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A Farsa Descoberta e as Referências a Eurípides em Aristófanes

As Tesmoforiantes: A Farsa e Eurípides em Aristófanes

Neste trecho de uma discussão descontraída sobre a peça *As Tesmoforiantes* de Aristófanes, o autor analisa cenas cômicas em que um parente de Eurípides é desmascarado pelas mulheres atenienses e tenta escapar de forma desesperada. A narrativa da comédia grega avança com interrogações, ameaças dramáticas envolvendo um bebê e referências diretas e paródias a tragédias de Eurípides, como a *Helena*.

Parem de se insultar aí, porque tem uma mulher vindo correndo para cá, muito apressada, e a gente tem que ouvir o que ela vai dizer. Então, gente, vamos parar, tem uma mulher vindo para cá. Quem que é a mulher? Caraca, velho. Quem seria essa mulher? A mulher é aquele cara que, quando dão um trato lá na barba do parente de Eurípides e ele se olha no espelho e fala: "Ah, meu Deus, eu tô parecendo o Clístenes", é justamente esse cara que chega nessa hora. Essa hora eu ri muito, cara, porque eu achei que era uma mulher mesmo que ia chegar. Aí o Clístenes chega dizendo que está acontecendo uma parada lá, que ele precisa muito alertar as mulheres. Ele ficou sabendo justamente tudo o que a gente sabe aqui, ele ficou sabendo que o Eurípides teve um plano e enviou um parente velho dele para espionar as mulheres. Ele conta todinho o plano para a mulherada e diz também, obviamente, que esse homem velho estaria disfarçado ali como mulher, inclusive depiladinho.

Aí é doido que o coro fala que não acredita muito naquilo, porque seria muito difícil um homem ser tolo suficiente para se depilar. É tipo assim, pelo que eu entendi, os homens naquela época não podiam se depilar porque iriam se portar como se fossem mulheres. Essa coisa de homem que se depila: "Ah, homem se depila? Não, isso é coisa de mulher". E é tipo assim, eu até falei na live passada, cara, porque tem piadinhas daquela época que até hoje a gente faz as mesmas: "Eu vou me depilar nada, você tá louco, isso é coisa de mulher, cara". Mas não é só porque é coisa de mulherzinha, não, porque é um bagulho bizarro. O que que é doido de ficar fazendo isso? Para você ser doido o suficiente para depilar, tem que ser mulher mesmo, porque elas são doidas para fazer isso aí. E aí as piadinhas são as mesmas, cara.

Mas elas ficam lá com medo de que aquilo ali fosse verdade, e começam a procurar o tal homem que estaria por ali. O próprio Clístenes já vai uma por uma perguntando quem elas são. Enquanto isso, começa o drama do parente em desespero, que não sabe o que fazer para escapar dali. Uma a uma, as mulheres vão sendo interrogadas, e cada vez que tem uma fala, corta para mostrar o parente ali: "Ai, meu Deus, vai chegar em mim esse negócio". Até que, antes de chegarem nele, ele diz que vai mijar, vai lá mijar, tal, só que ele começa a demorar demais. Essa parte é engraçada. Tem um monte de coisa engraçada, mas é difícil de falar. O Clístenes fala: "Tu demoras?", e ele responde: "Não, é que eu tô comendo, é que eu comi uns grinhões". O Clístenes pergunta: "Por que você tá falando de grinhões agora?". É muito bom, velho.

En enfim, elas puxam ele de lá, fazem um monte de perguntas, e ele vai respondendo sem dizer nada, só enrolando. Até que chega uma hora que não dá mais, elas começam a tirar a roupa dele para descobrir o que que tem ali. E a primeira coisa que as mulheres falam é a melhor de todas: "Nossa, olha, cara, é muito constrangedor". Elas começam a olhar ele assim, tirando a roupa dele: "Nossa, mas ela é forte e robusta, e ela não tem tetas como nós". Pô, como é que é isso? É muito pai essa piada. Sabe qual foi a explicação que o parente deu para isso? Eu lembro que ele disse que é estéril. Ele tinha acabado de falar que teve nove filhos! Como é que vai ser estéril se teve nove filhos?

Ai, cara, mas aí elas não chegam a tirar tudo. Tem um negócio estranho ali que é como se o… desculpa aí, mas é como se a piroca ficasse pendurada assim, e ele fica jogando para frente e para trás. Eu não consigo entender se é isso que está acontecendo ali, cara. Eu acho que é isso que estava acontecendo, sim, porque ele falou: "Não, uma hora tá ali, outra hora tá em tal lugar". Pensei que o cara estava com a força… assim, eu não imagino que ele está colocando a mão para manipular, né? Mas eu acho que é a pura força de colocar o negócio para um lado e para o outro. Então, fica essa patifaria aí, né? Não sei como é que eles faziam isso no teatro. Acho que colocavam um negócio assim suspenso ali, mas sei lá como é que ia ser. Patifaria da nada.

E aí o que acontece? Elas acabam não chegando a conclusão nenhuma, mas como ele é a única ali que ninguém conhece, elas mantêm o parente ali enquanto vão ver se tem mais algum homem para ver se é ele ou não. Enquanto isso, uma delas começa a dar um sermão bem ameaçador no parente, e ele sai correndo. Ele pega um bebê dos braços de uma das mulheres e ameaça passar a lâmina na garganta do moleque, cara. Fala: "Não, se vocês não me deixarem embora daqui, essa criança vai ficar aqui mesmo e vai escorrer o sangue dela aqui no altar e não sei o quê". Bem dramático assim. Ô Gomadaran, é porque você não leu a peça! Por isso que eu falei que o Fabrício ia adorar essa peça aqui, cara, porque, meu Deus, velho.

