Neste vídeo da série dedicada a analisar toda a obra de H. P. Lovecraft, exploramos "A Perdição que Veio a Sarnath", uma narrativa onírica escrita em 1919 e publicada em junho de 1920 na revista *The Vagrant*.
Se vocês estão acompanhando a playlist, já perceberam que Lovecraft gosta muito de narrativas oníricas, daquele tom em que o personagem está sonhando, mas ao mesmo tempo acordado, fazendo parte de uma realidade completamente diferente. O autor possui uma espécie de universo chamado de "Ciclo dos Sonhos", que não é necessariamente relacionado ao universo dos Mitos de Cthulhu de forma direta, embora traga criaturas de tipos variados.
Nesta narrativa, vemos muito disso. A história acompanha eras de uma terra antiga onde viviam seres grotescos parecidos com peixes, na cidade de Ib. Com a chegada dos humanos à região, eles não aguentavam mais conviver com aquelas criaturas. Houve muitas guerras até que os humanos conseguiram expulsar esses seres, que cultuavam o deus Bokrug — uma divindade parecida com Cthulhu, mas com características mais próximas a um lagarto. Os humanos exilaram essas criaturas para o mar próximo e fundaram a grandiosa cidade de Sarnath.
Sarnath prosperou durante muito tempo com seus próprios deuses. Pensem em uma Roma Antiga muito grandiosa e mágica. Todas as outras cidades ao redor empalideciam diante de sua grandeza, e todos os anos os habitantes celebravam a vitória sobre os seres de Ib. No entanto, em uma noite tempestuosa, um sacerdote que utilizava as torres gigantescas da cidade como observatório estelar acaba morrendo misteriosamente próximo a um altar, onde deixa escrito a palavra "Doom" (Perdição).
Essa premonição de perdição acaba tirando a tranquilidade do povo inicialmente, mas muitos e muitos anos se passam, e as gerações seguintes de sacerdotes acabam nem ligando mais para a profecia. Até que, no ano da comemorativa do primeiro milênio da vitória sobre Ib, vários reis acampam ao redor da cidade para celebrar. É quando seres surgem do lago próximo, trazendo consigo uma neblina mística que cobre todo o local, enquanto a maré do lago começa a subir.
As pessoas que estão acampadas do lado de fora fogem a tempo, mas, quando os habitantes lá dentro percebem o perigo, já é tarde demais. Os portões são invadidos por hordas daquelas criaturas com características de peixe, que massacram absolutamente todos os moradores. Os poucos que conseguem fugir jamais retornam, e a cidade entra em ruínas definitivas.
Muito tempo depois, quando Sarnath já está completamente arruinada, alguns aventureiros de cabelos loiros e olhos azuis se aventuram pelo local em busca de riquezas. No entanto, até as minas de metais preciosos da cidade haviam sido alagadas por aquela espécie de pântano místico, e no centro das ruínas eles encontram o ídolo do deus-lagarto Bokrug. O conto termina dessa maneira.
Lovecraft gosta muito de construir suas histórias como se tudo estivesse bem, gerando aquela sensação de conforto que precede o horror, o que é muito interessante. É um conto bastante descritivo, mas que compensa por isso. Se você gosta da mitologia de Lovecraft, vai curtir muito; e, mesmo que não goste, vale a pena para entender o estilo de escrita do autor. De qualquer forma, fica aqui mais a análise de hoje. Espero que tenham gostado e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!