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Star Wars – A trilogia novelizada é tão boa quanto os filmes? • @rayhanchamoun

Star Wars: A trilogia novelizada é boa? Análise

Para quem aprecia a expansão de universos cinematográficos para a literatura, as novelizações de grandes franquias costumam ser um prato cheio de curiosidades e novas perspectivas. Nesta análise da trilogia clássica de *Star Wars* publicada pela DarkSide Books, discutimos os acertos e tropeços dessas adaptações literárias em relação aos filmes originais.

E aí, pessoal do universo Antares, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal. No vídeo de hoje, vou falar um pouquinho sobre uma das minhas leituras recentes. Para quem não sabe, eu estou fazendo uma playlist onde analiso todos os contos do H. P. Lovecraft, porém leio outras coisas também, não leio só Lovecraft, como vocês podem ver. Uma dessas leituras recentes foi a novelização da trilogia *Star Wars*, publicada pela DarkSide Books. Essa trilogia adapta o *Episódio IV: Uma Nova Esperança*, o *Episódio V: O Império Contra-Ataca* e o *Episódio VI: O Retorno de Jedi*. A gente conhecia *Star Wars* aqui no Brasil como *Guerra nas Estrelas*, mas hoje em dia a maior parte das pessoas fala *Star Wars*.

Eu queria comentar sobre essa obra. Como vocês podem ver, ela é relativamente grande. Eu tenho essa edição que esteticamente é muito bonita, mas tem uns problemas de tradução que vou comentar daqui a pouco. Por que eu trouxe essa leitura para o canal? Porque muitas pessoas têm um preconceito com as novelizações. A novelização é quando você pega uma mídia — por exemplo, uma música, um filme, um seriado televisivo, um jogo eletrônico — e faz o caminho reverso, adaptando-a para uma novela, para uma história em prosa. Geralmente, vemos o contrário: filmes criando roteiros adaptados a partir de obras literárias. Mas o contrário também é válido, e acho que há muitas novelizações boas, como é o caso desta trilogia.

Os autores são, obviamente, George Lucas (o criador de *Star Wars*), Donald F. Glut e James Kahn. A tradução do Episódio IV foi feita por Antônio Tibal, a do Episódio V por Alexandre Matias e a do Episódio VI por P. H. Risate. Vou começar apontando os aspectos positivos. Se você não conhece *Star Wars*, é um universo de ficção científica e fantasia. Muitas pessoas acham que *Star Wars* é puro sci-fi, mas desculpa, tem muita fantasia ali, embora haja sim elementos de ficção científica. Estou começando uma era pop no canal, onde vou analisar diversas histórias da literatura pop, e é muito maneiro ver como *Star Wars* é influenciado por essas narrativas clássicas.

É um universo que tem a força como seu diferencial, funcionando como uma magia usada por guerreiros poderosos chamados de Jedi, que empunham sabres de luz. É claro que existe o lado negro. Na narrativa, o lado negro está vencendo, com o Império tomando a galáxia com seu poderio totalitário, enquanto uma Aliança Rebelde luta contra essa força maior. Acompanhamos a trajetória de Luke Skywalker, filho adotivo de fazendeiros no deserto de Tatooine. Ele recebe um chamado para a aventura quando um compartimento de nave cai próximo dali com os robôs C-3PO e R2-D2, trazendo a mensagem da princesa Leia — irmã de Luke, embora ele só descubra isso bem mais tarde. Ela pede ajuda a um tal de Obi-Wan Kenobi.

A partir disso, Luke leva a mensagem até Obi-Wan, que decide embarcar na jornada para ajudar Leia, enquanto Darth Vader persegue os últimos rebeldes. Para conseguirem fugir, eles contam com a ajuda de um caçador de recompensas e seu amigo peludo: Han Solo, interpretado no cinema por Harrison Ford, ao lado de Luke (Mark Hamel) e Leia (a já falecida Carrie Fisher). Junto com Chewbacca, eles partem na Millennium Falcon para vivenciar inúmeras aventuras, à medida que a Aliança avança em seus esforços para deter o Império.

