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Ave atque Vale (Poesia #256)

Ave atque Vale

Para Jonathan E. Hoag, Esq., 10 de fevereiro de 1931–17 de outubro de 1927

Uiva ao vento de outono um pranto agreste
Qual de um espírito da serra, a sós, dorido,
E ecoa pela mata um suspiro mais foste
Que o soluçar de ontem pelo verão perdido.

Vapores de luto a lua minguante embotam,
Que reluz nas espumas de Dionondawa,
E os sinos da torre, chumbo, soluçam, botam
Prantos sobre a praça e o monte que cercava.

A velha fazenda e a rústica escola fundem-se
Com fantasmas estranhos e ávidos, onda a onda,
Enquanto num pico espectral os fogos esmaecem-se
Da última fogueira que a lenda abranda e ronda.

Lenda e canto, e os velhos tesouros da memória
Desvanecem-se ao longe, nublados, remotos,
Roubados da vida que a mágica notória
De SCRIBA deu à alma e a cada um dos votos.

Pois ele deteve seu canto de cristal puro,
Dissolvendo-se no ouro místico do ocaso;
Ele, que com sotaque dórico e escuro
Tanto nos encantou do antigo ocaso.

Poeta cujos fastos eram poesia pura;
Legado a nós de eras mais brilhantes;
Farol para quem teve a ventura
De o conhecer: cabelos de prata, mas flores adiante.

Gentil e bondoso, de visão reta e ornada,
Valente pela verdade, o belo e o direito;
Sábio e douto, com a mente aguçada,
E radiante com a luz lírica do peito.

Liberal, mas firme quando o dever exigia;
Maduro com o brilho singular do humor;
Ávido e terno na eterna harmonia,
E cortesão com a graça de um tempo interior.

A própria Honra, a quem tantas honras coroaram;
Descendente da estirpe mais forte da pátria;
Vibrando com o espanto que os jovens guardaram;
Pasmo ante as obras da Natureza e sua pátria.

Menestrel da lareira e do monte coroado de nuvens,
Laureado e vivaz de dias idos;
Contador de segredos dos regatos revulsos,
E profeta esperançoso de dias queridos.

Noventa e seis anos que levou tão leves,
Junto aos campos queridos que o viram nascer;
Não o julgue velho, cuja alma em chamas e neves
É una às coisas imortais do céu e do ser.

Não o julgue velho, nem pense que haja partido,
Ainda que o corpo amado repouse na paz;
Pode o canto imortal por Azrael ser banido,
Ou a visão de uma vida findar o que traz?

Então que o vento do monte já não lamente,
Nem treva alguma cubra o cenário seu;
Ele ainda aqui está, seu canto mais potente,
Fixo no mundo fulgente que a fantasia ergueu!