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COMO “QUEBRAR” A QUARTA PAREDE NA LITERATURA

Como Quebrar a Quarta Parede na Literatura?

Será que dá para simular a quebra da quarta parede num livro? A resposta curta é quase nunca. E a resposta longa envolve o teatro grego, um recurso chamado parábase e um erro conceitual muito comum, cuja explicação você só vai encontrar aqui. Eu te garanto isso. Todo mundo acha que entende perfeitamente o que é a quebra da quarta parede. O que quase ninguém para para pensar é por que que ela funciona tão bem no cinema, no teatro, mas quando vai pra literatura, ela fica estranha. Pois bem, meu nome é Lucas Rosalém. Nesse canal a gente conversa sobre teoria literária e escrita criativa, ou seja, nesse canal estou tentando te preparar para escrever melhor. E uma das formas de fazer isso é acompanhar o desenvolvimento da escrita criativa ao longo das eras. Eu já fiz três vídeos sobre o primeiro personagem histórico que falou um pouco sobre isso, que é o Aristófanes. E este aqui é o quarto e último vídeo que trata do nome dele diretamente. Então, olha só, já deixa o seu like aqui no vídeo, comenta alguma coisa aí embaixo. Se não souber o que comentar, comenta qualquer coisa, mas principalmente assista este vídeo até o final, porque eu tenho certeza que neste vídeo eu vou te apresentar vários conceitos, talvez em alguns deles você nunca ouviu falar e eles vão fazer muita diferença quando você for ler um livro novamente e muito mais quando você for escrever alguma coisa.

Você já passou por aquele momento em que, lendo um livro, você simplesmente percebe que foi descoberto? Você está sendo olhado pelo texto? Aquele momento em que o narrador interrompe a sua história, se volta para você e o encara diretamente através da página. São aqueles momentos em que o texto parece saltar da página e se dirigir diretamente à nossa consciência, rompendo a nossa ilusão de que nós estaríamos ali apenas como observadores invisíveis. E agora presta atenção aqui. Eu já fiz um vídeo inteiro só para explicar que você, o leitor, nunca é o destinatário de uma obra ficcional, nem mesmo quando o escritor diz "caro leitor", ou seja, mesmo quando o narrador pareça se dirigir a quem está lendo, esta também é uma situação de ilusão narrativa. Isso também faz parte da trama. E você que lê não é o caro leitor a quem o narrador se dirige. Este vídeo, por enquanto, eu acho que é o melhor vídeo aqui do canal. Eu vou deixar ele aqui na descrição e talvez você deva parar este vídeo para assistir aquele e depois voltar aqui. De qualquer forma, eu recomendo muito que você, pelo menos ao final deste vídeo, veja essa aula também, porque tem coisas ali que eu explico que você não vai encontrar em lugar nenhum.

Mas voltando aqui pro nosso assunto, essa sensação de ser olhado pelo narrador no texto é exatamente aquela que a gente vê em obras como *Don Quixote* de Miguel Cervantes, onde em alguns trechos o narrador se dirige diretamente ao leitor, comenta sobre o próprio ato de escrever e até ironiza sobre as expectativas de quem tá lendo. Ou então no livro *As Viagens de Gulliver*, onde a gente acompanha às vezes alguns comentários sarcásticos feitos ao leitor no meio das descrições das viagens, como se o narrador tivesse avaliando se a audiência dele é digna ou não de certas revelações que ele vai fazer. Isso acontece em Dostoiévski, também, como em *Notas do Subsolo*, onde o narrador já abre declarando que está escrevendo diretamente para senhoras e senhores, ou seja, as pessoas que estariam lendo a obra. E mais do que isso, ele até responde objeções imaginárias. Mas veja, em todos esses casos, a gente ainda tem um narratário fictício, ou seja, um destinatário dentro da obra, que está sendo tanto construído dentro da obra quanto permanece na obra. E atenção aqui, ó. Lembra aqui que o nosso assunto é a quebra da quarta parede, mas veja que nesses casos os autores não estão falando com o leitor. Quer dizer, eles não estão falando diretamente com o leitor, até porque isso é uma impossibilidade técnica, certo? Aquele autor que já morreu faz 50 anos, ele não estava pensando em você quando escreveu. Então, o que a gente tem é um narrador falando com um narratário. Se você ainda não entendeu o que é o narratário, então para este vídeo e aí sim você vai ter que assistir essa aula inteira que eu dou só sobre isso, o link na descrição.

