Neste vídeo da série dedicada à análise de todos os contos de H.P. Lovecraft, exploramos uma obra atípica do autor: uma colaboração literária focada na mitologia clássica e na poesia, completamente distante do terror cósmico tradicional.
E aí, pessoal do Universo Antares! Sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal, de volta à nossa playlist onde eu analiso todos os contos de H.P. Lovecraft. No vídeo de hoje, vou analisar um conto muito curioso com o título de "Poesia e os Deuses". Esse conto foi escrito em 1920 como uma colaboração entre H.P. Lovecraft e Anna Helen Crofts, que foi uma poetisa e amiga do autor, e foi publicado pela primeira vez na revista *The United Cooperative* em setembro de 1920.
Eu não sei nem como resumir esse conto. Primeira coisa que eu vou falar para vocês é que este não é um conto de terror, tá? Ele não envolve e não tem nenhum elemento de terror, tampouco o envolvimento de qualquer elemento dos Mitos de Cthulhu. Mas é um conto muito interessante porque vai trazer à tona o interesse que Lovecraft tinha pelas mitologias existentes no nosso mundo, mais especificamente a mitologia grega.
Mas qual é a premissa do conto? Como ele começa? Antes de mais nada, deixo claro que li nesta edição da *Daisey Classics*. Mas como o conto inicia? É um dos poucos textos de Lovecraft em que a personagem principal é uma mulher — se não me engano, este é o único que vi até hoje com essa característica —, e o nome dela é Márcia. Ela é essencialmente uma irracionalista; ela não vê com bons olhos, ou melhor, não encontra sentido no avanço tecnológico e no avanço científico. Ela encontra refúgio para a sua angústia na poesia. Até que, um dia, lendo versos, ela se depara com um poeta que acredita ter captado a essência dos deuses. Ela gosta tanto daquele poema que aquilo a inspira profundamente.
Após adormecer, ela tem uma experiência onírica em que é chamada e caracterizada como uma musa. Hermes chega até ela e diz que há uma mensagem de Apolo, mas para isso eles terão de visitar o Panteão dos Deuses. Lá, ela visita o panteão onde encontram Zeus e vários outros deuses, além de outros poetas que foram alavancados ao nível das divindades. Você tem Dante, Milton, Shakespeare; todos eles estão no mesmo nível dos deuses. Segundo Zeus, eles alcançaram a palavra das divindades, que muitos acreditavam estarem mortas, mas que na verdade apenas entraram em um sono profundo e dependem dos poetas para trazer sua mensagem. Afinal, os sonhos do poeta são as palavras dos deuses. Achei isso muito interessante.
Basicamente, Márcia vai conversando ali com eles, e cada um dá uma palinha da sua poesia, falando justamente sobre a ascensão dos deuses novamente. Ela fica maravilhada com aquilo. Zeus sai de seu trono, coloca a mão sobre ela e diz que ela também é uma poetisa digna, que ela também encontrou as palavras dos deuses e que vai atuar como mensageira. No entanto, ela vai ter que observar a chegada… Márcia fica desolada ao saber que terá de sair daquele lugar, mas o próprio Zeus a tranquiliza: "Não se preocupe, você precisa prestar atenção porque um bardo, um poeta muito específico, vai mostrar o caminho, e você vai saber quando encontrá-lo; através dele você vai nos reencontrar".
Ela acorda, e dias, meses e anos se passam, até que ela finalmente encontra esse poeta. Quando ele começa a compor, ela percebe que a poesia dele é digna de um deus — ou melhor, que aquela poesia se encaixaria perfeitamente para um deus. Nós não sabemos quem é o poeta que está compondo, e o conto termina aí.
É um conto muito interessante. Acho que ele é muito proveitoso se você gosta desse estilo de poesia, porque é escrito de maneira bem clássica. Se você curte os clássicos gregos, vai se amarrar, pois é cheio de referências. Lovecraft e Anna Helen Crofts se amarravam nisso; ela deu esses toques mais estéticos em termos de estrutura e poesia. Se você gosta desse tipo de narrativa, vai curtir bastante. Eu não gostei tanto, mas não é um conto ruim. Também não é um conto excelente e maravilhoso, mas é um texto bom e acho que vale a pena. No geral, é isso. Espero que tenham gostado e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!