Neste vídeo do canal Universo Antares, o apresentador continua a série de resumos dos clássicos gregos, focando especificamente nas desventuras épicas de Odisseu no Canto 10 da Odisseia.
Fala, galera, como é que vocês estão? Bem-vindos ao Universo Antares. Vocês devem conhecer o meu rosto muito bem porque eu participo aqui das lives, principalmente dos vídeos que eu fazia de resenha sobre HP Lovecraft. E, não ironicamente, agora os papéis estão se invertendo, porque o Lucas Rosalém, o dono do canal e também quem começou uma série de vídeos sobre os clássicos gregos e resumiu diversas obras, agora está mergulhando, por motivos de produção de conteúdo, na obra do Lovecraft. E eu, justamente ao contrário, continuo consumindo Lovecraft e continuarei a trazer vídeos para vocês, mas, por agora, resolvi herdar a Odisseia dele.
Por quê? Porque, diferente do Lucas, eu resolvi começar a ler a Odisseia por entretenimento, galera. Isso mesmo, por diversão. E eu me diverti muito. Então, eu li, justamente inspirando-me no trailer do filme do Christopher Nolan, nessa edição aqui da Editora Ouro e Inversos, na tradução de Carlos Alberto Nunes. E eu vou continuar resumindo canto a canto para vocês. Também vou trazer algumas curiosidades. Mas, se você é sábio como Odisseu, se você é astuto como Odisseu, então tá na hora de você se inscrever aí no canal, porque tem muita coisa boa pela frente: vídeos de Lovecraft, vídeos de Edgar Allan Poe, vídeos de clássicos gregos, diversas lives que foram feitas ao longo do tempo, além dos desafios do canal.
Mas, sem mais delongas, vamos resumir o Canto 10 da Odisseia. Um canto épico, extremamente sensacional em todas as suas possibilidades. Será que dá para ser mais épico do que a Odisseia? Então, vamos lá. O que é que acontece neste canto? Primeiramente, o Lucas já deve ter dado para vocês o que aconteceu no canto anterior. Então, a gente tem aqui, de novo, a escapatória do ciclope. Finalmente, a gente tem Odisseu chegando na ilha de Éolo. Depois de escapar do ciclope, a frota chega a essa ilha, em que tem o guardião dos ventos, que vive numa espécie de utopia doméstica meio incestuosa. Por quê? Porque os seis filhos casados são também casados com as filhas, ou seja, todos eles moram junto do pai e eles ficam ali num banquete, se refocilando. É uma imagem claramente que o Homero deixa passar e que já dá algumas pistas ali do que a gente tem como relação de família, e que é muito estranha, mas que os estudiosos adoram destacar como um dos momentos, digamos assim, menos gregos do poema, quase um enclave de outro tipo.
Mas vamos lá, o que é que acontece? Chegados à ilha, Éolo recebe Odisseu com hospitalidade. Existe um termo chamado xênia — só que no grego não existia esse som de X, então provavelmente era assim que soava: sênia —, que é uma espécie de código de hospitalidade, um tema estrutural não somente desse canto, mas de vários outros. E, durante esse banquete, Éolo lhe dá um presente extraordinário: um odre de couro de boi contendo todos os ventos contrários amarrados dentro, deixando livre apenas Zéfiro, o vento oeste, para soprá-los direto para Ítaca. E a viagem corre bem, surpreendentemente bem, até que, a dez dias de casa, com Ítaca já visível, Odisseu comete o erro de dormir.
O que é que acontece? Os amigos dele ficam tipo assim: "Mano, só esse cara recebe coisa, velho. A gente tá aqui, mano, a gente passou por tudo, a gente sobreviveu. Pô, vamos ver o que que ele tá guardando nesse odre aí". E aí, o que é que acontece? Os companheiros, convencidos de que o saco esconde ouro e prata e que Odisseu quer guardá-lo somente para si, abrem-no e, nossa senhora, velho, os ventos escapam de uma vez, e a tempestade os arrasta de volta, direto para a ilha, a poucos passos da vitória. E aí, o que é que acontece? Esse recipiente proibido que não deve ser aberto é praticamente idêntico, galera, ao mito de Pandora. Vocês já viram esse mito, né? Eles têm paralelos até mesmo com contos de fadas do mundo inteiro: o famoso "não olhe para trás", "não abra a porta". Este daqui é um dos primeiros exemplos claros da intertextualidade que Homero apresenta.
