Minha Musa tenta um fúnebre refrão:
O pobre MACER, num domingo após a oração,
Abandonou as lutas da terrena lida,
E alcançou sua última, eterna vida!
Um sujeito curioso em seu tempo, de fato,
Amante de velhos livros e ao verso inclinado —
Um pedante grafômano, daqueles por certo
Que zombam da era, escrevendo por esporte.
Um tanto de engenho às vezes possuía,
Mas metade do que escrevia era anarquia;
Na métrica era mui correto e limpo;
De retórica tinha seu quinhão no olimpo —
Mas do passado tanto gostava de tagarelar,
Que estava sempre fora de lugar!
A assuntos mitológicos se apegava,
E a Deuses, Ninfas e Sátiros cantava,
Até que sua arte tão monótona ficava,
Que uma obra da outra não se diferenciava!
O ouvido moderno feria com insistência
Com brados em verso heróico, sem paciência:
E quando a cidade os julgava espirituosos,
Era por piedade e amigos bondosos.
Embora por velhas noções estragado,
Era um bardo razoavelmente talentoso e dotado;
Seus versos corriam com bastante harmonia,
Mas, afinal — de alma carecia!
Sua pena sempre pronta a lutar
Pela virtude viril e o direito a zelar —
Mas de algum modo era fraco o bicho;
Em vez de gíria, citava grego em coro e feitiço!
Cumpriu seu propósito — o de emendar
Todo poeta novato que viesse a errar,
E ainda assim — a vida não fez mais doce,
Pois só rima e métrica conhecia, se é que isso ousse.
Seus versos pausados farão falta, enfim —
Embora fosse um egoísta sem fim!
De suas visões não posso aprovar nenhuma,
Mas choro por ele com lágrimas de bruma.
Meu luto é profundo — desde as três e meia
Trabalho numa elegia, que me incendeia,
Contudo não consigo ver a obra acabada
A tempo para a edição matutina ser publicada!
O polimento exige meu cuidado constante,
Pois me prometeram a primeira página, triunfante!
Sim, ele se foi! Sinto a dor no entanto —
O funeral se realizará amanhã, porquanto —
Meu terno de paetá mandei passar e engomar
Para ir vê-lo em seu descanso findar.
Deus guie sua alma! Espero que vague
Em paz entre os Serafins que a apague —
E a propósito, embora me tenham contado
Que de ouro e riquezas pouco havia deixado,
Pergunto-me o que farão seus herdeiros
Com tantos livros — que não eram poucos, verdadeiros!
Na verdade, conheço dois ou três volumes
Que me serviriam de nobres costumes!
A tantos aflitos ele deu guarida,
Que bardos rudes dependiam de sua guarida:
Sua morte calará mais penas além da dele, afinal —
Onde andará o infeliz neste exato sinal?
Ele está em melhor terra — ou pior —
(Quem revisará meus versos agora, senhor?)
Nunca deixou uma estrofe frouxa ou balofa —
Mas dificilmente pediria sua volta, em boa foifa.
Lágrimas por sua perda correm copiosas —
Contudo, afinal, é melhor assim, sem prosa!
On the Death of a Rhyming Critic (Poesia #97)