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A Mão do Macaco — Por que você NUNCA deve tocar nessa relíquia?

A Mão do Macaco: Por que você nunca deve tocar nisso?

Em algumas histórias de terror, o medo não está no monstro que aparece de repente; está naquilo que parece pequeno e inofensivo, mas que carrega algo profundamente errado. *A Mão do Macaco*, de W. W. Jacobs, é exatamente esse tipo de conto: uma história curta, simples e fácil de ser lida, mas cruel naquilo que sugere. E se todo desejo realizado cobrasse um preço? E se mexer no destino fosse, por si só, uma forma de destruição, algo que te arrastasse até ele sem medências?

A história começa com a família White, composta por pai, mãe e filho. Os pais já são idosos, e o filho é quem lhes faz companhia e trabalha para sustentar a casa. Eles estão reunidos em residência numa noite fria e chuvosa. Há uma sensação de conforto, um clima bom. O pai joga xadrez com o filho, enquanto a mãe tece vários comentários, provocando e brincando. Tudo parece extremamente seguro e tranquilo, até que o senhor White percebe um leve barulho lá fora.

É então que chega o sargento-major Morris, um velho conhecido do pai e amigo de infância. Ele traz consigo histórias de terras distantes, mais especificamente da Índia, e algo ainda mais estranho: uma relíquia amaldiçoada, a mão do macaco. Segundo ele, um velho faquir lançou sobre o objeto um encantamento para provar que os homens não devem interferir no curso da vida — toda essa questão do destino inescapável. A mão concederia três desejos a três pessoas diferentes, mas sempre com consequências terríveis.

Enquanto estão ali diante da lareira, dá para perceber que o sargento Morris não fala da mão do macaco como quem conta uma superstição boba. Ele está tenso, um pouco assustado. A família olha e presta atenção em tudo o que ele fala, mas trata aquilo como apenas mais uma história de terras distantes. Morris, no entanto, fala de forma diferente; fala como alguém que viu demais. Ele mesmo já tinha feito seus desejos e disse que se arrependia — inclusive, não chega a revelar o que pediu. Numa gestual revelador, ele pega a mão do macaco e a joga no fogo, como se quisesse destruí-la. Espantado e tomado por uma certa ganância ao saber dos três desejos, o senhor White imediatamente resgata o objeto e, com isso, sem perceber, acaba selando o seu destino.

Eles continuam conversando, e o sargento Morris insiste para que o senhor White destrua o objeto, mas este não liga. Para ele, as coisas parecem um pouco ridículas, principalmente por causa do tom das outras histórias contadas pelo amigo. A família brinca com a situação e, meio em tom de piada, o senhor White faz seu primeiro desejo. Ele pede apenas duzentas libras, uma quantia modesta para a época. Não pediu nada extraordinário, nada muito glorioso, imortalidade ou coisa do tipo; pediu apenas a quantia exata para quitar a hipoteca de sua casa.

O leitor pode achar um pouco estranho: poxa, ele pediu algo tão pouco, talvez eu tivesse pedido mais. Mas como as coisas vão se desdobrar daqui por diante? Como uma quantia tão pequena, algo apenas necessário e simbólico, pode desencadear algo tão ruim? O senhor White até se assusta um pouco ao fazer o pedido, pois diz que a mão do macaco se mexeu, mas nada acontece. Eles brincam, acham que é tudo mentira e vão dormir.

No dia seguinte, a vida segue e nada parece acontecer. Seu filho, Herbert, já havia saído para o trabalho como fazia todos os dias, pois era ele quem sustinha a casa. Nada fora do normal até aí. Mas então chega à casa um funcionário da empresa onde Herbert trabalhava, trazendo a notícia da morte do rapaz em um acidente brutal: Herbert ficou preso nas engrenagens de uma máquina e acabou falecendo ali mesmo.

Como compensação, a empresa pagará à família exatamente a quantia desejada: duzentas libras. É nessa primeira parte que o conto revela toda a sua crueldade. O desejo foi atendido, mas as consequências chegaram da pior forma possível. O pai desmaia.

Os dias vão passando e, claro, a casa já não é mais a mesma. Herbert, que trazia vida ao lar, que era um jovem brincalhão e fazia companhia aos pais, já não está mais ali. A família vive o luto, e o conto abandona qualquer aparência de leveza. Agora dividido em duas partes, acompanhamos a vida dos pais já conscientes do que aconteceu com o filho e sabendo que a mão do macaco realmente funciona — tudo o que o sargento Morris contara era verdade.

Resta apenas o luto, mas a senhora White, consumida pela dor, percebe algo sedutor: eles ainda não fizeram os dois desejos restantes. Se a mão do macaco foi capaz de trazer exatamente as duzentas libras, ainda que acompanhadas da morte do filho, talvez pudesse também trazê-lo de volta para casa. É isso que ela passa a exigir. O senhor White não quer; ele já conhece as consequências e quer se livrar daquilo. Contudo, a mãe, tomada pela dor do luto, acaba convencendo o marido, que pede que Herbert retorne à vida. Este é o segundo desejo.

Sabendo que o artefato funciona, eles ficam apenas aguardando. O tempo passa e nada acontece. Vão se deitar, mas permanecem nessa espera angustiante, sabendo que em algum momento algo vai ocorrer. É na calada da noite, enquanto o senhor White se levanta por não conseguir dormir, que ele escuta uma batida bem sutil à porta. Sua mulher, que também escuta, desesperada, chama pelo filho. O pai tenta dissuadi-la, dizendo que foi apenas um rato ou algo do tipo, mas logo ouvem outra batida, desta vez mais forte.

A mãe se convence de que é o seu filho; o pai, porém, entende o que aquilo pode significar. Se o filho morreu de forma tão violenta, o que será que retornou? Seria o filho no estado anterior ou uma espécie de monstro? A senhora White desce as escadas desesperadamente em busca de seu filho, chamando seu nome. Enquanto ela tenta alcançar os ferrolhos para abrir a porta, o pai, em pânico, procura desesperadamente a mão do macaco. Numa corrida contra o tempo, ele encontra o artefato e, no último instante, faz o seu terceiro desejo.

A senhora White abre a porta e encontra um vazio. O silêncio retorna. Não há ninguém lá fora, apenas a noite e a estrada vazia.

Assim se encerra a obra *A Mão do Macaco*, de W. W. Jacobs, publicada em 1902 e considerada uma das antologias mais marcantes do gênero — um conto curto que mistura superstição, ironia e terror psicológico, mostrando-nos que há coisas que não devem ser pedidas e destinos que não devem ser contrariados.