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Hedone (Poesia #249)

Hedone

Catulo, de seu recanto em Sirmião,
O mundo da fantasia afastou,
E ébrio na hora enluarada,
Entre rosas com sua Lêbia deitava.

Para ele em vão cidades mortas sonhavam,
E ilhas de maravilhas estrelavam o mar;
Cego enquanto as águias romanas brilhavam,
Surdo aos cantos da vitória.

E enquanto os dias de galanteio passavam,
E luas e rosas vinham e iam,
Os lábios de Lêbia reconfortavam
Um coração contente com a bem-aventurança presente.

Mas mês a mês e ano a ano
Ante a lua uma sombra cresceu,
E as rosas, murchas e secas,
Caíram fulminadas por um orvalho venenoso.

Aqueles lábios outrora tão tentadores para ele
Agora babavam repulsivos à sua vista,
Enquanto sobre a face e o membro de marfim
Espalhavam-se a idade e o vício, uma praga lívida.

Cansado do amor, voltou-se enfim
Para sonhos outrora desprezados em tardio desejo,
Mas achou sua alma entorpecida firmemente atada
À carne fétida e ao fogo do ossário.

Assim, frenético pela penumbra de Sirmião,
Catulo foge em dor sem fim,
Enquanto ventos fantasmagóricos de rosa e almíscar
Lembram suas horas fúteis em vão.

E em seus calcanhares parece espreitar
Uma forma perseguidora de cabelos emaranhados,
Cujo hálito ardente, obsceno e imundo,
Despeja horror no ar da meia-noite.

Mas sob o luar de Mântua ainda
As douradas fantasias reluzem cintilantes,
Enquanto o deslumbramento paira sobre a colina
Em formas velhas e puras demais para morrer.

Altivas sobre a planície, as águias avançam,
E a glória coroa o Palatino,
Pois sonhos divinos abençoam o sonhador
Com alegrias festivas de origem divina!