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“O Pântano da Lua” – Pororoca lovecraftiana! – LOVECRAFT

O Pântano da Lua: Terror Cósmico de H.P. Lovecraft

Situado em uma propriedade ancestral repleta de lendas sombrias e ruínas misteriosas, "O Pântano da Lua" explora o terror cósmico através da arrogância humana diante de forças primordiais e desconhecidas.

Escrito em 1921 e publicado pela primeira vez na edição de junho de 1926 da revista *Weird Tales*, "O Pântano da Lua" é um conto muito interessante. Nele, acompanhamos novamente um protagonista sem nome que não é o foco principal das atenções; o centro da narrativa é seu amigo, Denis Barry. Barry é um descendente de irlandeses que conquistou fortuna ao longo da vida e, após muita labuta, comprou de volta a terra de seus ancestrais, decidindo reformar toda a propriedade. A maior parte das pessoas e dos locais era favorável à empreitada, parabenizando-o por revitalizar um lugar tão bonito que antes estava abandonado.

Tudo muda, no entanto, quando ele olha para o pântano próximo e decide que seu lado empreendedor fala mais alto. Ele resolve desmatar a região para ver se consegue encontrar as ruínas de civilizações antigas de que tanto falam — ruínas que parecem não pertencer a nenhuma tribo antepassada ou civilização conhecida. Isso o intriga, mas o que realmente o compele a fazer essa reforma e desmatamento é o desejo de conseguir mais terras para plantação. No entanto, ao saberem disso, os criados, trabalhadores e pedreiros da casa ficaram completamente aturdidos e abandonaram o local, sem que Barry entendesse a superstição daquele povo. Eles diziam que não era bom mexer no Pântano da Lua, pois coisas antigas e sinistras moravam ali.

Ficando muito solitário, Barry convida seu amigo, o protagonista da narrativa, para visitá-lo enquanto contrata trabalhadores de outras regiões do norte, que não compartilham daquela superstição. O ponto interessante é que tanto o protagonista quanto Denis acham tudo aquilo pura superstição, acreditando que essas lendas antigas não têm fundamento. Contudo, tudo muda quando, numa noite, o protagonista tem sonhos muito estranhos. Ele começa a ouvir uma espécie de música, uma sinfonia muito tênue, mas ao mesmo tempo muito hipnotizante, ficando intrigado a ponto de não conseguir dormir direito. Até aí, nada demais, nenhum problema maior.

Na manhã seguinte, ele indaga os trabalhadores: "Vocês estão ouvindo por acaso alguns sons?" Os pedreiros e outros trabalhadores respondem que também ficaram muito cansados e que ouviram alguns sons parecidos em sonhos, cujas descrições eram estranhamente próximas. Apesar disso, a expedição avança. Denis Barry, com seu ímpeto americano, afirma que eles vão seguir em frente e que faltam poucos dias para a empreitada começar oficialmente. Faltavam apenas um ou dois dias para eles iniciarem os trâmites e irem até o pântano fazer a expedição.

Na noite seguinte, porém, o protagonista novamente não consegue dormir, mas desta vez fica claro que não se trata de um sonho; ele sente que está ouvindo algo de fato. Ele observa pela janela e percebe o brilho de um luar que não parece emitido pela lua, mas sim um brilho espectral. Ao fitar o exterior, ele vê os trabalhadores dançando com criaturas fantasmagóricas e indescritíveis. O personagem fica atônito e aturdido ao ver essa procissão de criaturas em direção às águas do pântano, acompanhadas pelos trabalhadores que continuam naquela dança.

No dia seguinte, o protagonista, já amedrontado, sugere que é melhor desistir, mas Denis não lhe dá ouvidos. A última noite é o momento em que tudo acontece e o clímax da narrativa se revela. O protagonista acorda de supetão com um brilho aterrorizante, um tom vermelho e espectral muito mais intenso do que antes, acompanhado por uma cacofonia hipnotizante também amplificada. Ele tenta se defender evitando olhar para a janela, mas chega um momento em que precisa ir até a janela do lado norte. Lá, ele vê novamente aquela prisão diabólica de trabalhadores que, agindo como sonâmbulos e andando de quatro como animais, seguem as criaturas em direção ao pântano e desaparecem.

Completamente aturdido, ele decide que é hora de ir embora. Ele veste suas calças e indumentária e foge, mas não sem antes ouvir um grito horrendo emitido por seu amigo Denis Barry vindo dos andares de baixo. Fugindo às pressas, todo desgrenhado por conta da noite terrível, ele olha para trás e percebe que a visão que teve do amigo o enlouquecera. Ele foi encontrado no dia seguinte vagando como um lunático, revelando esse triste desfecho de Denis Barry.

Considero o conto muito interessante porque, mais uma vez, Lovecraft trabalha com a ideia de que não conseguimos enxergar com clareza o que está acontecendo, mantendo o mistério do que poderia ter sido. Acho fascinante essa dinâmica que vai se lapidando à medida que a cronologia de sua obra avança, mostrando como ele se aprimorava na arte de construir esse suspense. Enfim, é uma história fascinante; espero que tenham gostado e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!