O terceiro volume das aventuras de *O Cavaleiro dos Setes Reinos*, de George R. Martin, intitulado *O Cavaleiro Misterioso*, mergulha profundamente nas intrigas políticas de Westeros, combinando o fascínio dos torneios medievais com uma conspiração de proporções perigosas. Passada em 212 d.C., dezesseis anos após a Primeira Rebelião Blackfyre, a trama acompanha o cavaleiro andante Sor Duncan, o Alto, e seu escudeiro Egg — o jovem príncipe Aegon Targaryen disfarçado — em uma jornada pelas Terras Fluviais rumo ao Norte, onde pretendiam servir ao Lorde Beron Stark contra os ataques dos Homens de Ferro. Movidos pela necessidade urgente de dinheiro para sobreviver e manter o disfarce de Egg, os protagonistas aceitam o convite para participar de um grande evento: um torneio realizado no casamento de Lorde Ambrose Butterwell com uma das filhas da Casa Frey em Alvas Paredes.
No caminho, Dunk e Egg cruzam com uma comitiva nobre liderada por Lorde Gormon Peake, um ex-partidário dos Blackfyre que perdeu suas terras após o levante, acompanhado por Lorde Allen Caswell e um jovem cavaleiro andante e tocador de alaúde que se apresenta apenas como Sor John, o Violinista. Conforme se aproximam das festividades, a atmosfera festiva esconde um cenário profundamente tensou. Egg, com sua perspetiva aguçada, rapidamente percebe que a maioria dos convidados no casamento são antigos apoiadores da causa dos dragões negros, levantando suspeitas imediatas sobre a verdadeira natureza daquele encontro.
Durante os banquetes, Dunk tem um encontro enigmático nos telhados com o Violinista, que revela ter tido sonhos proféticos — um traço marcante da linhagem Targaryen — sobre Dunk servindo na Guarda Real e sobre o nascimento de um dragão. O torneio é iniciado com o objetivo de premiar o vencedor com um valioso ovo de dragão, o que atrai diversos cavaleiros andantes, incluindo velhos conhecidos como Sor Maynard Plumm e Sor Glendon Ball. Decidido a garantir o sustento da dupla, Dunk entra na competição como um cavaleiro misterioso, mas acaba derrotado e humilhado logo na primeira investida por Sor Uthor Underleaf, que mais tarde revela ter sido subornado para eliminá-lo.
A situação degenera rapidamente quando o cobiçado ovo de dragão é roubado e a culpa recai injustamente sobre Sor Glendon Ball, que é preso sob tortura. Enquanto isso, Dunk descobre a verdadeira identidade por trás do disfarce de Sor John, o Violinista: trata-se de Daemon II Blackfyre, e o torneio inteiro não passa de uma fachada meticulosamente armada para deflagrar uma nova rebelião contra o reinado pacífico de Aegon II Targaryen, o Bom. Para piorar, Allen Caswell tenta assassinar Dunk em um pátio isolado após emboscá-lo, mas o cavaleiro sobrevive com a ajuda oportuna de Sor Maynard Plumm e despacha o traidor para o fundo de um poço.
Enquanto o caos político consome as festividades, Egg protagoniza uma jogada de mestre. Ao se ver encurralado no ninho de cobras que se tornara Alvas Paredes, o garoto revela sua verdadeira identidade real a Lorde Butterwell e aos Freys, blefando ao afirmar que um enorme exército liderado pelo Príncipe Maekar já marchava para esmagar a conspiração. O blefe funciona perfeitamente, paralisando os conspiradores pelo pânico.
No clímax dos acontecimentos, Dunk confronta publicamente os traidores, desmascara a armação contra Glendon Ball e exige que este prove sua inocência em um combate singular. Mesmo debilitado e ferido, Ball derrota facilmente Daemon Blackfyre. A rebelião é sufocada antes mesmo de ganhar força real, pois o castelo é imediatamente cercado pelas tropas lealistas lideradas pela Mão do Rei, Lorde Brynden Rivers, o Corvo de Sangue. É revelado que o roubo do ovo de dragão fora orquestrado pelo próprio Corvo de Sangue com o auxílio de espiões infiltrados.
As consequências para os conspiradores são severas: Lorde Gormon Peake é executado, a Casa Butterwell perde a maior parte de sua riqueza e tem seu castelo, Alvas Paredes, completamente demolido. No final, enquanto o pretendente Blackfyre é mantido prisioneiro e humilhado, Corvo de Sangue expressa seu espanto pelo risco absurdo que Dunk correu ao carregar o futuro rei por Westeros. Contudo, permitida a continuidade da jornada, Dunk e Egg partem mais uma vez para a estrada, marcados por uma valiosa lição sobre honra, lealdade e os perigos traiçoeiros da política dos Sete Reinos.