O que eu acho muito interessante no livro é como ele capta muito bem a essência daquilo que é *Star Wars*. A franquia não se resume ao cinema; é um universo muito rico que pode ser vivenciado em diferentes mídias. Veja o primeiro parágrafo do Episódio IV para perceber a atmosfera:

> "Era um vasto Globo brilhante e ele lançava no espaço uma luz Topázio tremulando, mas não era um sol assim. O planeta tinha enganado homens por muito tempo; só após se aproximarem da órbita ao redor dele é que seus descobridores perceberam que este era um mundo e um sistema binário, e não o terceiro sol. A princípio parecia certo que nada poderia existir em tal planeta, muito menos humanos. Ainda assim, ambas as gigantescas estrelas G1 e G2 orbitavam o centro comum com uma regularidade peculiar, e Tatooine dava voltas ao redor delas, longe o suficiente para permitir o desenvolvimento de um clima estável, ainda que admiravelmente quente em sua maior parte. Aquele era o mundo desértico e seco cujo inusitado brilho estelar amarelado era resultado da dupla luz solar atingindo areias e planícies ricas em sódio. A mesma luz solar repentinamente brilhou na fina pele de uma figura metálica caindo de maneira insana rumo à atmosfera."

Perceba como é cinematográfico o ambiente em que *Star Wars* acontece. Diferentes planetas são exuberantes e lindos, e até os planetas feios conseguem ser marcantes. *Star Wars* é sobre a luta clássica entre o bem e o mal. A Jornada do Herói é muito bem estruturada e agrada a muitas pessoas. Esse conceito foi estudado por Joseph Campbell em *O Herói de Mil Faces*, onde ele mapeou mitos antigos em uma estrutura narrativa que George Lucas usa e abusa para criar sua história. Isso torna a narrativa rica.

É claro que, como novelizações de filme, os livros têm entre 150 e 200 páginas cada. Somados, são relativamente grandes, mas analisados de forma independente, não são tão extensos. Muito fica resumido porque já temos o universo cinematográfico. Esses livros foram publicados originalmente entre 1976 e 1983. O roteiro serve muito mais como uma bússola do que como uma adaptação cinematográfica tradicional, porque muitas descrições aqui são confusas e só podem ser visualizadas de fato quando você olha para o filme. A maneira como descrevem certos objetos e alienígenas soa um pouco confusa, embora, em algumas partes, isso atue em favor da narrativa literária.

O mais interessante é que esta história representa o marco inicial de tudo, sendo um bom exemplo para escritores. George Lucas faz uma introdução em cada livro falando sobre seu processo criativo. Muito disso se alinha à "teoria do iceberg" de que fala Brandon Sanderson: você não precisa saber de tudo, só precisa mostrar a pontinha do iceberg para que, no futuro, os leitores descubram os mistérios. Por exemplo, o fato de Darth Vader ser pai de Luke já era sabido por George Lucas, mas a história funciona independentemente disso no primeiro livro. O segundo e o terceiro filmes são bem mais dependentes entre si.

Meu processo de leitura foi ler o livro e depois assistir ao filme, sucessivamente. De fato, são excelentes novelizações. A escrita varia do médio para o excelente, sendo na maior parte mediana — com muitas metáforas que não passam disso. Mas isso não é necessariamente ruim; é uma narrativa sincera, e os personagens ganham vida, especialmente nos últimos livros. O chamado para a aventura não soa tãão convincente porque a história já foi segmentada primeiro no cinema, faltando tempo de desenvolvimento interno de pensamento. Do ponto de vista literário puro, isso é fraco, mas funciona perfeitamente para acompanhar a estrutura do filme, cumprindo bem o papel de uma novelização.

Quanto aos problemas, o meu principal incômodo é com a tradução, que tem muitos erros de português, parecendo muitas vezes fruto de um tradutor automático: há artigos femininos para palavras masculinas, plurais cortados ou frases truncadas. Além disso, não gostei particularmente do modo como, no terceiro livro, o autor descreve as onomatopeias. Criaturas como Chewbacca se comunicam de um jeito rosnado, e R2-D2 se comunica através de bipes. No terceiro livro, pelo fato de não ter sido feito pelo mesmo autor, isso muda e as onomatopeias passam a ser descritas por extenso — em vez de o autor apenas dizer que R2-D2 fez um bipe, ele escreve o som de forma literal no diálogo. Achei isso um pouco infantil e acabou prejudicando o ritmo do texto, pois a linguagem dessas criaturas é intencionalmente ininteligível no cinema; tentar soletrar esses sons na literatura não agrega sentido.

De resto, acho que é uma trilogia que vale muito a pena. Demorei um tempinho para ler porque sou uma tartaruga na leitura. Para vocês terem uma ideia, só o omnibus tem 528 páginas; é grandinho, mas esta edição é bem acessível. Como sou fã de Star Wars e gosto muito dos jogos, quero embarcar também no universo expandido literário, seja no cânone ou no *Rebels*. Ter essa trilogia como recordação de um dos grandes clássicos, mesmo tendo surgido primeiramente no cinema, é essencial para a minha coleção. É um item que considero indispensável. Espero que tenham gostado deste vídeo e vejo vocês no próximo. Até mais!