Pero olha só, existe um recurso muito específico que o comediógrafo grego Aristófanes usava bastante nas suas peças teatrais e que, se a gente conseguir transportar pra literatura, parece ser uma exceção a essa minha regra, essa minha tese de que o narrador nunca se dirige diretamente ao leitor. E é exatamente por isso que eu tô fazendo este vídeo aqui, porque depois de conversar com várias pessoas sobre aquele meu vídeo, a gente ficou tentando encontrar uma situação, uma maneira de fazer literatura que talvez contradicesse a minha tese. Então eu quero conversar aqui com você sobre um recurso do teatro grego muito usado pelo Aristófanes chamado parábase, pra gente ver se ele realmente contradiz a minha teoria. E por que que eu comecei falando sobre a quebra da quarta parede? Porque a parábase é um recurso muito parecido com esse. E a grande questão, claro, é: será que dá para usar isso num livro? E quem vai ajudar a gente a entender isso é justamente o Aristófanes, o maior comediógrafo do teatro clássico grego de todos os tempos.

Só um comentário breve aqui. Por que o Aristófanes? Porque é justamente em uma dessas suas peças de comédia chamada *As Rãs* em que a gente encontra o primeiro registro, o registro mais antigo que a gente tem de teoria literária. E esse é o tipo de coisa que você só vai encontrar aqui nesse canal, garanto para você. Faça o teste, pesquise aí no YouTube que se você não encontrar, volta aqui, se inscreve e comenta. Fechou?

Agora vamos lá. A grande pergunta que a gente vai tentar responder aqui. Atenção aqui. Será que tem alguma maneira do narrador interromper a história que ele está contando, se voltar para nós e nos encarar através das páginas? Pois então, essa é exatamente a sensação que a gente tem muitas vezes, não é? Mas eu quero mostrar neste vídeo para você que é nesse mesmo instante, no instante em que a literatura parece mais íntima do leitor, é justamente o momento em que ela está mais teatral também e não mais perto da realidade. Só que para começar a falar disso, a gente precisa distinguir primeiro esse efeito que acontece na literatura de outros dois conceitos levemente diferentes, que são justamente esses dois que eu acabei de falar: a parábase e a quebra da quarta parede.

E vou começar aqui pelo mais fácil, que é o que todo mundo conhece, a quebra da quarta parede. Essa ideia de quebrar a quarta parede a gente conhece principalmente do cinema, que é quando um personagem simplesmente olha pra câmera como se estivesse olhando diretamente para quem está assistindo. E às vezes ele até fala com a audiência. A gente viu muito isso nos filmes do Deadpool, aconteceu bastante também na série *House of Cards* e mais recentemente na série da *She-Hulk*. Se você já viu alguma dessas séries, coloca aqui nos comentários o que você achou e não precisa pegar leve. Fechou? Dizaí o que que você achou da série *She-Hulk*.

Enfim, eu não preciso explicar muito sobre o que que é quebrar a quarta parede nos cinemas, que é o que importa pra gente aqui neste vídeo. Mas uma coisa interessante da gente saber é que esse é um conceito que vem do teatro. Para entender o que que é a quebra da quarta parede, vamos entender primeiro o que que é a quarta parede. E a ideia é a seguinte: é que o palco, além das três paredes físicas, que são obviamente as duas laterais e a parte de trás, teria ainda uma quarta parede na frente, não literal, né? Uma parede invisível que separa os atores do público. E a ideia é que essa parede deveria ser respeitada, ou seja, os atores deveriam agir como se realmente estivessem dentro de algum lugar e, portanto, como se o público não estivesse ali. Este conceito geralmente é atribuído ao filósofo Denis Diderot, que escreveu em 1758 que atores e escritores deveriam imaginar uma parede enorme na frente do palco, separando eles da audiência para que isso fizesse com que eles se comportassem como se a cortina nunca tivesse sido levantada. Deu para entender? É nesse contexto em que a ideia da quarta parede aparece. E é bem fácil de entender, né? Você tem o palco e a quarta parede seria justamente essa parte aberta do palco que serve pro público conseguir enxergar os atores, mas que os atores deveriam ignorar na hora de atuar. E por que isso? Bom, quem explicou isso melhor foi outro cara chamado Constantin Stanislavski. Ele dizia que os atores deveriam viver os personagens como se fosse na vida real e, obviamente, para isso eles teriam que ignorar a plateia. É claro, a quebra dessa ilusão até poderia acontecer, mas só em casos muito específicos, só como um recurso excepcional. Então, resumindo, a quebra da quarta parede é justamente quando alguém na peça rompe com essa ilusão narrativa e faz o quê? Se dirige diretamente à plateia, certo?

