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“Os Outros Deuses” – A arrogância da busca pelo saber! – LOVECRAFT

Nesta análise de "Os Outros Deuses", H.P. Lovecraft explora os limites da ambição humana e o perigo de buscar o conhecimento absoluto nas misteriosas Terras dos Sonhos. A narrativa acompanha a trágica jornada de um sábio obstinado e seu jovem aprendiz rumo aos picos mais proibidos do cosmos.

E aí, pessoal do Universo Antares, bem-vindos de volta a mais um vídeo aqui no canal, bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todos os contos, trabalhos e histórias de H.P. Lovecraft. No vídeo de hoje, nós vamos falar sobre um conto muito maneiro com o título de "Os Outros Deuses" (*The Other Gods*). Este conto foi escrito em agosto de 1921 por Lovecraft e foi publicado em 1933 na revista *The Fantasy Fan*. Eu li nesta edição aqui, assim como li anteriormente — notei que nos últimos vídeos eu não comentei sobre as edições que eu estava vendo, mas é sempre esta daqui dos *Classic Works*, o trabalho completo de Lovecraft. Vocês podem achar facilmente esse conto na internet também.

Qual que é a história do conto? Vamos lá. Aqui nós temos mais uma história no ciclo de sonhos de Lovecraft, então é um texto recheado de referências para nós que já lemos outras histórias que se passam nesse mesmo universo. Aqui nós acompanhamos o Barzai, um velho sábio que tem, digamos assim, o conhecimento de tudo aquilo que é místico, e ele é acompanhado por seu aprendiz, Atal. Eles têm o objetivo de alcançar os deuses.

Nesse ciclo de sonhos, os deuses por muito tempo dançavam com os mundos dos vivos — dançavam muito antes dos humanos terem chegado a essas Terras dos Sonhos. Mas, à medida que a humanidade foi se alastrando, os deuses partiram para as montanhas. E à medida que os homens avançavam, os deuses foram se isolando cada vez mais, de modo que agora só são vistos de maneira muito rara, nos picos montanhosos mais elevados, em noites tempestuosas em que as nuvens cobrem os cumes. Então, as pessoas ficam em suas casas com medo do que a noite e esses deuses podem fazer. Lógico que a maior parte disso é lenda, mas Barzai está dedicado; ele fala que conseguiu um jeito de alcançar os deuses e quer vê-los antes de morrer.

A narrativa começa com Barzai sendo acompanhado pelo jovem Atal, e eles partem para uma escalada grandiosa por dias e dias, até chegar ao topo de uma montanha. Barzai é meio arrogante; o conto trabalha muito essa questão da arrogância da humanidade, do fato de você querer estar no mesmo nível que os deuses, como se eles fossem aceitá-lo. Barzai parte em direção a esse pico, e Atal fica com ele, até que, em uma noite em que a lua cheia cobre a região — se bem que não é nem o brilho da lua direito, é aquela coisa bem lovecraftiana —, Barzai tem certeza de que os deuses estão ali dançando e parte para uma ascensão ainda mais elevada. Atal tem dificuldade de segui-lo. Antes que Atal chegue ao topo, ele consegue ouvir Barzai falando: "Eu encontrei os deuses! Eu finalmente cheguei no mesmo nível deles! Os seus truques não me permitirão ficar longe de vocês; eu sei que tenho um lugar entre vocês", e blá-blá-blá.

Os deuses não são mostrados diretamente porque Atal fica um nível abaixo, completamente aterrorizado, mas a presença desses deuses se manifesta na natureza ao redor: o vento, as gotículas, a neve, o próprio sibilar do vento, parecendo que as suas palavras são as vozes dos próprios deuses. E de repente Barzai tem um acesso de pânico e grita: "Meu Deus, os outros deuses! Os outros deuses! Não fique aí embaixo, Atal! Não venha até aqui! Você não quer vê-los, você não suportaria a ideia de contemplar criaturas como estas, criaturas inimagináveis!".

E você fica se perguntando: quem são os outros deuses? Porque ele encontrou os deuses, certo? Mas quem são esses outros deuses que parecem ter interferido ali naquela interação? O conto termina com um estrondo absurdo. Atal acorda no outro dia no sopé da montanha, e os moradores e fazendeiros supersticiosos tentam encontrar o corpo de Barzai, mas não acham nenhum sinal dele. A gente termina esse conto pensando: quem são esses outros deuses? Será que são as divindades de outros cantos do panteão lovecraftiano que estão se entremeando nesse universo do mundo dos sonhos? Quem sabe?

É um conto muito interessante. Ele trabalha muito essa dinâmica da arrogância, de até onde você vai pelo poder. Será que a sabedoria vale a pena quando ela é fonte de horror também? É um conto muito bom e que vale a pena a leitura. Espero que tenham gostado e, de qualquer forma, vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!