Por bosques naxianos choro fúnebre soa,
E ecoa triste além da Nysa que os coroa;
Murcha grinalda a fronte de Lieu cinge,
Enquanto a uva a vide ansiosa atinge;
Qual aguda dor verga a hera em cada testa?
As mênades respondem: “O Álcool não resta!”
Pranteado Rei! severo a todo o mal,
Do fraco amigo, e do desespero o sinal;
Cujo poder divinal, d’Jove herdado,
O engenho mais parco erguia, iluminado:
Sem o auxílio de tua ilusão divina,
Como a Pobre Estupidez se adivinha?
Multidões que outrora em tavernas e bares
Resolviam nós do Estado de ares e ares,
Languidezam tristes junto ao caixão d’água
De quem lhes dava ânimo em tanta mágoa:
Sós choram sua ausência de entendimento,
Palhaços nus do tolo pensamento!
Igual tributo pagam com dor tamanha
Quem frequenta o clube e a taverna estranha;
Toda alegria, antes de cores vivas,
Veste-se agora em matizes esquivas:
Menores são as piadas, o riso e a lenda —
E menores as dores de cabeça naenda!
Mais tristes dentre os que cercam a campa escura
(Três fúrias irmãs da cithaeronia amargura),
Vê Crime, Dor, Pobreza, rasgarem os ares
Com uivos sabázios ante os seus altares.
Vício, Vilania e Violência em coro oram,
E a minguada força amarga imploram;
Enquanto a Licença, em tom soturno, chora,
Sem mais as vestes da Liberdade agora.
Vede o tirso daquele deus rubicundo
Perder as folhas, num porrete imundo;
Vede Sileno o odre ao chão atirar,
E sóbrio uma nova glória buscar;
Negros são os tempos do Mal, pois decerto
Reina a Virtude com poder acerto!
Tu, Álcool, foste amigo da Treva e da Noite,
E sátiros chorosos entoam o açoite;
Taygetus repete o pranto fero,
Enquanto Caronte resmunga no poço e pego:
Ai! clamam eles, que a um fim tão mortal
Caísse o monarca onipotente e avultal!