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Como Eurípides Usou o Eco e o Teatro para Enganar Guardas e Salvar seu Parente

Eurípides, Eco e Teatro: Como Salvar um Parente na Grécia

Nesta discussão sobre a peça *As Tesmoforiantes* de Eurípides, os participantes analisam uma cena cômica em que o dramaturgo usa o eco e encenações teatrais para confundir um guarda bárbaro e salvar seu parente.

Há uma parte muito engraçada em que o parente começa a falar e o Eurípides, escondido, faz o papel de eco, repetindo tudo o que ele diz. O arqueiro reaparece e pergunta por que ele está tagarelando. O parente, no caso, atua como Andrômeda, enquanto o arqueiro é um brutão meio burro que não entende direito o que está acontecendo. Quando o arqueiro pergunta o que se passa, Eurípides continua imitando as falas, mas agora as do próprio arqueiro, deixando-o confuso e irritado.

De repente, Eurípides muda de personagem e de postura, passando a encenar o herói Perseu. O arqueiro, que é um completo bocó, fica ainda mais confuso e acha que Eurípides está interessado em "enrabar" o parente que está amarrado ali na frente. Ele chega a falar literalmente isso no texto, dizendo que, se quiser fazer um buraco no pedaço de madeira onde o homem está preso, por ele está tudo bem, pode rasgar o vestidinho e mandar bala. O parente continua amarrado e preso, sem poder sair, enquanto o arqueiro insiste nessa conversa umas três ou quatro vezes, dizendo que apoia e que não tem problema nenhum.

Nesse momento, o coro de mulheres volta à cena, vê o que está acontecendo e reconhece Eurípides. Ele muda totalmente de estratégia e começa a negociar com elas. O arqueiro sai de cena, e Eurípides avisa que, se libertarem o parente, ele não falará mais mal das mulheres em suas peças. No entanto, faz uma ameaça: se continuarem com a empreitada, revelará a todo mundo tudo o que sabe sobre os segredos que as mulheres escondem dos maridos.

Surpreendentemente, elas concordam com ele, ponderando que têm muito a perder se ele contar tudo. Fazem até uma comparação, dizendo que os homens também fazem coisas terríveis. Fica claro que as acusações de Eurípides nas peças não eram mentirinha, pois ele realmente sabia de coisas íntimas. As mulheres aceitam a proposta e decidem ajudar a safar os dois, já que, se Eurípides tentasse salvar o parente sozinho, também tomaria flechadas.

O plano entra em nova fase: Eurípides, escondido, volta a repetir as falas do parente, que está encenando passagens de *Andrômeda*, como "Ó noite sagrada, que longas cavalgadas" e "Ó Olimpo… dos males, o supremo perdi o lote". De tanta repetição, o arqueiro percebe que o parente está falando e pergunta quem está tagarelando. Eurípides repete a pergunta. O arqueiro diz que chamará os pritanes, e Eurípides repete. O guarda, que é analfabeto e fala tudo errado, indaga de onde vem aquela voz e ameaça o interlocutor, mas a repetição contínua dá um nó na cabeça dele.

Para atrair o arqueiro e descobrir de onde a voz vem, Eurípides passa a se apresentar como uma bela virgem. Pelo que dá a entender na peça, o arqueiro e Eurípides começam uma pegação para distrair o guarda e salvar o parente — embora haja uma dúvida interpretativa sobre se essa interação ocorre com o próprio Eurípides ou com a jovem tocadora de flauta/lira que havia sido trazida anteriormente na trama. Seja como for, o arqueiro acaba completamente enrolado, permitindo que o parente fuja.

No final, quando o arqueiro sai correndo atrás do parente, o coro de mulheres o despista, dando direções erradas para fazê-lo perder tempo. O parente e Eurípides fogem para um lado, enquanto o arqueiro segue para o outro, totalmente apaixonado pelo engodo criado por Eurípides.