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The Feast (Poesia #216)

The Feast

(Hub Journalist Club, 10 de março de 1923)

„O vos qui stomacho laboratis, accurrite, et ego vos restaurabo.”
—Da Placa da Primeira Casa de Pasto em Paris, 1774.

„Forsan et haec olim meminisse juvabit.”
—Virgílio.

A WISECRACK SANDUSKY, Esq., B.I., M.B.O.
(Bacharel em Inteligência, Fraternidade de Corujas de Massachusetts) Senhor:—

Ao dedicar-lhe este poema épico ponderoso, não faço senão retribuir o mal que me causastes ao solicitar uma contribuição de um velho fidalgo provinciano tão obsoleto quanto eu. Causa-me deleite adicional, contudo, prestar tributo àquele que tanto enriqueceu a vertente mais leve de nossa língua; tarefa negligenciada desde o ensaio do Deão Swift sobre a Conversação Gentil e Ingeniosa (1738), e por vós cumprida com uma aptidão zelosa que deveria servir de modelo a todo filólogo e lexicógrafo.

Eu, Senhor, sou um homem à moda antiga, ainda afeiçoado ao idioma da era do Dr. Johnson; vós sois o criador daquela fala vivaz que será clássica daqui a um século. Tal aversão comum à dicção insossa desta época deve estabelecer entre nós um vínculo erudito que complemente aquele laço de amizade já tão firme; e é nessa esperança que vos dedico estes versos imortais.

Crinde-me, Senhor, para sempre
O vosso humilde e obediente Servidor,
H.P.L.

Providence, março de 1923.

Pelas barbas, Senhor! Que me pedis que conte?
O banquete de Boston, tudo o que vi na fronte?
Decerto fora árduo, pois Comus foi tão brando
Que a farta profusão me entope o lembrando!
Deslumbrado com a arte, embriagado de iguarias,
Meu rústico pincel fraqueja em agonias,
E mal acha o talento a traçar tais festejos
Da docta cidade, os modernos festejos!
Negro era o céu quando, em mente expectante,
Deixei minhas matas nativas adiante;
Uma névoa nivea o plúmbeo dia oprimia,
Enquanto o coche ágil por tortuosas vias corria,
Até que à frente, em pompa ancestral, ergueram-se
As torres e tetos onde os meus passos deteram-se.
Mas vede agora! Onde a treva reinava dantes,
Um Cole radiante acende fagulhas brilhantes!
O crepúsculo cede, e sombras fogem assombradas
Ante os fachos da wit cambridgeana acordadas!
Eis a rusga onde o riso e a música imperam,
E Gaster e Jocus nos ares se permeiam.
Pelos céus! Que esplendor fere a minha velhice,
Onde a face e a palavra ostentam tal mesmice!
Pelos salões da taverna o riso decoroso flutua,
Misturando-se à nota que a viola acentua:
Voa o chiste veloz, enquanto a sombra de Prisciano empalidece
Com termos novos e graças que o uso emparelha e tece.
Mil raios, que alta sintaxe! que eloquência imensa!
Palavras que a argúcia de Johnson jamais alcança!
O gênio sanduskiano a regras dá cabo,
E canta o “gink”, a “lata de óleo”, o “sacana” e o “abo”;
“Maneira, velho ovo!”, briga com afinco,
“(Metáfora fina, orador de siso e brinco!)
Ninguém acende aí, meu chapa — inútil bater na porta!
Mas ó tonto, cessa essa prosa que pouco importa!”
Assim a língua solta e o cérebro lesto estendem
A alegria comum, e as canções aquecem;
Erguem o passo leve enquanto a multidão se ajunta
À mesa, e a câmara a cena conjunta.
Eis a alteza que surge, austera e sem peia,
As Musas imortais e a imprensa alheia;
Eis o engenho livre do aperto da penúria,
Que a coroa tece em volta de Lynch, com fúria!
Comida em abundância (o lauto cardápio espia),
Com música indômita em sua porfia;
A canção, a dança, o ouro do alaúde;
O sussurro especioso que a mesa transmuda;
E o silêncio solene, ao fim do banquete,
Onde os oradores reinam — eu, o chato estquete.
Demóstenes agora abandona a Coroa,
E Cícero senta-se, murcha a sua pessoa;
Pois eloquência igual Boston não conheceu
Desde que o primeiro fundador o beijo no Blarney deu.
Que tesouros de sabedoria vêm à luz exposta
De poeta, panfletário e político à costa!
Homens de Estado e jornalistas com senso discursam,
E o bardo grave desafia os que o pasmam;
Com voz senil meus chISTES da aldeia profiro,
Enquanto o gênio me afoga em Maquiavel, suspiro!
Mil visões cruzam nossa vista alada—
Florença e Fleet-Street, Hélicon e a enfiada!
Mas ouvi! Pelos céus! Quão célere o Tempo voou,
Embora cada oratória mais curta pareceu que passou;
Pois cumes do pensamento, por mais altos que alcancem,
Não dobram o relógio nem as horas desmanchem.
Pelos ferros! — são doze, quando o labor repousa,
E em meia hora o metrô fecha as portas!
Cai assim sobre a cena a cortina pesada,
E o banquete galante chega ao fim na jornada;
Unido aos séculos, plantado no céu
Para despertar cantos melhores que o meu.
Afinal — eis-me pronto! E a vós, Senhor, suplico
Que guardeis meus dísticos bem no vosso embico;
Para que a boa gente que ouviu minha oração
Mal tenha o porquê de praguejar-me em vão!