(Alfred Galpin, Jr.)
Ao Atingir a Maioridade, 8 de nov. de 1922
Damon, detenho-me, confuso em confessar
Uma Musa por demais embotada e frágil tornada
Para saudar com o devido aplauso um dia
Tão brilhante com o raio auspicioso da Esperança;
Como quando na corte algum fidalgo tonto
Apenas gagueja quando gostaria de admirar:
Meus versos claudicantes correm erráticos
Enquanto afinados para te saudar com vinte e um!
Menino incólume! Cujo cérebro ágil
Tão depressa ultrapassa a multidão vulgar;
Cujo engenho vivaz e senso capaz
Tão bem dispensam as farsas pesadas!
Para ti nenhum momento foi desperdiçado
Em sonhos vaidosos e gosto duvidoso,
Em mitos que todo fato nega
E belezas destinadas a olhos comuns;
Teu espírito, moldado para a nobre razão,
Examina e peneira o passado fecundo;
Seleciona o bem para uso brilhante
Com o que o presente pode produzir,
E une o todo, como convém a um sábio,
Às visões da era futura!
Como adora o olho admirador rastrear
Teu progresso na corrida gradual;
Marcar o poder crescente do teu espírito
Desde a hora despreocupada da infância tagarela!
Tua fala infantil, de índole erudita,
Com alegria recordo com frequência na mente:
A graciosa pilhéria, o conceito veloz,
O lance de sátira, ágil e cortante;
Os fatos ordenados, um vasto tesouro,
E o saber bem-conchavado da fantasia,
Tudo isso profuso, e primorosamente tecido
Ao engenho inestimável da sabedoria mundana!
Tão jovem e sábio! Contudo, à medida que teus anos
Aumentam, ainda maior juízo se manifesta.
Ainda posso ver teus dias crescentes,
Iluminados pelo clarão em expansão da arte;
Tua visão que se alarga, sempre brilhante
Com feixes de luz filosófica;
Teu raciocínio, muito mais vasto que o meu,
Proporcionado a um projeto altivo;
E o orgulho em si — dom imperativo —
Para erguer tua alma acima da turba!
E assim agora te postas, tão depressa crescido
Ao trono alto e vertiginoso da varonilidade;
Posso acreditar, eu que há tão pouco
Ainda te observava no estado da infância?
Usa bem, jovem sábio, teus novos domínios,
Nem menosprezes as dores mais cruas dos teus pares;
Que essa profunda sabedoria capaz de mostrar
A vacuidade daquilo que sabemos,
Te ensine a desprezar todas as coisas da terra
Salvo a bondade, a honra, o gosto e o valor.
Desfruta teus dias mais velhos em ventura —
Que apraza ao homem o que aprazia ao menino —
Nem deixes de admitir que, acima de tudo,
O contentamento permanece para te fazer abençoado.
Sê brando, embora erudito, nem te aflijas sem necessidade
Com todas as provações postas ao teu redor;
O mundo é imutável, nem tua vontade pode
Abrandar ou curar um único mal;
É papel da sabedoria moldar a mente
Para suportar cada aflição variável que encontramos;
Faze o que puderes com pensamento sereno,
Mas foge dos laços que vãs esperanças urdiram;
Que prazeres simples abençoem tua alma,
E modos gentis provem ser tua meta;
Adota o senso que o passado pode trazer,
Mas jamais te agarres a grilhões gastos;
Aceita o novo se puder agradar
Sem a perda da verdade ou da compostura,
Contudo rejeita aquela novidade cujo fascínio
É breve, e jamais pode perdurar.
Deixa que os balbucios da turba passem por ti,
Cujo âmago da alma se eleva solitário e altivo;
Contudo zomba deles com brandura, pois formam
Apenas redemoinhos sem mente na tempestade.
Fixa tua morada — um ponto pacífico —
Na gruta matizada da fantasia,
Onde com um pensamento podes possuir
Castelos e jardins sem limites;
Bosques etéreos e planícies floridas,
E os acordes comoventes da música feérica;
Reinos que nenhum olho vulgar pode ver,
Nem a cobiça vulgar subtrair de ti!
DAMON, teu caminho agora deve alcançar
Justamente o que teu senso sem guia puder ensinar.
Estás maduro, capacitado a escolher
A estrada a trilhar, as artes a usar.
E enquanto noto o marco da estrada transposto,
Lembrando-me de como tua mente é forjada,
Sorrio contente, por demais satisfeito em saber
Que a sabedoria te incita a caminhar!