Mas, mas veja aqui, a gente está falando de como isso foi elaborado no século XVII, enquanto na verdade muito, muito, muito tempo antes, essa ideia da quebra já havia sido implementada estruturalmente na Grécia antiga. E ela chegou até nós majoritariamente através das peças de comédia do Aristófanes, que usou e abusou desse recurso, mas que na época tinha um outro nome: parábase. Então vamos lá. O que exatamente é a parábase? Primeiro, de onde vem esse termo parábase? Vem da junção *para*, que significa ao lado, fora de ou além de, e *bases*, que significa passo, avanço, marcha. Ou seja, parábase significa algo como avançar para fora ou dar um passo além de. E por que isso? A ideia é que no limite entre o palco e a plateia existe uma linha imaginária separando o mundo real do mundo imaginário. E a parábase seria justamente aquele momento em que um ator avança dando um passo para fora dessa linha, para além dessa linha.

Olha só, no teatro grego era comum você ter um coro que, dentre outras coisas, acabava servindo para falar em nome do povo, entendeu? O coro representava o povão nas peças. Quer dizer, isso no teatro trágico, porque no teatro cômico com Aristófanes a coisa mudou um pouquinho. Ele começou a usar o recurso do coro nas peças como a sua própria voz. E eu já vou explicar o que é que ele fazia com isso, mas perceba primeiro que a parábase então é esse momento em que o coro literalmente ignorava a ficção, avançava para mais perto do público e falava diretamente à plateia, interrompendo completamente a continuidade da narrativa. O coro, que até esse momento estava só cumprindo um papel ficcional na peça, saía desse papel. Então isso aqui é importante: o coro sai do papel da peça na parábase e abandona de propósito a ilusão dramática. Por que isso? Porque a ideia era que o coro falasse diretamente com o público, literalmente em nome do poeta, o cara que fez a peça.

E agora sim, como é que ele usava isso? Por que ele fazia isso? Porque ele era um fã-farraço e ele queria com as peças dele tirar sarro de político, tirar sarro de outros autores de teatro, comentar certas questões sociais de comportamento da sociedade e às vezes até elogiar sua própria peça. Mas enfim, já deu para entender, né? Só que aqui a gente volta pra questão que é a seguinte: será que dá para aplicar isso numa literatura? Dá para quebrar a quarta parede ou aplicar a parábase num livro? Será que isso sequer faz sentido? E é isso que eu vou te explicar agora.

Primeiro, é muito importante a gente entender aqui a diferença gritante entre isso que a gente chama de quebra da quarta parede no cinema e a parábase. Como eu expliquei agora na quebra da quarta parede, presta muita atenção aqui: ainda que o personagem como Deadpool, por exemplo, pareça se dirigir ao público, pareça se dirigir a nós que estamos assistindo, aquilo faz parte da narrativa. Ou seja, a quebra da quarta parede até causa um efeito em nós, mas a ação permanece dentro da ficção. Eu vou te dar um exemplo só que vai explicar esse problema. Imagina que o Deadpool olhe direto pra câmera e diga que conhece a mãe de quem está assistindo. Ele conhece mesmo? É claro que não. Isso é parte do show, isso é parte do texto ficcional daquele filme. Portanto, é parte da narrativa. Tudo ali está acontecendo dentro da narrativa, dentro da história.

Agora veja a diferença. Na parábase a gente tem realmente uma suspensão da mímese, da ficção. Por quê? Porque nessa hora da parábase, o ator sai do regime ficcional e entra num regime diferente, que é o regime discursivo, fora da narrativa. A narrativa está parada, está interrompida. Agora quem está falando ali não é mais o personagem. O ator está, por assim dizer, representando a voz do autor. Naquele momento, o ator é como se fosse uma voz autorizada do autor, do dono da peça, uma pessoa que vai comentar em nome dele, então, portanto, está fora da narrativa.