Mas vamos lá, vamos continuar. Quando Odisseu volta e pede ajuda de novo, Éolo fica assim: "Meu irmão, o que é que tu fez, cara? Brother, qual foi, brother?" Ele basicamente se recusa com uma dureza teológica notável. Ele diz que só pode ajudar quem os deuses abençoam. Então, ele interpreta que aquele estratagema feito pelos companheiros é o seguinte: "Cara, isso é coisa dos deuses. Os deuses não querem te ajudar, então mete o pé daqui, porque se eles não querem te ajudar, com certeza não vão querer que eu ajude você. E se eles perceberem que eu estou o fazendo, talvez sobre para mim".
Então, o que é que acontece? Esse momento é importante porque introduz a ideia de que a sorte de Odisseu não é apenas azar, é sinal visível de desfavor divino — a ira de Poseidon ainda não plenamente revelada ao leitor neste caso. Então, vamos lá. Aí o que é que acontece? A gente tem um momento aterrorizante. Eles chegam a um povo — e pelo menos é assim que Homero nomeia eles — chamado de lestrigões. O que é que acontece? Eles remam, mano, sem vento favorável por seis dias e chegam a essas terras aí dos lestrigões, que são, galera, canibais. Só que eles não sabiam disso.
Então, basicamente, Odisseu meio que faz o que a gente chama em inglês de *scouting*, que seria basicamente verificar o ambiente. Eles querem saber se o povo de lá é civilizado, se é hospitaleiro ou se é desconfiado. Ele ancora seu próprio navio fora do porto e, enquanto os outros 11 entram, um grupo de reconhecimento encontra a filha do rei Antífates e pensa: "Nossa Senhora, vamos conhecer seu pai". Ela leva eles até o palácio, e ali a rainha é descrita como uma imagem grotesca e memorável, enorme como o pico de uma montanha, provocando repulsa instantânea nos marinheiros. Antífates devora um dos homens na hora, e a cidade inteira se levanta. Os lestrigões atiram pedras do tamanho de rochedos dos penhascos, afundando os navios como quem afoga peixes e depois os arpoam para comer.
E aí, galera, eu pensei assim, quando eu tava lendo, né, eu pensei: "Nossa, eles matam e depois comem". Mas se você lê o verso, cara, os caras vão igual espetinho, cara. É sinistro, é completamente aterrorizante. Eu tenho certeza de que, se você leu, você ficou tipo assim: "Caramba, mano, o que é que tá acontecendo aqui, velho? Que terror!" Então, os 11 navios são destruídos ali com suas tripulações inteiras. Só o navio de Odisseu, ancorado fora, escapa. Esta perda demográfica é brutal e definitiva, justamente por causa daquilo que viria a seguir, já que a cronologia com a qual a Odisseia nos é apresentada não é tão rígida no que diz respeito a priorizar uma elegância ou uma coesão. As coisas acontecem de maneira misturadas porque a gente vai e volta no tempo.
Mas o que é que acontece? Essa frota que originalmente tinha saído de Troia com 12 navios agora acabou, reduzida a um único navio e sua tripulação restante. Tudo o que acontece depois no poema acontece com esse grupo reduzido. Então, repara só no contraste estrutural entre os ciclopes e os lestrigões. Ambos são episódios de hospitalidade pervertida, mas o ciclope tem individualidade, ele fala, barganha, é enganado por inteligência. Ele tem até uma lógica que dentro da teologia funciona; você pode até encará-lo, e os atos que ele comete como sendo bárbaros e completamente odiosos, mas você pelo menos consegue entender. Aqui nos lestrigões é a brutalidade seca, tipo assim: "Hum, comida, humanos", e é sinistro.
