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“O Depoimento de Randolph Carter” É ABSOLUTE LOVECRAFT!

O Depoimento de Randolph Carter: Análise do Conto Lovecraft

O universo de H.P. Lovecraft é repleto de mistérios cósmicos, e um de seus contos mais instigantes é "O Depoimento de Randolph Carter", obra que traz o famoso protagonista em uma narrativa curta, mas intensamente aterrorizante, baseada no medo do desconhecido e na contensão de informações.

Se vocês se lembram de algum conto que eu analisei anteriormente, esse nome talvez lhes seja familiar. Randolph Carter é um personagem muito importante que aparece em algumas outras histórias, incluindo aquela que comentei aqui no canal, "A Chave de Prata". É muito interessante ver como ele não atua apenas como protagonista, mas está profundamente envolvido nesses mistérios lovecraftianos. "O Depoimento de Randolph Carter" foi escrito em dezembro de 1919 e publicado pela primeira vez em maio de 1920 na revista *The Vagrant*.

A história é narrada em primeira pessoa, funcionando literalmente como um depoimento. O interessante é que nós, enquanto leitores, assumimos o papel quase de investigadores, como se estivéssemos exigindo esse relato e ele estivesse se dirigindo diretamente a nós. O Lovecraft demonstra aqui a sua genialidade e a própria essência de como o horror cósmico se diferencia do terror tradicional.

Randolph Carter é amigo de um acadêmico de ocultismo chamado Harley Warren. Warren havia recebido um livro da Índia — o famoso Necronomicon, provavelmente, pois ele menciona que estava escrito em árabe misturado com outros jargões e hieróglifos muito antigos. Esse amigo descobriu um método de estudo através do qual conseguia localizar lugares onde pessoas mantinham suas características físicas preservadas por muito tempo após a morte, quase como se estivessem esperando para serem ressuscitadas. Harley Warren convida Carter para uma incursão em um pântano remoto onde há um cemitério antigo tomado pela vegetação.

Ao chegarem lá, eles usam espadas para abrir caminho pelo matagal e contam com um aparato de lanternas e fios elétricos para comunicação. Ao removerem uma laje de granito, em vez de encontrarem um túmulo comum, deparaju-se com uma escadaria que desce para as profundezas da terra. É aqui que entra a genialidade de Lovecraft em contraste com outros autores. Enquanto uma história de terror convencional mostraria os dois entrando ou acompanharia quem de fato desceu, aqui Harley Warren diz a Carter: "Meu amigo, eu sei de coisas que você não quer nem saber, senão vai enlouquecer. Fique aqui e deixe comigo".

Carter reluta, mas Warren improvisa: pega um longo cabo de fio telefônico e diz que se comunicará de lá debaixo. O grande horror do conto começa justamente aí: com Carter preso na superfície, sozinho, imaginando coisas na escuridão enquanto as sombras parecem se mover ao seu redor. É o onírico e o oculto embrenhando-se na mente do personagem de forma instintiva.

Depois de muito tempo, o telefone mia um chiado e Carter consegue falar com Warren. O amigo relata o que está vendo, usando aquelas descrições pelas quais Lovecraft é tão conhecido — ou melhor, a ausência de descrição. Carter pergunta desesperado o que está acontecendo, e Warren responde que é indescritível e inominável. O amigo começa a entrar em pânico, dizendo que cometeu um erro e implorando para Carter fechar a tumba imediatamente. Carter oferece-se para descer e ajudar, mas Warren grita furiosamente para ele não fazer isso, pois as criaturas podem ser atraídas e aquilo é demoníaco.

A figura antes corajosa e compenetrada de Warren transforma-se em um homem completamente traumatizado. De repente, ouve-se um grito desesperado: "Acabou! Você ainda tem tempo, corta o fio e fecha a tumba, porque é melhor que um de nós morra do que os dois!". Segundos depois, ouve-se um último grito e o silêncio toma conta. Carter tenta se comunicar pelo rádio, entrando em estado quase catatônico, até que ouve um chiado e uma voz responde ao seu chamado. O conto termina com o depoimento revelando que a única coisa de que ele se lembra é daquela voz — uma voz indescritível, tentacular e aterrorizante — dizendo: "O seu amigo já está morto". Carter desmaia ao ouvir isso e acorda no hospital, tendo que prestar depoimento à polícia como suspeito.

Esse é um conto fenomenal. O que Lovecraft faz aqui é algo que todo escritor deveria experimentar, pois atiça a curiosidade do leitor ao extremo. Você não precisa mostrar a criatura ou o monstro para ser aterrorizante; basta fazer o leitor ciente de que ela está lá, sem saber exatamente o quê. É lógico que algumas pessoas acham isso tedioso ou criticavam o autor por essa escolha, mas eu acho simplesmente genial. Recomendo para todo mundo, e espero que estejam gostando desta playlist, pois pretendo trazer mais conteúdos assim.