Menu fechado

“A Árvore” – As árvores “somos nozes”! • LOVECRAFT

A Árvore de H.P. Lovecraft: Análise Completa do Conto

Neste vídeo da nossa playlist dedicada a analisar todos os contos de H. P. Lovecraft, examinamos a obra "A Árvore" (*The Tree*, no original em inglês), escrita em 1920 e publicada pela primeira vez em 1921 na revista *Tryout*.

O conto se passa na Grécia antiga, o que nos permite observar a admiração que Lovecraft tinha pela mitologia clássica. A história tem um caráter mitológico, funcionando como um relato de cunho místico — não sendo exatamente um horror cósmico, mas carregando esse tom de lenda. A trama começa na cidade de Arcádia, quando o tirano de Siracusa deseja uma nova estátua para sua cidade, especificamente uma representação de Tyche, a deusa da Fortuna.

Existem dois escultores principais, dois amigos fiéis considerados fenomenais em sua arte: Kalos e Muses. Ambos são homens afortunados financeiramente e extremamente respeitados por sua reputação artística, mas possuem estilos muito diferentes. Enquanto Muses se apropria mais da vida urbana, Kalos prefere o isolamento, vivendo na colina de Mênalo. É ali, junto a um cipreste, que ele passa horas e dias realizando seu trabalho.

Quando os emissários de Siracusa chegam e encomendam a estátua, oferecendo a mesma oportunidade e pagamento a ambos, os escultores iniciam o trabalho. No entanto, por ficar tanto tempo isolado naquele bosque e monte, Kalos acaba adoecendo. Muses, extremamente triste com a condição do amigo acamado, decide interromper seu próprio processo criativo para ajudá-lo, mas sem sucesso. A saúde de Kalos vai piorando continuamente até o momento de sua morte, mas não sem antes pedir a Muses que não construa uma tumba distante, pedindo apenas para ser enterrado ali mesmo, no monte Mênalo, junto ao cipreste.

Esses elementos adotados por Lovecraft têm relação com o misticismo, pois Kalos alegava saber se comunicar com a natureza, como se tivesse companhia naquele cipreste. Quando ele falece, Muses aceita seu pedido, sepultando-o próximo à árvore antes de retomar seu trabalho. Conforme se recupera, Muses passa a visitar o túmulo do amigo de vez em quando, até que um cipreste gigantesco começa a tomar conta da região. Sentindo-se conectado àquela árvore, ele passa a trabalhar ali também.

Meses se passam até que, em uma determinada manhã, os emissários de Siracusa chegam a Arcádia para cobrar as estátuas encomendadas, que ninguém havia visto até então. Os servos e escravos estão apavorados, pois houve um desabamento no monte Mênalo. Ao visitarem o local, os emissários encontram o cipreste com um formato bastante estranho, quase humano, que havia destruído tudo ao redor. Muses nunca mais foi visto.

O conto se inicia justamente explicando o motivo pelo qual as pessoas evitam o monte Mênalo por causa daquele cipreste, e posteriormente temos a confirmação de que Kalos e a árvore parecem ter se tornado um só. A narrativa termina com os emissários de Siracusa retornando para contratar outros escultores, mas encerra com um morador local, conhecedor da lenda, afirmando ter ouvido sons vindos entre os ramos do cipreste, como se houvesse uma conversa fantasmagórica. A história finaliza com uma espécie de provérbio ou resposta enigmática — "Eu sei, eu sei" —, deixando no ar a dúvida sobre o destino daqueles artistas e se eles continuariam a esculpir de alguma forma invisível.

Apesar de a nomenclatura antiga dos nomes e cidades poder causar certa confusão — exigindo anotações —, Lovecraft trabalha muito bem essa atmosfera mítica. Se você se interessa pelo tema, vale a pena conferir os diversos vídeos sobre mitologia grega e os clássicos gregos disponíveis aqui no canal do Universo Antares.