[Música] Sejam bem-vindos de volta a mais um vídeo da nossa playlist onde analisamos tudo o que H. P. Lovecraft escreveu. No vídeo de hoje, vamos examinar o conto intitulado "O Caos Rastejante", escrito entre 1920 e 1921 em colaboração com a poetisa Winifred V. Jackson, e publicado em abril de 1921 na revista *The United Cooperative*.
Antes de entrarmos na história, cabe salientar que li o conto na edição *The Complete Works of H. P. Lovecraft* da Delphi Classics, mas ele pode ser encontrado facilmente na internet. Caso tenham dificuldade, deixem um comentário que eu ajudo.
O conto tem um narrador que não é nomeado, o que faz dele uma possível projeção ficcional do próprio autor e, ao mesmo tempo, um personagem não confiável. Digo isso porque a narrativa começa com ele alegando fazer uso de ópio. Vale mencionar que havia na época uma crise do ópio: uma quantidade exorbitante da substância era contrabandeada pelos chineses, viciando muita gente não apenas na China, mas também em países como Estados Unidos e Reino Unido. O personagem principal relata uma dor lancinante na cabeça que os médicos não conseguiam resolver, motivo pelo qual lhe prescreveram opioides. Ele acaba ficando viciado a ponto de sofrer uma overdose, e é justamente durante essa overdose que ele tem a visão central da história.
Ele "acorda" em uma espécie de praia completamente desolada. Ele se encontra em um quarto de estilo oriental, que mistura decorações e tapeçarias do Oriente Médio e da China com elementos arquitetônicos góticos ingleses. Confuso, ele encontra um corredor próximo e caminha até uma janela sobressalente no fim dele. Lá, ele vê o mar e percebe que está em uma ilha ou precipício de terra avermelhada, onde duas massas de água parecem se degladiar enquanto um enorme tornado aquático se forma. Essa tempestade começa a engolir a terra aos poucos, apavorando o protagonista, que fecha a porta e tenta fugir.
Ele encontra um caminho de areia que leva da casa para uma região de vegetação tropical ou subtropical. Enquanto atravessa a mata, ele ouve um som reverberando, quase como um cântico odioso, dando a impressão de que o mar ganhou vida ou está aterrorizado com o que habita em seu interior — uma descrição muito interessante tipicamente lovecraftiana. Ele avança pela vegetação até encontrar uma árvore grandiosa, quase celestial, onde é recebido por uma criatura semideusa, semelhante a um fauno, uma entidade muito bela com um halo de energia angelical. Essa criatura diz que eles precisam partir para outro lugar, citado como Citara. Ele começa a ascender junto com outras criaturas semelhantes que entoavam aquele cântico, subindo em direção ao espaço.
Quando olha para trás, vê que aquele pedaço de terra e várias regiões do planeta, incluindo Paris, foram completamente dizimados e engolidos pelas águas. É o caos rastejante consumindo tudo. O conto termina quando ele olha para trás de novo — incapaz de conter a curiosidade — e percebe que seus companheiros, que falavam sobre cidades além da Via Láctea, desapareceram. Ele entra em loucura, acorda, e o conto se encerra com ele afirmando ter tido uma visão que prefere não mencionar. No fim das contas, fica a lição moral de que não devemos usar drogas.
Apesar de o título fazer referência ao "Caos Rastejante" (um dos apelidos de Nyarlathotep), a entidade não é mencionada explicitamente na história. Acredito que isso se deva ao fato de Lovecraft estar trabalhando em colaboração com a poetisa, o que o levou a explorar caminhos diferentes, mas igualmente interessantes. E vocês, o que acharam do conto? Deixem suas opiniões e nos vemos no próximo vídeo com a análise de mais uma história. Até lá!