I. PRÓLOGO
O sol poente, cujos raios rubros e quentes
Tocam a encosta verde com fulgor que a alma desperta,
Revela um bardo pensativo, cujos voos polidos
Brotam da paisagem nas agradáveis alturas de Dillon.
Um antigo rochedo é o assento do poeta,
Uma vista verdejante fronteia o retiro abençoado;
Das margens distantes vem o brilho evasivo
Que evoca o fluxo silencioso e imponente do Hudson.
Aqui, antes do nascimento do homem, uma legião de granito
Em esplendor mudo reinava sobre o mar nascente;
Em dias posteriores, uma horda indígena decretou
As fortunas inconstantes do prado perfumado.
Aqui pisaram os holandeses, até que o domínio mais forte de Albion
Esculpiu a nação que hoje conhecemos;
Foi aqui que o camponês insurgente desafiou seu Rei,
E rebeldes rurais quebraram o orgulho audacioso de Burgoyne.
Tal é a cena, repleta de sombras históricas,
Que Hoag, em versos, dá vida eterna.
II. ROCHEDOS GLACIAIS
“Dizei, antigos gigantes, pedregulhos cinzentos de granito,
Mudos sobreviventes de um dia distante,
De onde vistes aqui, e por quê? Rogo que me desvendeis
Os vossos mistérios guardados pelos séculos, de eras atrás.
Contai enfim a história ainda não contada;
Honrarei vossa narrativa e guardarei vosso segredo!”
Assim suplica o sábio, e ao ouvirem os pedregulhos,
Seu patriarca grisalho proferiu a palavra de resposta:
“Rastreai nossos caminhos acidentados por colinas distantes;
Medis nossas pegadas na face da montanha;
Notai onde um mar glacial conduziu nossas massas,
E nos deixou espalhados ao longo de seu antigo leito;
Aprendei como nosso caminho por penhascos e colinas de granito
Trabalhamos em esplendor com nossas brocas de diamante!
Embora nascidos nos silêncios da neve ártica,
A torrente congelada logo nos constrangeu a partir,
Como passarinhos lançados do ninho materno,
Para encontrar novos refúgios em terras desconhecidas;
Por domínios estranhos rastejamos, até que um ar mais ameno
Saúda nossa última pausa, em campos perfumados e belos.”
III. A CHEGADA DA NOITE
Aqui, sentado em um pedregulho cinzento e antigo,
À vontade examino as distantes colinas de ouro,
Antes que o crepúsculo nascente revele a primeira estrela da noite,
E Filomela desperte o bosque lá longe.
Ouve! De uma sebe vizinha, o bacurau
Delicia o ar com um frêmito alegre e melodioso;
Cantando suavemente sobre o ninho silvestre e macio,
Ele embala sua companheira e os belos filhotes para o descanso.
Tordos-dos-bosques agora, com cantos do vale escurecido,
Saúdam docemente as sombras cadentes da noite.
Ó tempo tão pacífico! Até que a brisa da manhã abençoada
Desperte os campos adormecidos de milho emplumado!
Em meio a colinas ondulantes além da pastagem sombria,
O orbe do dia afunda em um mar vaporoso;
O céu deslumbrante exibe mil matizes,
Enquanto nuvens amigas realçam os raios efulgentes.
Observai o delgado cordão prateado da jovem Selene,
Cujos raios em crescente trazem cem belezas;
Levemente equilibrada sobre os charcos ocidentais, seu brilho de prata
Banha a altiva montanha e o vale abaixo.
Seus cornos polidos, com um clarão benigno e brilhante,
Proclamam à terra a chegada da noite.
IV. O MONUMENTO A BURGOYNE
Aquele campo relvado, agora tão verdejante à vista,
Outrora exalava o fedor da cor rubra do combate marcial;
Altivas Bemis Heights suportaram legiões em contenda,
Enquanto patrícios saxões derramavam o sangue de seus irmãos.
Onde agora aquela coluna de granito olha serenamente
Para prados pacíficos de verdura tingida de marrom,
Aos hosts conquistadores, de força e multidões bravas,
Sua espada honrada entregou um nobre britânico.
Assim os filhos da Inglaterra, orgulhosos perante cada inimigo estrangeiro,
Conhecem a derrota apenas pelas mãos dos netos da Inglaterra.
Naquele monte, que se ergue não muito longe,
Um espírito bravo ergueu-se de sua argila mortal;
Seus lábios estão silenciosos, e seus olhos cegos
Já não contemplam seus céus natais estrelados.
Ele dorme enfim, pela margem verdurosa do Hudson,
Enquanto estrelas e listras flutuam sobre seu sepulcro;
Aqui, onde repousa para sempre sua cabeça honrada,
“A Velha Glória guarda o acampamento dos mortos!”