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To Delia, Avoiding Damon (Poesia #137)

To Delia, Avoiding Damon

O velho Bardo Títiuro dirige-se a uma Bela Ninfa Perversa em favor de seu jovem e Amoroso Amigo Dâmon, encerrando com uma Ameaça de Sátira caso a donzela não se mostre graciosa para com o mancebo.

Por que, ninfa cruel, vais fugir
quando Dâmon se aproxima a vir?
Pela planície, o teu pé temente
corre num recato fujão e silvestre;
e as madeixas de corvo ao vento voam,
desgrenhadas e soltas que atordoam.
Olhos de anil, tão claros e limpos,
brilham com receio e desprezo mistos:
boba donzela, detém tua pressa—
por que dás a Dâmon tal espessa?

Tens medo que ele persiga a matar,
como fera silvestre a caçar?
Julgas que ele te rastrearia assim
como rústico camponês vil e ruin?
Bela estúpida! repara na graça
que ruboriza essa viril face;
feições ternas que proclamam ao vento
nobre estirpe e fidalgo pensamento:
nota cada suspiro que a verdade revela—
ainda desconfias do mancebo, donzela?

Assim correu a filha de Peneus
do jovem deus que nos traz os céus,
perdendo os gozos que o amor promove
ao virar loureiro do bosque e do bosque.
Dize-me, menina, serias mais fagueira
feliz noiva ou árvore lombeira?
Pondera bem na sorte de Dafne, tarde
para não pranteares tua escolha acarde.

Criança obstinada, por que negas teus encantos
aos braços ardentes de Dâmon, tantos?
Quando a comédia não é exagerada,
o recato bem cai a uma donzela amada;
mas temo que em ti isso não seja
senão manto para uma cruel peia;
és tão vã e desalmada e ruin
que zombas da dor de Dâmon, assim?
Ai de ti, se tu fores afinal
essa ninfa sem coração e banal!

Por que não ceder um olhar ou beijo—
seria à míngua do teu desejo?
A bela Anaxarete sem compaixão
levou o seu Ífis ao desespero e aflição;
escarnecido, na morte ele achou alívio terno
para sarar a chaga do inferno:
contudo, ele só não pereceu no nada,
pois a donzela foi em pedra tornada!
Queres, menina, seguir o passo dela,
tentando a ira de Vênus, donzela?

Criatura insensata! assim desprezar
quem nasceu para a glória e o brilhar;
tempos futuros com clamor hão de aclamar
o nome de Dâmon e o exaltar:
se não fores dele, teu fardo e quinhão
será cinza e treva—esquecido o teu nome então!

Cessa o teu voo, alma sem razão,
que se cumpram os ritos da união;
toma lição do passado e do que foi antes—
Atalanta casou-se com seus amantes!
Prende os cabelos de corvo com murta e flor,
aprende a ser clemente e a ter favor!
Chama a deusa que do mar brotou;
manda que o jovem ardente venha, pois chegou,
enquanto cada Graça, com o cinto solto,
celebra a festa em seu próprio encalço.

Dâmon há de, com orgulho e galhardia,
cantar as virtudes de sua noiva e guia,
envergonhando com seu fogo e lira doirada
a velha lira de Anfião, consagrada.
Tal sina te aguarda, ó cativante donzela,
se aceitares a bem-aventurança bela!

Mas se te mostrares ainda cruel e fria,
e rejeitares o amor que se envia,
não penses que os Deuses hão de sorrir
à tua vaidade e ao teu mentir.
Dâmon a Lice voltará seu olhar,
e só por Lice há de arder e queimar,
enquanto minha Musa, de Dâmon amiga,
despejará sua bile em sátira figa.

Se ao terno mancebo causas dor tamanha,
não esperes que minha piedade te apanha:
Ninfa, acautela-te! não ouses demais—
Lembra-te do velho Arquíloco de ais!