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A Morte de Ivan Ilitch [TOLSTOI] – RESUMO

A Morte de Ivan Ilitch: Resumo e Análise da Obra

A novela *A Morte de Ivan Ilitch*, escrita por Liev Tolstói, é uma das obras mais profundas da literatura mundial sobre a inevitabilidade da morte e a superficialidade da vida burguesa. A seguir, apresenta-se um panorama completo da trama e dos conflitos existenciais enfrentados pelo protagonista ao longo de sua trajetória e de sua doença.

Ivan Ilitch é filho de um burocrata e acaba se tornando ele próprio um burocrata. Ele é o irmão do meio entre três irmãos: o mais novo, muito estourado e explosivo, e o mais velho, extremamente frio. Ivan Ilitch ocupa uma posição intermediária; é frio o suficiente quando precisa ser, mas também sociável, dotado de um certo calor decorrente de suas habilidades sociais.

Ao longo da vida, Ivan Ilitch consegue uma esposa e alguns filhos. Os primeiros cinco filhos desse casamento, que dura vinte anos, acabam morrendo, mas dois restam: uma filha mais velha, de dezessete anos, e um filho mais novo, com por volta de treze ou quatorze anos. Ele passa vinte anos casado com uma mulher que é muito inteligente, bonita, sagaz e legal, mas que também é meio histérica e acaba fazendo um verdadeiro inferno na vida dele durante um bom tempo.

Ivan Ilitch morre por volta dos seus 45 anos. O livro, contudo, começa justamente pelo seu funeral; as primeiras nove páginas se passam no velório, para depois trazer todas essas informações sobre o seu passado. Ele tem uma vida bastante tranquila. Começa a carreira como assistente de advogados, trabalhando com advocacia e direito em geral, e vai subindo na hierarquia, acumulando promoções até virar juiz de suprema corte. Ele exercia um cargo equivalente ao de um ministro do Supremo Tribunal Federal, embora na Rússia daquela época — que era um império e nem sequer configurava uma federação — o poder desse tipo de magistrado não fosse o mesmo de um tribunal supremo contemporâneo no Brasil. Ainda assim, tratava-se de uma função de grande prestígio.

Nos momentos de lazer, ele gosta muito de *whist*, um jogo de cartas que era sua atividade favorita. Sua vida é monótona, pacata e do jeito que ele gosta. No entanto, por volta dos 45 anos, ele sofre um acidente: bate a lateral do tronco e começa a se deparar com problemas de saúde. A principal suspeita deixada pelo livro é uma inflamação no ceco, uma parte do intestino grosso situada logo acima do apêndice. Não se trata, portanto, de apendicite nem de rim flutuante, que foram as duas primeiras hipóteses levantadas. O problema é que a medicina da época não sabia como lidar com a condição, e ele passa a agonizar terrivelmente. Sente refluxos constantes, com um gosto ruim subindo o tempo todo à sua garganta, o que destrói a sua rotina e o impede de desfrutar dos prazeres de antes.

Conforme a doença avança, Ivan Ilitch percebe-se cada vez mais isolado. Ele nota que está sozinho dentro de sua própria família, no ambiente de trabalho e entre os amigos. Esse isolamento o leva a questionar o próprio passado. Nos últimos quatro meses de vida — duração exata do período que vai desde o surgimento dos sintomas até a sua morte —, já com 45 anos, ele reflete profundamente sobre a existência. Entra em monólogos internos intensos, conversando com a alma, em um diálogo solitário no qual a sua própria consciência lhe responde, aspecto este explicitamente apontado pelo narrador.

Ao analisar sua trajetória desde a infância até o momento presente, Ivan Ilitch percebe que a vida foi piorando progressivamente. A infância foi um período maravilhoso, quase como um mundo mágico. Na época da faculdade, ele manteve amizades verdadeiras e sinceras. Depois, embora tenha continuado a ver algumas dessas pessoas, distanciou-se, tornando as relações cada vez mais profissionais. Em seguida, conheceu a esposa e apaixonou-se de verdade por ela, sendo este um dos poucos momentos genuinamente bons de sua vida. No entanto, logo após os primeiros meses de gravidez da mulher — após conviverem por cerca de um ano —, o casamento transformou-se em uma desgraça. O primeiro ano dos vinte de casamento foi ótimo, mas o restante tornou-se um inferno, por culpa mútua.

Com o passar dos anos, os prazeres tornaram-se cada vez mais escassos, dando a impressão de que ele havia vivido uma vida que não era a que realmente desejava. Ele identifica que a flexibilidade e a adaptabilidade que demonstrava nas relações sociais funcionavam, na verdade, como formas de resistência a si mesmo. Ele havia recusado a própria essência inúmeras vezes em prol daquilo que acreditava ser o correto. E o que era o correto? Literalmente o que os outros achavam correto; sua moral era inteiramente ditada pela sociedade.

Diante da morte, contudo, nada disso compensa. Parece-lhe profundamente injusto, pois ele sente como se tivesse o direito de ser imortal, questionando-se: "Como assim eu vou morrer? Eu fiz tudo certo, por que estou sofrendo tanto?". Ele passa a ter imensa dificuldade em aceitar o fim de sua vida antiga e a encarar a nova realidade.