Epístola a Henry F. Thomas, Esq., Autor de “Uma Oração pela Paz e Justiça” no The Evening News de 23 de junho de 1916.
“Iniquissimam pacem justissimo bello antefero.”
Harmonioso THOMAS, cuja pena pacífica
Censura com réprobos uma terra iníqua;
Cujas ânsias pátrias a Honra pisam,
E pela humanidade em paixão quaker se abrissem:
Tua Musa, a voar em asas de pomba altaneira,
Em tom melífluo canta a doce Ignomínia e poeira!
Com que ousado afinco tua rima mansa relata
As virtudes de um Estado que jamais combate!
Como vibra o peito a ouvir teu desdém
Pelos tolos ímpios que pela pátria vão além!
Abstém-te, ó triplo pecador! Ousadia em vão
Defender o lar, ou preparar a união:
É erro, eu juro, refrear a fúria do invasor,
Quando a paz arbitra a era do esplendor!
Deixa o sanguinário Villa o Texas banhar;
Deixa o ardiloso Carranza tudo profanar;
A hordas selvagens estende a mão com fervor,
E acolhe o invasor como a um querido mentor:
Que importa se a teu irmão ontem mataram?
Devemos ser pios — lutar é o que erraram!
Enquanto amigos e parentes tombam na lide,
Cabe-nos arbitrar que a vida se despede!
Se algum rústico inimigo nossa mão rejeitar,
E a Paz desprezando, a guerra continuar,
Nosso dever é claro; devemos nos render;
Pois se ele erra, nós não vamos ceder!
Alegrai-vos, Querubins dos céus além!
Tocai vossas harpas, cantai o amor também!
Se o inimigo devora, se a tirania escraviza,
Evitamos a campa vil que a heróis agoniza;
Que os Céus preservem nossa raça dócil e mansa
Da coragem viril — que é a suprema chusma e lança!
Enquanto rudes e iníquos marcham sem pejo,
Ao chamado da pátria, em marcial desejo,
Armados de fuzil, rumo à peleja e ao estandarte
Para erguer nossa Bandeira sem arte;
A lágrima pacífica roga em seu percurso,
Sofrendo por ver o homem a tal recurso!
Fraternidade Humana! Ó laço sem igual,
Que nos une ao maneta Obregon, afinal;
Ao mestiço Villa, à mentira barbada
Que dita leis que sua horda ultraja e cala:
Com tais amigos, seria mesquinharia e mal
Recusar um pequeno sacrifício trivial!
Quão crasso e brutal era o antigo credo
Que pedia reparação, sem temor ou medo!
Vingança atroz! Era de pasmar, de fato —
E, pior de tudo, um tremendo desacato!
Mas tu, sábio incerto THOMAS, vais destruir
Os modos rudes que nos fazemferir;
O código atroz que nos faz desmaiar;
O orgulho que a santos faz espantar;
A teu mando a outra face damos na dor,
Buscando ofensas de um vizinho audaz e senhor:
Orgulhosos demais para lutar, rogamos o fim da lide,
E aceitamos o insulto para que a paz resside!
Descei! Fadas da comitiva de Titânia, em fim,
Para sorrir ao reinado de Ford e Bryan, sem assim;
Cantarolai com alegria, ó infantil legião,
Pois ao vosso mundo as palavras de THOMAS vão.
Sejamos alegres, e entre as flores de junho
No bosque entoemos nosso fole múnio:
Seguros estamos, pois o fragor da Guerra
Jamais suará na margem que Seekonk encerra!
A ti, iluminado THOMAS, vimos legar
A culta saudade que um culto dia há de dar.
Teu verso ímpar a esterilidade da Guerra revela,
E aviva a chama que o patriota zela;
Eleva a Razão ao trono que lhe convém,
E nos guia a glórias que ninguém tem:
Com mente sublime e discernimento sem fim,
Tu sabes de tudo — exceto de mim!