E elas não compram muito essa ameaça dele com o bebê no começo, só a mãe que fica preocupada. E aí elas mesmas começam a pegar lenha para queimar com criança e tudo assim, elas não estão nem aí, menos a mãe. Quer dizer, parece que elas estão blefando assim, mas não sei também como é que é a ideia ali. E mas tem umas que já vão buscar lenha, inclusive, para fazer isso aí. Aí tem uma discussão entre o parente e a mãe da criança. Depois tem um discurso longo também de uma outra mulher, eu acho, dizendo que elas são melhores do que os homens e tal. Fica uma coisa arada assim, não tem muita graça essa parte aí.

E eu achei curioso ela colocar na lista de coisas extremamente negativas os homens que traficam escravos. Você lembra que ela faz isso aí? Ela lista um monte de coisa perversa, de coisa típica de homem, quer dizer. Sim, inclusive traficantes de escravos, né? Para a época assim, eu achei curioso estar aqui. E aí ela começa a dar, acho que, se eu não me engano, é aí que começa o que para hoje em dia seria o feminismo, né? Tipo, fazer a comparação de homens com mulheres. Acho que, se não me engano, já nessa parte, né? "Não, cara, eu imagino que sempre teve isso aqui, cara. Não é possível, deve ser um negócio meio normal demais de acontecer."

Mas enfim, por um motivo um tanto estranho lá, o parente começa a encenar como se fosse a Helena da peça de Eurípides, da peça *Helena* mesmo. Então ele pensa: "Como é que eu vou sair daqui? Eu acho que eu vou tentar fazer igual o fulano fez em tal peça". Então ele começa a chamar pelo Menelau, como se fosse a esposa do Menelau. O parente chega nessa conclusão porque ele tá preso, tá amarrado, se eu não me engano, pelo que eu entendi no texto. E ele pensa: "Qual vai ser meu artifício de salvação? Qual a tentativa, qual a reflexão?". Aí ele fala: "Qual mensageiro eu posso enviar até ele?". Ele fala do mensageiro porque, antes do parente ir até o local, Eurípides fala: "Ó, jure para mim de pé junto que vai salvar a casa de alguma coisa errada". Aí ele quer mandar uma mensagem para Eurípides dizendo: "Ó, deu merda, viu? Já dá para me salvar agora, o momento é agora".

Aí ele faz um trocadilho na hora que ele fala tipo assim, que ele vai jogar os remos, mas não há remos. Ele fala um trocadilho, porque o "jogar os remos" seria no caso "ah, eu não ligo, dane-se, foda-se", mas ele fala que não tem remos para se jogar. Pelo que eu entendi, foi isso, ele tipo, "vou me entregar". Inclusive, tem uma crítica de Aristófanes a Eurípides nessa parte aqui. Foi uma das poucas que eu peguei. Assim, eu vou falar sobre as críticas a Eurípides, mas aqui é uma crítica literária, né? O que ele está acusando de ser um artifício aqui. Claro que é uma crítica, né? Porque, ah, como é que você salva uma pessoa? Sempre do mesmo jeito, põe ela para mandar uma mensagem para alguém que vai salvar. Pior do que isso, só o *Deus ex machina*, né, cara? Pior do que o salvador aparecer do nada, só você: "Já sei, vou mandar uma mensagem para o fulano, mandar um mensageiro lá". E a gente viu isso nas peças de Eurípides, então ele faz uma crítica aqui, tira um sarro disso, mas tudo bem.

O que acontece aí nessa hora, cara? Os dois começam a dialogar usando falas dessa peça aí, a *Helena* de Eurípides. Então ali o próprio Eurípides e o parente são agora o Menelau e a Helena. Só que é engraçado que, num primeiro momento pelo menos, as mulheres não sabem que aquele ali é o Eurípides. E ele chega ali fazendo um discurso assim, nossa, não sei o quê para a mulher dele que está ali, para aquela mulher que está ali, como se ele não soubesse quem é aquela mulher. Porque na peça da Helena é isso que acontece no primeiro momento. As mulheres começam a dialogar com ele, a discutir com ele assim, como se o que ele tivesse falando fosse sério. E o parente também vai conversando com ele de um jeito que as mulheres realmente pensam que o próprio parente está tentando enganar aquele sujeito que chegou ali, enganar ele para que ele liberte ela dali. Até que os dois, usando as falas da *Helena* e do *Menelau*, se revelam um para o outro como marido e mulher — que é o que acontece na peça — para tentar escapar dali também.

Mas não dá muito certo, porque vem chegando lá um soldado, que pergunta se é aquele ali o safado que tinha se vestido de mulher e tal. É o Pritane, como é o nome? Ah, nem decorei esses nomes aí, cara, nem me atrevi. Eu sei que o Eurípides dá no pé. O Eurípides vai embora, o parente falou: "Não, mas fica calmo que eu vou dar um jeito aí", e Eurípides vai embora.

Aparece um arqueiro também nessa hora, né? Pritane é a designação dos mais altos magistrados. É, então era, na verdade, a galera que julgava alguma coisa, os juízes mesmos. É, porque lembrando, os tribunais não estavam funcionando nesse dia, então ela chama alguém desse contexto. Mas aí também vem um arqueiro, que era quem ia executar o parente, já vem pronto assim para executar o cara ali. Mas ele diz que vai buscar primeiro um sei lá o quê lá e tem que sair da cena por um momento. O parente começa a encenar uma outra peça de Eurípides para buscar uma outra solução. Até que de novo Eurípides volta, ele aparece também encenando um papel de novo feminino da mesma peça, só que essa personagem é uma ninfa que na mitologia é chamada de Eco. Por que esse nome Eco? Porque ela é literalmente o eco, é a personificação do eco. Estou falando desse eco mesmo assim.