Querido amigo humilde no labor e no jogo,
Dize a que região fugiste e te puseste em fuga!
Semana após semana tua vida atarefada passou-se
Dentro destas paredes clássicas em calma contentamento.
Tua nobre paciência, como os raios da Musa,
Inspirou meus esforços e adornou meus temas;
Até que eu passara a ter-te como guia,
Estritamente aliado a todas as minhas esperanças e empreitadas.
Quão bem teus talentos podiam cativar meus pensamentos!
Quão brilhante tua magia reluzia na página do Tryout!
Embora calmo teu talante e breves teus discursos,
Bem podia eu chamar-te de Editor-Chefe!
Ousará alguém dizer que teu posto era leve ou ínfimo,
Ou duvidar do esplendor de teu brilho celestial?
Que tais pessoas considerem com olhar atento
Os anais dos miríades de anos idos.
Foi uma aranha que salvou o líder do Islã
Quando este fugiu dos inimigos para dentro de uma caverna;
Nem pode a altiva Escócia ousar despachar
A humilde besta que ajudou seu monarca a erguer-se.
Até o maldito Huno deve falar com voz tacanha
Daquele que salvou o velho Frederico da morte.
Em suma, achamos a aranha entronizada com pompa;
Amiga das Nove, e guardiã dos grandes!
Mas tu, camarada provado de minhas horas atarefadas —
Para onde te esgueiraste com todos os teus poderes mágicos?
Terá alguma visão estranha de teu cérebro aracnídeo
Movido-te a deixar nossa esfera sórdida de dor?
Quente era teu lar, e bem-arranjado teu covil;
Tua carne e bebida supridas com terno cuidado;
Eram as moscas suculentas por demais escassas e distantes,
Ou faltava algo no querosene?
Com tristeza encaro teu domicílio vazio —
Tu, viajante fugaz de uma raça antiga!
Quem me dera poder, com o poder curioso da Fantasia,
Rastrear teus zigue-zagues até teu refúgio oculto;
Marcar cada passo secreto e ver-te postado
Como um potentado cetrado da terra das aranhas!
Que maravilhas insuspeitas podem existir
Nessas províncias distantes de teias e névoa!
Castelos de gossamer com seus fossos de orvalho;
E palácios de fadas pequenos demais para se ver;
Ou será teu Império de uma espécie mais sombria —
Algum ponto sepultado que o mundo deixou para trás?
Possuis algum templo, onde teus fios abraçam
A substância em ruínas da face de um Faraó,
Ou alguma cripta negra sob a areia movediça
Onde uma cidade esquecida costumava erguer-se?
Em Tiro e Cartago, Babilônia e Ur,
Luxor e Karnak, agitam-se tuas legiões;
Para ti e os de tua laia o mundo foi feito —
Teu reino começa quando o nosso decai.
Por escadas imemoriais, desconhecidas do homem,
Tua estirpe tecelã drapeja muitos tronos dourados;
Deuses com cabeça de carneiro; objetos sombrios demais para nomear,
Altares que outrora trouxeram uma chama ímpia,
Leões alados e sombrios feitos de rocha e latão,
E todos os tesouros que os déspotas podem amontoar —
Estes são teus domínios, errante desaparecido
Que há pouco se aquecia sob o sol brilhante de Haverhill!
Mas enquanto lamento, ou tateio através da minha fantasia,
Desperta no meu coração um frêmito de esperança;
Pois o generoso Pã, que governa o bosque primaveril,
Pode muitas vezes restituir as bênçãos perdidas de outrora:
Contente esperarei, e confiarei que ele trará
Minha aranha fiel com o retorno da Primavera!