Então, vamos lá. O que é que acontece? Eventualmente ele chega à ilha de Circe, Eeia. O único navio sobrevivente chega a essa ilha, a ilha da feiticeira Circe, filha do Sol, Hélios, e irmã de Eetes, o rei da Cólquida, o do mito de Jasão. Ou seja, Circe pertence a uma linhagem de magia solar e é prima da própria Medeia. Odisseu divide a tripulação em dois grupos por sorteio, porque ele pensa: "Mano, vai que tem um doido aí, então vamos fazer o seguinte, vamos sortear", pelo menos para eu não ficar com aquela visão de tipo assim: "Ah, você está liderando ou mandando os seus homens fazerem reconhecimento de terras enquanto eles se colocam em riscos absurdos e você fica de fora". Ele faz isso, acredito eu, tendo em vista a justiça.
Mas o que é que acontece? Euríloco lidera esse grupo que vai explorar. Eles encontram o palácio de Circe cercado de lobos e leões que estranhamente não atacam. Mas imagina o cagaço, cara! Você tá avançando nos vales e os bichos estão tudo lá igual gatinho. Sabem o que é loucura, mano? Eles estavam "farmando aura", cara. Então, o que acontece? Esses bichos na verdade são homens que ela já enfeitiçou, só que eles estão mansos como cães. Circe canta enquanto tece. E aí os caras ficam tipo assim: "Cara, tem alguém lá dentro?" Mano, tô ouvindo uma voz. "Hum, é verdade, tem alguém lá dentro. Então vamos ver quem é". E eventualmente ela abre a porta do seu palácio e convida esses homens para dentro, oferecendo um banquete misturado com uma droga, que é o *fármakon*. Olha só, vocês conhecem essa palavra? Fármaco, pois é. Os farmacêuticos, os fármacos, que podem ser tanto remédio como também veneno. E aqui no caso eles não são veneno de todo, mas têm um destino um tanto quanto venenoso.
Ela toca-os com a varinha e acaba transformando-os em porcos, mantendo cruelmente a mente humana intacta. Imagina, cara, você ser transformado num porco, mas ainda ter toda a sua consciência, toda a sua noção espacial. E aí o que acontece? Ela joga eles dentro de um chiqueiro. Só que qual foi a sorte deles? É que o Euríloco, desconfiado desde o início, não tinha entrado no palácio. E o que é que ele faz? Ele avisa para Odisseu. Ele já chega, cara, chorando, tipo assim: "Morremos de novo, mano". Coitado, chega a ser cômico, né? E aí ele relata a Odisseu o que aconteceu.
E aqui a gente tem a parte última: Hermes mole e a rendição de Circe. O que é que acontece? Odisseu parte sozinho para confrontar a feiticeira e, no caminho, é interceptado por Hermes disfarçado de jovem. Hermes, que é o mensageiro de Zeus, com certeza, na única intervenção olímpica direta e pessoal de Odisseu em toda a viagem de retorno até esse ponto. Então, esse Hermes lhe dá uma planta chamada *moly*, que basicamente tem uma raiz negra, uma flor branca como leite, difícil de arrancar para os mortais, mas não para os deuses — um dos versos mais citados do canto.
Mas antes de tudo, vale salientar, porque a Odisseia é recheada de símbolos, símbolos que são muito poderosos no sentido de que eles transmitem uma mensagem muito maior do que o simples objeto a que se referem. Os estudiosos e botânicos tentam identificar o *moly* há séculos, pensando: "Cara, que planta poderia ter sido isso?", porque Homero, ou seja lá quem eram os autores, usava isso de forma simbólica. Então tem várias espécies aí que a galera discute ao longo dos tempos, mas até hoje não se tem uma clara noção disso.
Mas enfim, Odisseu chega lá na Circe. Ela fica: "Desse cara aí, hein? Vem cá, vem cá". E aí ela oferece um banquete e tudo mais, mas o *moly* que Hermes entrega para ele o protege. Quando ela o toca com a varinha, esperando transformá-lo em porco, nada acontece. Ele saca a espada, seguindo a orientação de Hermes de avançar nela. Circe imediatamente reconhece que só pode ser Odisseu — o homem de mil artimanhas, o astuto —, cujos epítetos o identificam. O oráculo, que era o próprio Hermes disfarçado (porque os deuses adoram se disfarçar), já havia previsto essa chegada. Então, o que ela faz? Ela se rende. Convida-o: "Não, a minha cama é sua, parceiro. Você pode me ter aí".
