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Life for Humanity’s Sake (Ensaio #28)

Life for Humanity's Sake

É com grande interesse que tenho observado as generalizadas hostilidades literárias geradas pela publicação do artigo da Srta. Elsie A. Gidlow sobre “A Vida pela Vida em Si” na *Wolverine* de outubro de 1919. Seu tema é daqueles que têm atraído minha atenção especulativa desde a mais tenra juventude e que, devido às minhas opiniões irredutíveis, frequentemente me arrastou para a polêmica. Ao oferecer comentários adicionais, meu objetivo é tocar na vertente filosófica tão prontamente combatida pelo Sr. Maurice Winter Moe, mas tão curiosamente negligenciada por aqueles que travaram disputa sobre a vertente artística. É possível que minhas observações venham a se desenvolver como uma resposta coletiva à Srta. Gidlow e ao Sr. Moe, em vez de uma resposta apenas à primeira; visto que, apesar de suas visões opostas sobre o teísmo, ambos parecem curiosamente semelhantes em sua postura estritamente doutrinária, em contraste com uma atitude genuinamente filosófica.

A Srta. Gidlow descobriu o fato de que não há uma vasta inteligência sobrenatural governando o cosmo — algo que Demócrito poderia ter-lhe dito vários séculos antes de Cristo — e está espantosamente perturbada com isso. Sem parar para considerar a possibilidade de aceitação de um universo mecânico e sem propósito, ela se esforça imediatamente para inventar um substituto para a mitologia que descartou; e prega como uma descoberta nova e surpreendente o antigo hedonismo egoísta cuja insensatez já era manifesta antes da morte de seu fundador, Aristipo. Há algo ao mesmo tempo divertido e patético na promulgação do hedonismo nesta complexa era de interdependência humana. Embora, naturalmente, a base última de todo ato humano seja o egoísmo, manifestado como um anseio por autoaprovação, é fácil perceber a completa e destrutiva inexequibilidade de qualquer sistema que exalte aquele egoísmo bruto e amoral que não foi refinado em um altruísmo delicado. Tal recaída bestial significa o fim da harmonia e da cooperação humanas e, portanto, da civilização.

O Sr. Moe, plenamente desperto para o absurdo da filosofia gidlowiana, escolhe infelizmente o mais primitivo, antiquado e falacioso dos métodos para refutá-la. Rejeitando as armas prontas fornecidas pela sociologia e pelo bom senso, ele recua para a noção arcaica de que o egoísmo brutal só pode ser combatido pela crença no sobrenatural; atacando assim o hedonismo puramente como um teísta e fortalecendo de fato a posição da Srta. Gidlow ao assumir que esta é a única posição lógica do racionalista. O Sr. Moe, em seu zelo por uma fé superada, prejudica a causa da virtude prática ao atrelar religião e moralidade tão intimamente que as preciosas verdades desta última fatalmente afundam junto aos dogmas obsoletos da primeira.

Quão nauseante é a eterna busca por “crendices” e “ideais” na qual teístas e ateus estão igualmente imersos! Por que a Srta. Gidlow e o Sr. Moe não descem à terra por um instante e encaram os problemas da vida tais como eles são? Somos todos insetos insignificantes e microscópicos de um momento; párias perdidos na infinidade, nascidos ontem e condenados a perecer amanhã para todo o sempre. Não temos razão para fazer as perguntas comezinhas de “de onde, para onde e por quê”, pois são apenas nossos intelectos finitos, subjetivos e rudimentares que conjuram a noção de propósito cósmico. De acordo com todas as evidências de que dispomos, viemos do caos e retornaremos ao caos; derivando em um ciclo mecânico cego, desprovido de qualquer coisa semelhante a uma meta ou objetivo. Tanto assim a Srta. Gidlow talvez conceda, contudo seu racionalismo parece terminar neste ponto. Tendo sua futilidade sido demonstrada, a humanidade como um todo deixa de lhe interessar. Ela se sente alegremente “desonerada” e voa em direção a gratificações individualistas.

Uma verdadeira filosofia ética só pode ser fundamentada sobre bases práticas. Não precisamos buscar uma meta, uma vez que a meta da evolução mental e a subordinação da dor estendem-se tão conspicuamente diante de nós. Nada podemos fazer a não ser tentar tornar a vida tolerável para o maior número de pessoas, e para conseguir isso devemos suplantar o egoísmo bruto por aquele egoísmo sutil que se expressa nos sacrifícios morais do prazer imediato em prol do bem comum e da tranquilidade. Não precisamos olhar para cima em busca de ídolos imaginários no céu vazio, mas não devemos recuar rumo à selvageria egoísta primitiva da qual evoluímos. Adoção o lema mais sólido de todos: a Vida pela Humanidade!