Nas peças do Aristófanes, inclusive, essa era uma quebra programada já. A plateia já esperava essa parte. O público sabia que em determinado momento os atores deixariam de fingir, de encenar e falariam com eles diretamente sobre o mundo real, e agora não mais como personagens e sim como porta-vozes do próprio Aristófanes. Então esse era um momento em que aquele jogo dramático era inequivocamente interrompido. Ninguém tinha dúvidas disso e aí sim substituído por uma fala direta com o público, literalmente. Por que literalmente? Porque o público estava ali de frente pros atores.

Então veja, essa é realmente uma grande diferença entre a quebra da quarta parede no cinema e o que acontecia no teatro. Eu não preciso explicar para você que na literatura o tempo inteiro a gente já tem um narrador contando a história e muitas vezes a sensação é que a história está sendo realmente contada para quem está lendo, mas mesmo assim ninguém vai dizer que isso seja uma quebra da quarta parede.

Agora, dá ou não dá para implementar a quebra da quarta parede e a parábase na literatura? Vamos direto ao ponto, finalmente. Ó, presta atenção aqui, não dispersa. Se eu disse que na quebra da quarta parede o personagem apenas finge ou encena, ele simula que está falando com a audiência. Bom, isso a gente já viu bastante na literatura, não é? Na literatura, esse é um recurso chamado de metalepse narrativa. Você não precisa decorar esse termo, mas é quando acontece uma encenação ficcional. Atenção aqui: uma encenação ficcional onde o narrador, que é fictício, se dirige ao narratário, que também é fictício, justamente para simular essa comunicação direta com o leitor real do livro.

Então, olha só que coisa: o narratário de um livro, não o narrador, né? O narratário a quem o narrador se dirige, ele é justamente o equivalente àquela audiência imaginária a qual um personagem no cinema finge que fala. Da mesma forma com que o Deadpool finge que fala com quem está assistindo. Na literatura, quando um narrador se dirige ao leitor, isso pode ser sim comparado com a quebra da quarta parede. Não porque o narrador esteja de fato falando com o leitor, falando com você, porque isso também não acontece no cinema. O Deadpool não fala diretamente com você. Esse "caro leitor" que aparece às vezes na literatura pode ser comparado a uma quebra da quarta parede, porque, assim como acontece no cinema, o narrador está simulando essa interação. Ele está encenando isso, enquanto na verdade ele permanece dentro da narrativa, dentro da história. Ou seja, tanto no cinema quanto na literatura vai acontecer a mesma coisa. O personagem continua dentro da obra, mesmo quando ele cita esse destinatário fictício que o leitor tem a sensação de ser ele mesmo. Então, é possível sim fazer uma espécie de quebra da quarta parede na literatura. E isso muita gente já fez.

Agora, e a parábase? E, meu amigo, aqui o negócio começa a ficar complicado, porque veja como as coisas são diferentes, justamente naquele ponto em que complica as coisas. Aqui a quebra da quarta parede é sempre ficcional. Ela é sempre uma encenação que ainda faz parte da ficção, das ações do personagem. Por outro lado, a parábase não é isso. A parábase, sim, é uma quebra total da ficção. Porque às vezes, naquele momento em que até o tema da peça era explicado pra audiência, os próprios autores saíam completamente da ilusão ficcional. Aquilo não fazia parte então da história que estava sendo contada, muito menos era entendido como parte da história. Todo mundo percebia, todo mundo entendia que na parábase havia uma mudança no regime enunciativo. O que acontecia justamente era que aquela voz da narração do coro abandonava aquilo que a gente chama de progressão mimética da ação. Assim como naquele gênero literário que a gente chama de ensaio, na parábase a gente tem uma função discursiva que é diferente. É aquele tipo de texto que vai comentar o assunto, que vai explicar, que vai polemizar, que vai teorizar muitas vezes.

Ou seja, a principal característica da parábase é que ela rompe com a ilusão dramática, ainda que ela não rompa com a obra num todo. Por quê? Porque, apesar daquele texto que o ator dizia diretamente pra plateia, fora da história, fora das ações, era um texto que fazia parte da própria peça, fazia parte da peça, mas não da parte ficcional da peça. Dito de outro jeito, a parábase está dentro da peça de teatro, mas é um trecho não ficcional que interrompe a ficção.