Odisseu fica tipo assim: "Hum… Com uma condição. Seguinte, ó: eu quero que você jure diante dos deuses que não vai tramar mais nenhum mal contra mim". E ela fala: "Eu juro, eu juro". De fato, eles vão, só que aí, após o banquete, ela pergunta: "Mano, o que que você quer, cara? Você não está satisfeito?" E ele responde: "Não, o seguinte: eu não vou ficar feliz, eu não vou me deleitar ante a sua presença se os meus companheiros não forem transformados de volta". E ela diz: "Traz lá, vamos lá, criadas". Ela passa um unguento neles, e eles são devolvidos à forma humana, mais jovens do que antes, mais bonitos e mais altos — um detalhe curioso que sugere que a transformação de Circe não é puramente punitiva, mas também regenerativa quando revertida.
E aí a tripulação passa o ano inteiro na ilha num banquete contínuo. É Euríloco, de novo, quem tem a lucidez de lembrar Odisseu de que Ítaca ainda existe. Ele fala: "Meu amigo, vamos, vamos". Há algo quase cômico e ao mesmo tempo trágico nessa passagem: o herói mais astuto da literatura grega precisa ser chamado à razão pelo companheiro mais desconfiado. Então Circe, ao ser informada da partida, revela que a viagem não vai simplesmente continuar para casa. Primeiro, Odisseu precisa navegar até os confins do mundo. Sim, meus amigos, Odisseu vai ter que chegar na soleira do Hades, sim, o inferno. Eles vão ter que consultar a alma do adivinho tebano, Tirésias, o único morto a quem os deuses concederam manter a mente intacta no além. É uma reviravolta genial de Homero, porque o canto parecia estar caminhando para o regresso fácil e termina jogando o herói para ainda mais longe de casa, geográfica e cronologicamente.
Aí a gente tem aqui uma morte que encerra o canto, porque eles estão lá tipo assim, mano, ferrou. Odisseu fica tipo assim: "Nossa, vou ter que contar para esses caras que a gente vai se ferrar de novo, cara. Meu Deus do céu". E aí tem um dos caras, que é Elpenor. Ele é o mais jovem, menos glorioso dos companheiros. Só que ele está bêbado, galera, ele está dormindo no telhado. E o que é que acontece? Ele acorda de repente com o barulho da partida, esquece onde está, cai e morre na queda. E a galera fica tipo assim: "Meu Deus, mano, meu Deus do céu, cara, isso aqui é mau presságio".
Enfim, esse detalhe é uma bomba de efeito porque Elpenor será a primeira sombra que Odisseu vai encontrar no Hades. É o que nós, escritores modernos, chamaríamos de *foreshadowing*, ou seja, um sombreamento de coisas que vão acontecer lá na frente. E saber que isso era feito há milhares de anos atrás é sensacional, cara, uma prova de que a Odisseia tem uma grandeza incrível. Essa ponte entre o fim do Canto 10 e o início do Canto 11 é uma das transições mais elegantes de toda a arquitetura da Odisseia.
Então, o que é que vocês acharam? Cara, esse canto é sensacional. O canto que vem a seguir é melhor ainda, o canto que vem depois também é bom, e eu acho que é na segunda metade da Odisseia que a gente começa a ver que, meu amigo, isso aqui é bom demais. Mas, enfim, espero muito que vocês tenham gostado. Não se esqueçam de se inscrever, não se esqueçam de deixar nos comentários quais foram as suas reações quando vocês viram isso adaptado num filme — seja pelo filme mais recente do Christopher Nolan, seja por outras adaptações —, o que é que vocês pensaram quando estavam lendo, se leram em versos, leram em prosa. Conta aí para mim. Não se esqueça que o grupo do Telegram do Universo Antares está no link da descrição. Vai lá, participa dos desafios, tire suas dúvidas, e nos vemos no próximo vídeo. Até mais!