Revelada apenas por mapas secos e descritivos,
A terra da Helvétia, até que vossas páginas a dessem a conhecer,
Era para mim um país estranho e distante,
Não deste mundo, mas da geografia.
Os Alpes coroados de neve, por cujas encostas escorregadias
Em lenta descisão a geleira gigante desliza,
Onde o régio Reno e o torrencial Rono nascem;
Onde se erguem o Simplon e o Matterhorn,
Pareciam-me separados por um espaço tão vasto
Quanto Tycho, na face imutável da lua.
A azul Genebra, e a limpa Lucerna,
Pareciam menos lagos do que lições a decorar;
Enquanto o hospício de Bernardo, de imortal fama,
Mal era tanto um convento quanto um nome.
Meras marcações na esfera geográfica
Zurique e a formosa Berna pareciam,
Nem parte alguma se imprimiu com mais verdade
Em minha mente do que alguma vista fictícia.
Contudo, vossas descrições animam a cena;
Quem lê vossas palavras, à Suíça já foi.
O estudioso não viajante, trancado em suas portas,
Explora o pico altivo e o lago de cristal.
A terra viva se desdobra, e se afasta
Das secas delimitações do mapa.
Ouvimos a canção viva da torrente montanhesa;
Respiramos a revigorante atmosfera alpina;
E águas cintilantes nos raios brilhantes do sol
Avivam nosso espírito e prendem nosso olhar.
Guiados por vossa arte habilidosa e frases lúcidas,
Caminhamos por ruas históricas com ar reverente;
Pois que homem vive cujo peito falha em se inflamar
Onde a fé e a liberdade habitam sem moléstia?
O piedoso protestante, com devido orgulho,
Contempla a cidade onde Calvino pregou e morreu;
Enquanto mentes letradas do nobre clã de Clio
Deliciam-se no amado refúgio de Gibbon — Lausanne.
Mas para que continuar? Um tema como este
Transformará um rude saxão num suíço!
Viagem, avante! Em casa, viajamos ao estrangeiro,
Levados pelos capítulos vívidos de Munroe!
To Mr. Munroe, on His Instructive and Entertaining Account of Switzerland (Poesia #16)