E de novo, dá para fazer isso na literatura? Sim, pior que dá para fazer, só que de uma forma muito específica que provavelmente você nunca viu na sua vida. Eu tô quase acabando o vídeo, então presta bastante atenção aqui, tá? Vamos lá de novo. Aqui, ó, no teatro, a parábase não acontece à parte da peça, mas dentro dela. Da mesma forma, na literatura, você pode ter um trecho que, apesar de continuar sendo parte da obra, mude o regime enunciativo, o modo como o texto fala, a função textual. E como exatamente a gente faz isso? Para acontecer a parábase na literatura, meu amigo, a gente tem que ter literalmente um texto que de repente não seja mais ficcional, mesmo que ele continue literário. Você entendeu? Para você ter uma parábase literária, a narrativa precisa ser suspensa, dando lugar a uma voz ensaística, a uma voz discursiva, um texto onde não seja mais aquele narrador contando a história, mas uma voz autoral comentando o texto, explicando, teorizando.

E faz sentido mesmo? Dá para fazer isso? Bom, pensando o seguinte: um prefácio ou uma nota de rodapé são exemplos de textos não ficcionais que acompanham obras ficcionais, certo? A diferença é que a parábase acontece no meio da ficção. Ela acontece como uma interrupção entre as cenas. Uma outra diferença é que o prefácio, tanto quanto as notas de rodapé, geralmente não são essenciais para você entender um livro. Você pode cortar uma nota de rodapé, você pode cortar o prefácio, mas as parábases são parte da peça, você não pode cortar. Então, para ter algo parecido com uma parábase na literatura, você tem que ter esses trechos não ficcionais, realmente interrompendo a sua narrativa, a sua ficção, mas de forma que eles ainda façam parte da obra num todo.

Agora, você já viu alguma obra desse jeito? Eu desconfio que você nunca pensou nisso na sua vida, assim como eu nunca tinha pensado nisso também. E olha que coisa, existem dois gênios literários que se encaixam perfeitamente nessa descrição aqui de uma parábase na literatura. Quais são os dois gêneros? Eles são bem parecidos, tá? O ensaio ficcionalizado e a ficção ensaística. Deixa eu explicar em pouquíssimas palavras aqui o que é que são essas duas coisas, porque o vídeo está ficando muito grande.

Primeiro, o que que é o ensaio ficcionalizado? É quando o texto parte de um ensaio como base, ou seja, uma digressão, uma reflexão subjetiva, mas ele vai incorporando elementos fictícios, como histórias inventadas, personagens, para ilustrar ou para enriquecer as ideias que ele está apresentando.

Já no caso da ficção ensaística, a gente vai ter aquele texto que parte da ficção como base, ou seja, vai ter uma narrativa com enredo, personagens e tudo, e o texto vai incorporando aquelas digressões ensaísticas, aquelas reflexões filosóficas, aquelas especulações mais longas que interrompem ou de alguma forma contaminam a história. E se você procurar por aí esses dois gêneros, você vai encontrar pouquíssima coisa, fora que muitas vezes os dois termos são usados de forma intercambiável, quase como se fossem sinônimos. Mas em grande parte isso acontece, eu acho, porque não tem muita coisa escrita desse jeito nesses dois gêneros. Inclusive, eu acredito que dê para fazer uma boa distinção entre os dois, ainda que a diferença seja sutil, porque pode depender basicamente de qual gênero tem mais peso no texto, se a ficção ou se o ensaio. Ou a gente pode fazer uma distinção tentando perceber qual dos dois gêneros serve como estrutura pro texto.

E como eu sei que simplesmente jogar esses dois gêneros aqui por nome, sem dar nenhum exemplo, não vai adiantar nada, porque até aqui a gente só ficou no campo teórico, então eu mesmo escrevi uma obra tentando simular a parábase. Eu confesso que eu ainda não sei se está mais para um ensaio ficcionalizado ou para uma ficção ensaística. Só sei que deu um trabalho lascado escrever. Eu gostei do resultado e o link vai estar aqui embaixo na descrição, caso você queira dar uma conferida, porque aqui nesse canal é assim, a gente teoriza para caramba, mas a gente também põe a mão na massa. Ora, se eu quero ajudar você com a escrita, o mínimo que se espera é que eu mesmo dê conta do recado, não é? Então dá uma conferida lá, comenta aqui no vídeo, deixa o seu like, se inscreve no canal. Mas por este vídeo é isso, até a próxima.