que provavelmente são eles os culpados, mas nunca encontra nenhuma prova, e ele sabe que não conseguirá dar fim àqueles homens, pois eles são muito poderosos. Então, para não morrer nas mãos deles e ainda resolver o problema, ele bola o seguinte plano: ele convence o grupo de que roubar uma criança é tão simples e fácil que o poder seria equivalente a sacrificar uma galinha. Ou seja, seria uma coisa com pouco valor espiritual, apesar de muito apelo emocional nos envolvidos. Por outro lado, conseguir um adulto virgem renderia muito mais força mágica. Imagine, por exemplo, sacrificar um monge! Seria interessante escrever sobre o início, ou o desenrolar, de toda uma cultura de bruxos, feiticeiros ou magos de raptos de monges para sacrifícios ritualísticos. E assim, esse homem teria conseguido praticamente banir da Magia Negra o uso de crianças.

VOLTANDO À RELAÇÃO DA MAGIA E A ÉTICA

Depois de todas essas ideias, podemos encerrar o artigo, usando um dos meus núcleos narrativos favoritos, que é o do Exorcista do Velho Oeste, que está sendo desenvolvido pelo Daniel Kinchescki.

O personagem principal desse arco tem um crucifixo feito de uma forma muito específica sob recomendação de um demônio, seria suficiente para proteger o corpo do seu usuário contra os efeitos de alguns comandos que ele usa.

É mais ou menos assim: ele usa um comando para expulsar demônios do lugar, mas, ao mesmo tempo, e sem saber, a mesma frase dá um comando ao universo que consiste em danificar o próprio corpo. Mas esse efeito contra o corpo é anulado pelo crucifixo que ele carrega. Daí, surgem vários questionamentos que nós ainda não conseguimos resolver e precisamos da colaboração de quem puder ajudar. Para entender os problemas envolvidos, agora sim, você precisa assistir ao finalzinho do vídeo e depois voltar aqui caso queira usar este núcleo ou nos ajudar solucionando o caso.

O problema começa no vídeo aos 19:26 (e uma tentativa de solucionar, logo abaixo). Ou você pode acessar por este link que já tem uma marcação de tempo: https://youtu.be/Vl9RcWc-kEc?t=1166

Abaixo, um comentário do livro “Ministérios Nórdicos” de Mirella Faur, que pode ajudar a solucionar o problema do link acima:

A Magia Talismânica. Existe uma diferença entre os termos “amuleto”, “talismã” e “sigilo ou selo mágico”. O primeiro vem da palavra latina amuletum e tem origem imemorial, sendo encontrado em todas as culturas e épocas. Denomina-se amuleto um objeto que se usa sobre o corpo e que tem poder protetor, guardando e defendendo seu portador de qualquer mal. O seu poder mágico é passivo. O talismã tem como raiz o termo árabe talisan, que significa “marcar algo por meio de magia” e pode se apresentar em vários formas ou tamanhos, sendo usado tanto para fins defensivos quanto combativos. Ao contrário do amuleto, o seu poder mágico é ativo. O sigilo ou selo, em latim signum – sinal, é um emblema ou sinete que expressa uma intenção mágica, criado a partir de um nome, símbolo ou frase, seguindo um método específico ou a intuição. Ele contém um poder oculto na sua padronagem e pode ser marcado sobre qualquer material. Podemos considerar as runas como “sigilos”, pois cada uma representa um nome ou ideia e manifesta seu poder por meio da sua forma, e não conforme a natureza do material em que foi gravada. […] Tanto ao talismã quanto ao amuleto podem ser acrescentados sigilos para aumentar sua eficiência. […] Nos alfabetos antigos, existia uma equivalência entre os sons e os números, que eram imbuídos de significados simbólicos. Os sistemas de simbologia rúnica levavam em consideração as conexões sutis que existiam entre sons, números, cores, formas, símbolos e os poderes das divindades, dos seres sobrenaturais, animais de poder, objetos sagrados e mágicos. Devido às diferenças conceituais, não existe uma correspondência numérica com o alfabeto grego [nem com o latino] […] Para a confecção de um talismã rúnico, levam-se em consideração as combinações rúnicas, bem como o simbolismo dos números, das cores e das formas.

Enfim, talvez o crucifixo descrito em nosso vídeo (link acima) possa ter runas gravadas nele.

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