Bom, eu tava pensando em fazer esse vídeo aqui depois de uma das minhas leituras, de minhas sessões de leitura matinais, porque eu tô lendo agora *Moby Dick*. Em breve vocês vão saber por que eu tô fazendo um quadro especial pro canal em que eu leio capítulo a capítulo. Ainda não terminei o livro, tô longe disso, mas numa dessas sessões de leitura eu tive a ideia de gravar esse vídeo, que é quando eu tava… quando comecei a ler, né, o *Moby Dick*. Ele é um livro, dentre muitos, que tem aquele renome, né, por ser um clássico, um grande livro da literatura, e pelo pouco que eu tô lendo aqui — eu li pouquíssimas páginas, mas eu já consigo saber que é um grande livro —, mas acima de tudo o que me fez ler esse livro foi a diversão. E eu entendi mais ou menos o que o pessoal diz, né, com como esse livro é descritivo, como ele realmente emerge você na leitura. Mas, ao mesmo tempo, me fez ter essa ideia de que os livros, né, que eu leio, eles são, antes de tudo, minha diversão, eles são meu lazer. E aí eu vim, né… Veio essa ideia pro título de que eu não leio pra agradar você. O que eu quero dizer com isso? Quando eu leio um livro, eu penso primeiramente na minha experiência. Por exemplo, tem muitos booktubers, muitas pessoas que gravam sobre livros, que fazem vídeos sobre livros, que falam sobre isso, né? É, que, bom, para a gente, tem que agradar quem, né? Eu acho que existem dois extremos dessa desse pensamento, né? Primeiro é aquelas pessoas que falam que a gente tem que ler literatura clássica como algo quase como algo obrigatório, sabe, porque são livros bons e que as pessoas precisam ler; e depois tem aquele outro extremo, né, que diz que nós não devemos ler nada de literatura clássica a não ser que nós tenhamos a vontade de ler.
Eu sou mais do meio-termo, mas eu ainda acho que, nesse sentido, não tem nada que vá substituir, digamos assim, enquanto vontade maior de ler o livro, do que a vontade de se divertir, de acompanhar essa história, independentemente do quão garbosa, quão elucubrada seja a narrativa, seja a história. Eu leio primeiramente para me divertir, então eu não leio para falar que… Por exemplo, eu não tô lendo *Moby Dick* para falar que eu li *Moby Dick*, logo sou mais inteligente do que as outras pessoas. Isso não me torna uma pessoa mais inteligente, sabe, mais… E como eu posso dizer? Com mais propriedade para falar de livros do que uma pessoa que, por exemplo, nunca leu um livro e quer começar a ler agora, e ela tá lendo, sei lá, *Percy Jackson*, *Harry Potter*, por exemplo. Eu não… Como eu posso dizer? Para mim, uma não tem um peso nem maior nem menor do que a outra. Lógico, quando a gente tá falando de literatura que a gente considera como alta literatura, né — que eu considero sim que exista algo como alta literatura, existe sim uma propriedade que deve ser levada em consideração —, mas ela, para mim, o peso dela tá muito mais referente ao estudo do que propriamente a propriedade que você vai falar no que diz respeito à apreciação do livro, né, apreciação da obra, da narrativa.
E foi isso que me fez ter a ideia desse vídeo, né? Porque eu percebo que muitas pessoas fazem isso, né? As listas, "os clássicos que todo mundo deve ler", "as histórias que todo mundo deve ler". Eu não gosto desse tipo de vídeo, justamente porque, primeiro, as pessoas que fazem os vídeos, elas levam como pressuposto o argumento delas, né, e de muitas outras pessoas, de que esses livros precisam ser lidos porque vão te tornar uma pessoa melhor, vão te tornar… e como posso dizer? Vão te tornar um, às vezes um cidadão melhor, quem sabe, dependendo, né, se for um livro de não ficção. E essa, esse dever para com a literatura, eu acho que ele acaba arruinando a experiência de quem quer começar a ler. Então, para mim, né, isso sempre foi do meu estilo, eu não faço a TBR, né, o *to be read*, ou seja, você faz uma lista dos livros que você vai ler. Para mim, se você quiser… se você quiser arruinar sua experiência de leitura e não quiser ter vontade de ler, a melhor coisa que você pode fazer é uma TBR, porque ela vai justamente… para mim, no caso — não tô falando que não pode funcionar para outras pessoas, mas no meu caso ela acaba arruinando a minha experiência de leitura, porque ela acaba misturando essa coisa do dever, né, que eu tenho para com a literatura, com a diversão que eu tenho de simplesmente pegar um livro e ler porque eu tô gostando da narrativa, como é nesse caso.
E eu acho que é muito valioso pensar nesse dogma, nesse mantra, né, de que "eu não leio para agradar você". Ou seja, não quero falar que… ah, não há intenção de, por exemplo, às vezes um amigo te recomenda um livro, você lê o livro e o livro é realmente muito bom, ou então quem nunca, né, sei lá, você tá lendo… sei lá, pai, mãe, namorado, namorada, irmão lê um livro, te recomenda, e às vezes você lê e não gosta nem um pouco do livro. Então, acho que, primeiramente, a gente tem que ter essa ideia de que, se você quer continuar nesse meio literário onde há livros e livros e livros, você tem que ter isso em mente: ler não para agradar as outras pessoas, mas para agradar a si mesmo. Você vai ler esse livro por conta do renome dele ou porque você quer se divertir com a história? Porque eu tava com esse livro aqui há muito tempo na minha estante — só para vocês verem aqui, por exemplo, a capa, ó, já tá até meio bolorento, sabe? Com mofo. E eu nunca tinha encostado, e de repente me deu a vontade de ler esse livro, sabe? E isso acontece com várias… Eu sempre deixo esses livros no meu radar, mas eu não faço uma lista específica, sabe? De tipo assim: "Ah, eu preciso ler esse livro". Não é urgente para mim, é mais uma coisa tipo assim: "Ah, eu vou ler quando tiver vontade, bom saber da existência desse livro". Mas não é um livro que, tipo assim, todos deveriam ler; eu nunca vou falar isso para ninguém, porque eu sei a experiência de todos? Não tem como pressupor isso, sabe? Até porque existem diferentes níveis de… intelectuais de pessoa para pessoa. Então, por exemplo, eu vou recomendar às vezes um livro que tem um nível intelectual muito acima, muito elevado, e aí é uma pessoa que tá querendo começar a ler agora, ela não vai compreender muito do que tá sendo dito, logo ela não vai ter um aproveitamento maior da… um aproveitamento apropriado daquela narrativa, daquele história, daquele livro, daquele argumento, e aí isso vai influenciar na experiência dela. E nesses casos eu culpo mais quem recomendou esse tipo de obra para esse tipo de pessoa, sabe? Porque eu acho que a jornada literária ela é muito íntima e ela tem que ser mantida assim ao longo de todo o processo.
Mas, enfim, eu tive a ideia de fazer esse vídeo, espero que vocês gostem desse tipo de vlog, porque eu pretendo fazer mais do tipo. E se vocês têm opiniões parecidas, opiniões diferentes, deixem aí nos comentários, mas é isso, vejo vocês no próximo vídeo, até mais.